Crítica - Rampart (2011)

Realizado por Oren Moverman 
Com Woody Harrelson, Ben Foster, Robin Wright 

A carreira de James Ellroy tem sido dedicada, em grande parte, à escrita de livros e filmes sobre os altos e baixos das vidas de agentes da polícia em diferentes épocas. Entre os seus maiores sucessos literários estão os mundialmente aclamados “L.A. Confidential” (1990) e “Brown's Requiem” (1981), no entanto, este famoso escritor norte-americano também se destacou na sétima arte como guionista, e entre os seus principais trabalhos nesta área encontramos vários filmes que se centram em policias como o thriller “Street Kings” (2008) ou as adaptações cinematográficas de “L.A. Confidential” (1997) e “Brown's Requiem” (1998). O seu mais recente trabalho como guionista é este “Rampart”, um drama policial bastante negro mas relativamente mais simples e objetivo que “L.A. Confidential” ou “Brown's Requiem”, onde Woody Harrelson tem uma excelente performance como o arrogante e paranoico Dave Brown (Woody Harrelson), um polícia na Esquadra do Bairro de Rampart (Los Angeles) que não se preocupa em distinguir, na maior parte das situações, o certo do errado. Quando é apanhado em flagrante, por uma câmara, a espancar um suspeito, este veterano da Guerra do Vietname acaba por se envolver numa espiral descendente de problemas pessoais e emocionais que culminará no desmoronar da sua carreira, da sua estrutura familiar e da sua sanidade mental.



A história de “Rampart” aborda, com uma certa intensidade mas sem muita coesão, o progressivo desmoronar da estabilidade psicológica do seu protagonista, um homem narcisista e absolutamente detestável que se recusa a enfrentar a iminente destruição da sua vida, ou a aceitar que vai perder tudo o que tem por culpa da terrível atitude beligerante com que sempre encarou a sua vida familiar e o seu trabalho. Os primeiros vinte minutos desta obra são muito interessantes e são também absolutamente fundamentais para conseguirmos compreender esta evolução destrutiva do protagonista, porque é durante esta parte introdutória que James Ellroy traça o perfil deste complexo interveniente central e da sua errática personalidade, através da forma abusiva como trata a sua profissão e as pessoas que o rodeiam. Este início permite-nos então saber como é que Dave Brown era antes de cair num profundo estado de paranoia e esgotamento mental, que vai sendo alimentado pelos vários problemas que vão aparecendo na sua vida e que irradiam dos inúmeros erros que cometeu em serviço ou da súbita alienação emocional da sua família. O grande atrativo narrativo de “Rampart” reside precisamente na forma como é explorada esta progressiva quebra psicológica que se torna cada vez mais negra e subjetiva com o aproximar do final do filme, algo que  confere alguma brutalidade emocional à história, mas que também dá origem a várias sequências um pouco confusas e a uma conclusão sem muito sentido que nos deixa com muitas dúvidas sobre o destino da personagem principal, no entanto, isto não invalida o facto de estarmos perante um bom e ritmado drama policia que nos mostra como é que uma sucessão de más decisões aliadas a uma atitude chauvinista e insolente conseguem transformar um homem forte e que no início do filme tinha o mundo aos seus pés, numa figura paranoica e emocionalmente instável que no final sucumbe ao álcool e aos medicamentos para tentar esquecer o péssimo estado da sua vida. O sucesso desta narrativa não se deve apenas à criatividade de James Ellroy ou à cuidadosa realização de Oren Moverman, já que esta obra não teria nem metade do impacto que tem se não fosse pela fantástica performance de Woody Harrelson como Dave Brown. Este portentoso ator interpretou esta difícil personagem com um grande sentimento de entrega e conferiu a este filme uma assustadora credibilidade. O resto do elenco também está bem, mas não há nenhum ator neste filme que consiga rivalizar com a qualidade ou o protagonismo de Harrelson que é, sem dúvida, o grande trunfo desta produção independente que, sem ter uma narrativa muito mexida ou intelectual, consegue levar-nos numa intensa viagem por entre os vários dramas e dilemas de um homem  detestável que, no final de contas, mereceu todas as coisas más que o destino lhe trouxe. 

  Classificação – 3,5 Estrela Em 5

1 comentários:

  1. O filme é muito bom mesmo,e como você disse a atuação de Harrelson está impecável, li em algum lugar que ele na vida real era filho de um assassino profissional e que talvez estivesse envolvido com o assassinato do presidente Kennedy... interessante pensar que talvez essa "perturbação" do personagem seja natural do autor...
    O que eu gostei é que o filme não deixa tudo resolvido, dá para imaginar muita coisa com esse final. Valeu.

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