Crítica - War Horse (2011)

Realizado por Steven Spielberg
Com Jeremy Irvine, Emily Watson, David Thewlis, Tom Hiddleston

Um novo filme de Steven Spielberg é sempre um acontecimento marcante no mundo da 7ª Arte, não apenas porque se trata de um dos melhores realizadores de todos os tempos mas também porque o veterano cineasta se ocupa cada vez menos do posto da realização. 2011 acabou por se revelar um ano bastante produtivo para o icónico realizador, pois dirigiu com sucesso dois dos grandes filmes da temporada: “The Adventures of Tintin” e este “War Horse”, duas películas inteiramente distintas. Porém, convém recordar que a última obra de Spielberg datava já de 2008, o que significa que o criador de Indiana Jones, E.T. e tantas outras lendas do cinema contemporâneo já não se sentava na sua cadeira de eleição há sensivelmente 3 anos. Após 3 anos dedicados essencialmente à produção de obras variadas, ei-lo de novo a atacar os box-office mundiais e a recolher a habitual dose de aplausos por parte do público e da crítica especializada. E se “The Adventures of Tintin” marcava a estreia do realizador nas fitas de animação digital, este visualmente magnífico “War Horse” marca o seu regresso às fitas mais dramáticas e ousadas, deixando para trás das costas o fracasso crítico e comercial que foi “Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull”. Ora, é certo que o material de origem infanto-juvenil que lhe serve de pano de fundo impede que “War Horse” se torne uma obra muito mais madura, ambiciosa e até desafiadora para o espectador. Mas nem por isso deixamos de estar na presença de um dos melhores e mais emocionantes filmes da temporada, o que só comprova que Spielberg não desaprendeu com o passar dos anos e que o talento natural continua todo no sítio certo.




A narrativa acompanha a paixão que um rapaz chamado Albert (Jeremy Irvine) desenvolve por um cavalo a que dá o nome de Joey. Nos primeiros meses de vida do possante e enérgico equídeo, Albert dedica-se por inteiro ao animal que depressa se transforma no seu melhor amigo, ensinando-lhe tudo o que este precisa de saber para confiar nos humanos e sobreviver num mundo árduo e, por vezes, cruel. Teimoso mas também dócil e afável, Joey depressa demonstra um carácter e uma inteligência invulgares, rapidamente desenvolvendo uma relação de unha com carne com o seu dono humano. Mas o eclodir da primeira guerra mundial faz com que todo este cenário idílico se altere por completo. Afundado em dificuldades financeiras, o pai (Peter Mullan) de Albert vê-se forçado a vender Joey a um oficial do exército britânico (Tom Hiddleston) e o pobre rapaz vê o seu melhor amigo partir em direcção a uma morte quase certa. Mas antes que o nobre cavalo partisse de vez, Albert promete-lhe que o voltará a resgatar das malhas do exército, nem que para isso tenha de percorrer os destroços de uma guerra inteira no seu encalço. E contra todas as probabilidades, Joey vai sobrevivendo a todos os campos de batalha, passando pelas mãos de vários donos (britânicos, germânicos e franceses) que o acolhem de braços abertos (na maior parte das vezes). Mas conseguirão Joey e Albert reunir-se de novo no final de toda uma guerra insana? Ou não passará isso de uma ilusão delirante?




Visto desta forma tremendamente resumida, o argumento parece ser uma lamechice pegada, construído com o singular propósito de pôr as criancinhas e os adultos de lágrima fácil a chorar baba e ranho. E se caísse nas mãos de um realizador vulgar, bem que este filme poderia tombar nesse tipo de abordagem pouco meritória. Mas nas mãos firmes e seguras de Steven Spielberg, nada disso acontece. “War Horse” tem sido criticado por ser demasiado melodramático e, como tal, por apelar descaradamente à lágrima fácil dos espectadores. Mas este tipo de raciocínio parece-me injusto, pois “War Horse” não é mais melodramático que qualquer filme que aborde as atrocidades cometidas numa guerra destas dimensões. Focando-se na relação de amizade invulgar que se forma entre Albert e o cavalo Joey, é óbvio que existem aqui sinais de uma obra feita a pensar num público mais juvenil. Como tal, depressa nos apercebemos que não estamos a ver um produto semelhante a “Saving Private Ryan”, pois as sequências de batalha pouca violência mostram e a fantástica banda-sonora de John Williams ajuda a amenizar o ambiente soturno do cenário aterrador. Contudo, Spielberg nunca cai na parolice ou na filmagem académica, pelo que acusar este filme de falta de ambição me parece impróprio. Acima de tudo, temos de compreender que “War Horse” jamais tenta ser “Saving Private Ryan”. Ao invés do negrume, “War Horse” aposta na emoção e no drama familiar tão ao estilo de Steven Spielberg. E se por um lado esta obra não possui o impacto e a consistência que se esperava, por outro lado apresenta-nos um fio narrativo sempre seguro de si, personagens humanas com as quais todos nos identificamos e pormenores técnicos de nos fazer chorar por mais. Uma vez mais, Spielberg demonstra que possui um coração enorme, pois é assim que esta obra melhor se define: uma obra com um coração enorme, que nos ensina a ser perseverantes no pior dos cenários e que nos demonstra que a bravura, a sensibilidade e a inteligência não são atributos exclusivos do ser humano.


Classificação – 4 Estrelas Em 5

4 comentários:

  1. eu dei um pouquinho mais (4,5)... claramente (para mim) um dos melhores filmes do ano!
    http://revoltadapipoca2.blogspot.com/2012/02/war-horse-2011.html

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  2. Excelente Critica! Parabéns! sem dúvidas! Um grande filme! Um dos melhores do ano mesmo! eu também dou 4,5.

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  3. Excelente crítica! Palavras para quê? Não podia concordar mais.

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  4. Ana Cristina Teixeira4 de junho de 2012 às 03:24

    Para mim este filme é muito bonito como um todo: a história, a fotografia, a produção... Enfim, impecável! Não vi nada de melodramático. Vi sim uma história de fé, de pessoas que acreditam nos grandes encontros. É melhor se emocionar por isso do que achar graça em coisas sem nexo e vazias que passam nas telas.

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