Crítica - Magic Mike (2012)

 
Realizado por Steven Soderbergh
Com Channing Tatum, Alex Pettyfer, Matthew McConaughey, Cody Horn

Steven Soderbergh anda numa de abordar os submundos da indústria do sexo. Depois de em 2009 ter contratado Sasha Grey – uma famosa atriz dos filmes para adultos – para levar o espectador numa curiosa e experimental viagem ao submundo das call girls, agora o oscarizado realizador norte-americano recruta Channing Tatum – um antigo stripper – para explorar o submundo dos strippers masculinos. A primeira coisa que deve ser dita é que este “Magic Mike” não é uma comédia. Tem sido catalogado dessa forma em tudo quanto é sítio, mas está longe de ser um filme construído única e exclusivamente para pôr a audiência a rir às gargalhadas. Claro que possui momentos cómicos. Mas eles procedem da excentricidade do submundo que nos é apresentado, estando esta obra mais próxima de um drama familiar do que de uma comédia para toda a família. Nas mãos de um realizador vulgar e desajeitado, “Magic Mike” facilmente se tornaria ridículo, ordinário e até mesmo gratuito. Afinal de contas possui todos os condimentos para cair no ridículo e não ser levado muito a sério, ou não tivéssemos aqui quase duas horas de homens musculados a dançarem em cuecas de fio dental e trajes estereotipados. Podemos apenas imaginar o que este filme seria nas mãos de Adam Sandler e companhia limitada… Nas mãos de Soderbergh, contudo, “Magic Mike” floresce como um drama sólido e repleto de significados ocultos, abordando o submundo dos clubes de strip sem preconceitos para atingir um realismo cruel e, ao mesmo tempo, deixar a habitual mensagem de tom crítico.

   

Mike (Channing Tatum) é um rapaz honesto e esforçado. Considerando-se empreendedor e visionário quanto baste para singrar por conta própria, ele vive com o sonho de abrir um negócio de construção de móveis invulgares e feitos por medida, edificados à base de materiais reciclados para obter uma verdadeira obra de arte no final de todo o processo. A visão está lá e é uma visão prometedora. O que lhe falta é o dinheiro. O dinheiro que lhe permita investir nessa ideia original e construir as bases de um negócio sustentável. De forma a arranjar esse dinheiro, Mike trabalha como operário da construção civil durante o dia… e como stripper num clube noturno dirigido por Dallas (sempre intenso Matthew McConaughey), um homem enérgico e ambicioso que parece ter mais olhos que barriga. Talentoso e detentor de um corpo de Adónis, ele parece dar-se bem com a sua segunda identidade, fazendo as delícias monetárias de Dallas e as delícias luxuriosas das mulheres que frequentam o clube noturno. Porém, o seu destino sofre um pequeno desvio quando Adam (Alex Pettyfer), um jovem problemático e sem perspetivas de futuro, aterra de rompante na sua vida. De forma algo inesperada, Adam torna-se o mais recente membro do clube noturno. E é através da convivência com esse jovem que Mike passa a encarar o seu dia-a-dia com outros olhos…


Tudo bem, temos que admitir que “Magic Mike” está muito longe de ser um grande filme. A narrativa é mais do que previsível e algumas das personagens tombam em estereótipos perfeitamente escusados. Os traços gerais do argumento chegam mesmo a aparentar um certo ar de comédia romântica, o que jamais pode significar algo de positivo para uma obra que se quer coesa e minimamente relevante. Ainda assim, “Magic Mike” não deixa de surpreender pela positiva, afastando-se do humor físico mais cómodo e convencional para nos oferecer um drama relativamente poderoso. Um drama com chamadas de atenção para os maiores males que afligem a sociedade moderna, arrancando de Channing Tatum a interpretação mais convincente da sua carreira até ao momento. É certo que as cenas de strip relegam Tatum para a chancela de sex symbol que o notabilizou e que muitas vezes faz com que atores sérios não recebam o crédito devido (que o diga Leonardo DiCaprio, que continua a ter muitos “inimigos” entre o público por causa dos tempos de sex symbol adolescente). Mas quando abandona o palco do clube noturno, Tatum não perde o controlo da personagem. Bem pelo contrário, ele demonstra uma maturidade interpretativa que não julgávamos que possuísse. E algum do crédito tem também de ir para Steven Soderbergh, um realizador que se entrega vezes sem conta a projetos arriscados e que, na grande maioria das vezes, acaba por sair triunfante dessas pequenas aventuras cinematográficas. Como é seu apanágio, Soderbergh filma tudo com grande realismo e sem artifícios extravagantes, oferecendo ao espectador uma obra genuína e nada artificial. Uma obra leve e ligeiramente previsível, é certo. Mas também uma obra séria e com mensagens claras para aqueles que as souberem procurar. 

 Classificação – 3,5 Estrelas em 5

1 comentários:

  1. Odiei o filme, nada do que tava a espera... O filme ter partes que são uma confusão que não se percebe a ligação das coisas

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