Crítica - 360 (2012)

Realizado por Fernando Meirelles 
Com Rachel Weisz, Ben Foster, Anthony Hopkins 

As expetativas em relação aos filmes de Fernando Meirelles são sempre elevadas, afinal de contas estamos a falar de um talentoso cineasta que nos últimos anos criou várias obras de relevo como “Cidade de Deus” ou “Blindness”, mas Meirelles não está imune a dias maus e também faz, ocasionalmente, filmes menos satisfatórios como este “360”, um drama bastante confuso e entediante com um elenco cheio de astros mal rentabilizados, que peca sobretudo por ser exageradamente longo e inexpressivo. A sua história é levemente baseada na obra austríaca “Der Reigen”, de Arthur Schnitzler, e desenrolasse em várias cidades como Viena, Paris, Londres, Denver ou Rio de Janeiro, onde vários indivíduos, de diferentes classes sociais e nacionalidades, vêm-se envolvidos numa série de crises românticas, sexuais ou familiares que estão relacionadas entre si por intermédio de uma conceção filosófica que defende que a vida é um extenso círculo de relações, onde uma decisão aparentemente inocente de um indivíduo pode desencadear uma série de eventos com resultados potencialmente dramáticos e catastróficos nas vidas de terceiros, conhecidos ou desconhecidos, que, por sua vez, adotam determinadas atitudes que acabam por influenciar a vida da pessoa que tomou a decisão inicial e que desencadeou todo este turbilhão de influências.


O conceito filosófico que está na base da sua narrativa é relativamente fácil de entender e até confere uma certa sensação de novidade à trama, mas o que realmente interessa neste filme não é este criativo elo de união, mas sim o conteúdo e desenvolvimento das diversas histórias românticas/ dramáticas dos vários intervenientes. Estas são abordadas de uma forma tão confusa e cansativa, que acabam por transformar toda a experiência cinematográfica de “360” num autêntico martírio para o espetador, que muito dificilmente vai encontrar algum motivo de interesse ou entretenimento numa vasta e claramente excessiva variedade de mini-histórias que, quer em conjunto quer em separado, não têm muitos atrativos intelectuais ou emocionais. O sentimento de tédio de “360” não deriva apenas do ritmo lento do seu enredo sem emoção ou detalhe, mas também da realização oca e inerte de Fernando Meirelles que tentou, sem sucesso, criar um filme astuto a roçar o artístico sobre relações, no entanto, o resultado final é uma obra pseudo-inteligente sem nenhuma paixão e nada completa. O seu apático trabalho de câmara exalta esta ideia falhada, sendo por isso que proliferam os planos sem emoção e as sequências sem razão. A óbvia nota negativa desta obra também abrange o seu elenco cheio de astros, que foram todos muito mal aproveitados por um realizador desinspirado e por um argumento escasso em contexto que, em conjunto, transformaram um filme com potencial num produto vazio e sonolento. 

 Classificação – 1,5 Estrelas em 5

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