Crítica - The Woman in Black (2012)

Realizado por James Watkins
Com Daniel Radcliffe, Ciarán Hinds, Janet McTeer

Desde 2008 que sabíamos que James Watkins iria dar que falar. Esse foi o ano da sua estreia como realizador, acrescentando algo mais a um currículo até então marcado pelo seu trabalho enquanto argumentista. E se muitos falharam nessa transição do papel para o manejo das câmaras (estamos a lembrar-nos de argumentistas como David Koepp e Randall Wallace, só para dar dois exemplos), tal coisa não veio a suceder com Watkins, que logo à primeira demonstrou uma enorme apetência para comandar as operações de uma gigantesca equipa de filmagens. O perturbador e inquietante “Eden Lake” foi a obra que confirmou os seus dotes de cineasta. Para além de um controlo narrativo de topo e uma direcção de actores absolutamente fantástica, essa obra deixou também bem claro que Watkins possuía a sensibilidade e o talento necessários para revitalizar o género cinematográfico do terror. Nas mãos de um realizador vulgar, “Eden Lake” transformar-se-ia facilmente num produto piroso e ordinário. Nas mãos de Watkins transformou-se numa obra que captura a violência e a delinquência juvenil como se de um documentário se tratasse. E agora, quatro anos mais tarde, estava na altura de ver se o cineasta britânico teria o estofo necessário para dar o salto e enfrentar desafios de magnitude superior. Sabíamos que ele se dava bem com o terror físico e psicológico. Mas então e o sobrenatural? Seria ele capaz de atingir os mesmos resultados? A resposta é esta: sim, Watkins continua a saber muito bem o que faz dentro deste subgénero cinematográfico, embora “The Woman in Black” não possua o mesmo impacto e a mesma qualidade de “Eden Lake”.



A narrativa leva-nos a acompanhar a viagem que um jovem (muito jovem) advogado faz a uma aldeia remota e misteriosa do noroeste britânico. Arthur Kipps (Daniel Radcliffe) vive dias tremendamente complicados a nível emocional e até profissional. A sua esposa morreu ao dar à luz o seu filho Joseph (Misha Handley), deixando o pobre rapaz à beira de uma enorme depressão. Graças a isto, Arthur passa o tempo a sonhar com as recordações da mulher falecida, sendo incapaz de executar as suas funções profissionais (e até parentais) da melhor forma possível. Solidário com o jovem advogado mas sem vontade de lhe pagar por um trabalho mal feito, o manda-chuva da sociedade de advogados a que Arthur pertence dá-lhe então uma última oportunidade de se redimir e endireitar a vida tristonha. Sem mais demoras, Arthur deverá viajar até uma aldeia fria e acinzentada localizada no noroeste britânico, onde terá como missão organizar a papelada de uma mulher que acabou de perecer numa enorme mansão vitoriana e vender essa mesma mansão o mais rápido possível. Sem oportunidade de recusar o encargo, Arthur desloca-se então de imediato até à aldeia, onde passa desde logo a contar com a ajuda de Daily (Ciarán Hinds), um homem de tratos amáveis que faz de tudo para que ele não preste atenção às superstições da população local. Porém, mal entra na residência vitoriana, Arthur começa a deparar-se com fenómenos paranormais verdadeiramente inexplicáveis, que levam a sua mente outrora racionalista a entregar-se à crença de que habita por ali uma espécie de maldição antiga…



Não é muito difícil analisar este “The Woman in Black”, pois as suas virtudes e defeitos encontram-se à vista desarmada de todos quantos prestem atenção. A nível puramente técnico, esta obra é um triunfo completo. A recriação de época (que vai desde a decoração dos cenários ao detalhe do guarda-roupa) é de primeiríssima classe, a direcção de fotografia de Tim Maurice-Jones é simplesmente assombrosa, e a realização tranquila e bem planeada de James Watkins deixa-nos com os nervos em franja nas sequências mais arrepiantes. Watkins não desiludiu e mostrou que tem muito bom gosto ao filmar as sequências mais assustadoras exactamente como elas deveriam ser filmadas. Não temos aqui um Paul W. S. Anderson a confundir terror com cenas de pancadaria entre monstros. Watkins leva-nos de volta ao cinema de terror mais clássico, onde um simples vulto ou o ranger de uma porta conseguem arrepiar muito mais do que carradas de sangue lançadas contra a câmara. As sequências que colocam Arthur a sós na moradia durante várias horas são particularmente aterradoras, pois nunca caem na previsibilidade a que já estamos acostumados. “The Woman in Black” torna-se assim um exercício de sustos e calafrios muito bem elaborado. Porém, um filme (mesmo um filme de terror) não se faz apenas de sustos e calafrios. É preciso haver também um argumento que esteja à altura de toda a componente técnica. E infelizmente, é aqui que “The Woman in Black” falha redondamente. Não que caia em muitos dos amaldiçoados clichés do género. Mas a sua história não consegue escapar a uma certa vulgaridade que não era de esperar. E sim, apesar de não serem muitos, alguns clichés continuam a manchar a película aqui e acolá (sobretudo no último acto da narrativa). Apesar de ainda ter cara de menino, Daniel Radcliffe até não se safa mal e consegue convencer-nos de que é de facto um advogado com um filho de 4 anos (até porque na época retratada um jovem de vinte e poucos anos já era considerado um homem há muito tempo). Mas a narrativa demasiado vulgar e até algo forçada acaba por impedir que esta obra atinja patamares de qualidade bem mais gloriosos.

Classificação – 4 Estrelas Em 5

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