Crítica - Shrek (2001)

Realizado por Andrew Adamson, Vicky Jenson
Com Mike Myers, Eddie Murphy, Cameron Diaz, John Lithgow, Vincent Cassel

Quando chegou aos cinemas em 2001, "Shrek" foi imediatamente apontado como um dos melhores filmes de animação dos últimos tempos e surpresa das surpresas, não era uma obra produzida pela Pixar ou pela Disney. Apesar de não ser uma obra da toda-poderosa companhia americana, Shrek conta no seu elenco animado com “cameos” de várias personagens de filmes da Walt Disney como Pinóquio, Cinderela, Bela Adormecida, Lobo Mau entre outros. Mas a história central foca-se num ogre verde chamado Shrek, num burro falante e na princesa Fiona. Estas três personagens são as estrelas de um dos filmes animados mais lucrativos de sempre. Antes de falar do filme propriamente dito, acho importante dar uma pequena explicação sobre o estado do mercado cinematográfico da altura. Quando Steven Spielberg fundou os estúdios cinematográficos da Dreamworks SKG, estava fortemente determinado a concorrer com a poderosa Walt Disney no lucrativo mercado dos filmes animados. Para isso, ele convidou Jeffrey Katzenberg para ser o seu sócio. Katzenberg era precisamente o executivo responsável pela longa fase áurea da Walt Disney Animation, que contou com sucessos como "A Bela e o Monstro", "O Rei Leão" e "Aladdin". Dizem as publicações especializadas que a transferência de Katzenberg da Disney para a Dreamworks foi tudo menos amigável. Pouco tempo depois, ambos os estúdios lançaram nos cinemas filmes muito parecidos entre si: "Formiga Z" da Dreamworks e "Vida de Insecto" da Disney. O mercado e a imprensa começou a falar em espionagem industrial. O clima entre as empresas piorou. Agora com "Shrek", a Dreamworks escancara de uma vez por todas os sentimentos de animosidade entre os dois estúdios. O filme é uma grande e divertida sátira ao estilo Disney de se produzir desenhos animados e tem um argumento que não poupa críticas contra a poderosa empresa de Mickey Mouse.


Tudo começa quando Shrek, um ogre grande, feio, esverdeado e mal disposto, vê o seu pântano particular invadido por dezenas de personagens clássicas de histórias infantis. O Lobo Mau, os três porquinhos, Branca de Neve, os anões, Cinderela, Pinóquio, todos estão lá para o desespero do ogre, apaixonado pela solidão e tranquilidade. A culpa de todas aquelas personagens estarem ali é de Farquaad, um governante baixinho e complexado que precisa de se casar com uma princesa para ser considerado rei. Pelo menos foi isso que lhe disse o famoso espelho mágico da rainha malvada, devidamente confiscado do castelo da Bruxa. Disposto a casar-se, Farquaad pede a Shrek para iniciar uma cruzada de salvamento da bela princesa Fiona, que está presa na torre de um castelo que é guardado por um terrível dragão. Como recompensa, Shrek teria de volta a paz e a privacidade do seu pântano. Começa então a saga do ogre à procura da princesa encantada. A acompanha-lo nesta cruzada está um fiel burro falante, que se cola ao ogre para se proteger. Pelo caminho eles vão-se deparar com as mais inusitadas situações e divertidas personagens que vão garantir as gargalhadas dos espectadores. Principalmente daqueles que souberem captar as subtilezas das várias “picas” que o filme da Dreamworks faz ao Universo Disney.


Eu lembro-me que alguém me perguntou como é que a Disney permitiu que personagens tão famosas como Pinóquio ou Branca de Neve fossem utilizados num filme da sua maior concorrente, mas a verdade é que a Walt Disney não é dona dessas personagens. Quase todas as personagens retratadas nos filmes de animação da Walt Disney são clássicos literários de domínio público, que foram criados nos séculos passados por escritores independentes e que mais tarde foram adaptados em filme pela Walt Disney e que não estão sujeitos a direitos de autor. À Disney só pertencem oficialmente o Rato Mickey e as personagens que normalmente contracenam com ele. Divertido, bem feito, politicamente incorrecto, corajoso e sem medo de criar contestação, "Shrek" é um filme animado que é capaz de agradar mais aos adultos que às crianças. Nos Estados Unido, alcançou a impressionante marca de 197 milhões de dólares de lucro, superando assim blockbusters como "A Múmia", "Pearl Harbor" e "Atlantis", o filme animado da Disney que saiu no mesmo ano. É esta a vingança de Katzemberg, que também é concretizada no ponto mais sensível dos estúdios - a carteira.

Classificação - 4 Estrelas Em 5

2 comentários:

  1. Matutava imenso como é k a Dreamworks tinha posto lá +ersonagens dos classicos da Disney, afinal a resposta era facil ;)

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