Pérolas Indie - In The Land of Blood and Honey (2011)

Realizado por Angelina Jolie 
Com Zana Marjanovic, Goran Kostic, Alma Terzic 
Género – Drama 

Sinopse - Durante a Guerra da Bósnia (1992 – 1995), Danijel (Goran Kostic), um soldado que luta pelos sérvios, reencontra Ajla (Zana Marjanovic), uma mulher bósnia muçulmana que foi capturada pelas tropas sérvias e deportada para um campo de concentração. Os dois tiveram um breve romance antes da Guerra e este seu reencontro volta a despertar a forte atracão física e emocional que sentem um pelo outro, mas a violência do conflito e as suas diferenças socioculturais parecem ser demasiado fortes e ameaçam o futuro do seu amor. 

Crítica – Eu acho que é seguro afirmar que foram poucas as pessoas que ficaram entusiasmadas quando Angelina Jolie anunciou que ia fazer (escrever e realizar) um filme sobre a Guerra dos Balcãs sem nenhum actor conhecido ou mediático no elenco, porque quase ninguém acreditou que uma guionista/ realizadora inexperiente e estrangeira iria conseguir retratar, com o mínimo de emotividade e fidelidade, a violência e o melodrama do conflito. É verdade que “In The Land of Blood and Honey” tem alguns defeitos e não é propriamente um filme histórico sobre a guerra e as suas complexas questões sociopolíticas mas, através dos terríveis acontecimentos que marcam e rodeiam o atribulado romance entre Danijel e Ajla, Angelina Jolie consegue explicar-nos, de forma clara e sucinta, as razões que deram origem a este sangrento conflito e as principais causas das problemáticas tensões raciais e religiosas que ainda hoje se fazem sentir na região. Os avanços e recuos da estranha história de amor entre os dois intervenientes centrais dominam a trama do início ao fim, mas pelo meio somos confrontados com algumas cenas fortes e extremamente interessantes que retratam algumas das atrocidades que o exército sérvio cometeu contra os civis bósnios (homens, mulheres e crianças), mas também como estes se organizaram e reagiram contra o domínio sérvio. É claro que Jolie caiu no erro de santificar os bósnios e demonizar os sérvios, mas pelo menos teve o bom senso de mostrar, através de Danijel e de outros soldados insatisfeitos, que nem todos os cidadãos/ militares sérvios apoiavam incondicionalmente o governo jugoslavo e as suas ordens, algo que é constantemente reforçado pelos brilhantes diálogos entre Danijel e o seu pai/ superior hierárquico, um general sérvio que representa tudo aquilo que ainda há de errado na região. A difícil relação entre Danijel e Ajla tem alguns momentos de interesse, mas o seu romance poderia ter sido explorado com um pouco mais de ritmo e afetuosidade, algo que certamente diminuiria a excessiva duração do filme e evitaria o nosso crescente desinteresse pelo desenrolar do seu relacionamento de amor/ ódio. A frieza e distância emocional que se estabelece entre os dois após o inicio do conflito até exterioriza o ambiente frio e instável que se instalou entre sérvios e bósnios muçulmanos, mas não nos permite compreender as suas verdadeiras intenções e ambições nem descobrir se Ajla gostava verdadeiramente de Danijel que, por tudo o que fez ao longo do filme e por tudo a que foi sujeito, tem de ser encarado como o grande herói da história, mesmo sendo um dos principais soldados do exército sérvio. A realização de Angelina Jolie não é magistral nem digna de grandes elogios, mas merece algum apreço porque apresenta alguns planos e pormenores interessantes que confirmam as potencialidades da famosa actriz nesta área, no entanto, existem aspetos a melhorar e certas falhas que certamente serão retificadas no futuro. O elenco de “In The Land of Blood and Honey” tem um trabalho coletivo bastante razoável que está ao nível deste satisfatório drama/ romance de baixo custo, onde se destacam as brutais cenas que retratam as atrocidades da Guerra da Bósnia e os eventos secundários que apoiam a confusa e entediante história central que tem, ainda assim, alguns méritos e uma conclusão surpreendente. 

 Classificação – 3 Estrelas em 5

1 comentários:

  1. Não concordo com alguns aspectos da sua critica. Conseguimos perceber que Ajla gostava verdadeiramente de Danijel e isso é nos dado em diversas cenas por pequenos pormenores. No entanto a personagem sofre dividida entre o amor por um homem que seria suposto odiar e o sentimento de traição do seu povo. A confirmação surge no fim, com o auto-retrato nas últimas cenas que revela uma crise profunda de identidade. Também acho que não há uma diabolização assim tão grande dos Sérvios. Como disse durante todo o filme através de Danijel e outros soldados é nos dada outra face das personagens, humanizada que a própria Ajla identifica. Na minha opinião, o filme não pretendia ser histórico ou um fiel "documentário" imparcial deste conflito, mas sim, contar a história de um amor numa guerra e da destruição humana que esta causa, sob o prisma de uma mulher bósnia apanhada no meio deste conflito. Não concordo com as inúmeras criticas que tem tido e o fraco scoore no IMDB, acho que é um filme que merece ser visto!

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