Crítica - Brave (2012)

Realizado por Mark Andrews e Brenda Chapman 
Com Kelly Macdonald, Billy Connolly, Emma Thompson

 A maioria dos filmes da Pixar Animation são um majestoso exemplo de sumptuosidade técnica e narrativa, ora este “Brave” não foge a esses parâmetros de luxo e também se destaca como um filme divertido e visualmente deslumbrante, que se mostra capaz de entreter todo o tipo de público com a sua bela história que se centra em Merida (Kelly Macdonald), uma princesa rebelde e destemida que fica irritadíssima quando descobre que os seus pais, o Rei Fergus e a Rainha Elinor (Billy Connolly e Emma Thompson), chegaram à conclusão que está na altura de ela casar com um dos primogénitos das principais famílias do reino, desencadeando assim um velho costume ancestral que promove a estabilidade na região. A impetuosa Merida decide desafiar esta tradição centenária, para assim poder trilhar o seu próprio destino, mas as suas ações lançam inadvertidamente o caos e a fúria entre os vários clãs do reino. A sua situação fica ainda mais dramática quando recorre aos serviços de uma bruxa para tentar convencer a sua mãe a deixá-la escolher o seu próprio caminho, mas o feitiço que a bruxa lhe dá acaba por não produzir os efeitos desejados e força-a a embarcar numa grande aventura cheia de magia e perigos.


Os críticos têm razão ao afirmarem que a história deste filme não é tão memorável ou comovente como as dos recentes e mundialmente aclamados “Toy Story 3” (2011), “Up” (2009), “WALL-E” (2008) e “Ratatouille” (2008), mas tem, ainda assim, vários pontos fortes que o tornam num filme bastante agradável e engenhoso. No centro moral e narrativo de “Brave” está a família e todos os seus melodramas, nomeadamente os clássicos confrontos de mentalidades e ideais entre jovens rebeldes e os seus pais conservadores, cabendo estes respetivos papéis à corajosa Merida e à intransigente Rainha Elinor, que vão emendando a sua relação familiar à medida que o filme se desenvolve. Pelo meio da temática familiar são habilmente introduzidas várias lendas folclóricas da cultura célticas e tradições medievais dos escoceses, que conseguem enriquecer a aventura dos protagonistas e construir um ambiente fértil em magia e alegria. A única coisa que escasseia neste filme são boas cenas de humor, já que só as traquinices dos trigémeos ruivos é que nos fazem soltar algumas gargalhadas. O seu ritmo sonolento e a ausência de um forte vilão também afetam um bocado o nível desta animação que, feitas as contas, cumpre os seus principais objetivos e não fica muito atrás dos últimos grandes filmes da Pixar Animation. Tecnicamente, “Brave” é um filme fenomenal. A construção dos seus cenários e de todos os seus intervenientes é sublime e realista, afinal de contas estamos a falar de um filme de um estúdio que ainda não criou nenhuma obra (longa-metragem ou curta-metragem) com uma má nota a este nível. O único elemento técnico que é um bocado fraco é a sua banda sonora, que infelizmente não tem nenhuma música memorável. É verdade que a influência céltica nota-se em certas sonoridades, mas esperava-se algo mais grandioso das composições de Patrick Doyle. A Pixar não tem com este “Brave” um clássico instantâneo ou um indiscutível candidato ao Óscar de Melhor Filme de Animação, mas tem um bom filme que entretém e que é fiel aos ideais do estúdio. É difícil pedir muito mais ou melhor que isto. 

 Classificação – 3,5 Estrelas em 5

1 comentários:

  1. Muito Bom.
    Obrigado pela clareza.
    Fica o agradecimento de um mero humano.

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