Crítica - The Expendables 2 (2012)

 
Realizado por Simon West
Com Sylvester Stallone, Jason Statham, Jean-Claude Van Damme, Bruce Willis

“The Expendables 2” começa com um estrondo vibrante e acaba com uma explosão sanguinária. É certo que perde algum fulgor pelo meio, como já é apanágio deste género de películas. Mas para os fãs da ação hardcore ao estilo dos anos 80/90, os primeiros e os últimos 30 minutos valerão bem o preço do bilhete. Não é todos os dias que vemos as maiores estrelas de ação do planeta Terra reunidas num só filme. Há qualquer coisa de mágico no simples ato de vê-las partilharem a tela. O filme original de 2010 brindava-nos com um certo sentimento de nostalgia. E esta sequela repete esse feito, permitindo-nos recuperar o espírito livre e rebelde da nossa juventude em pouco mais de hora e meia. É óbvio que “The Expendables 2” não é material de Óscar. É óbvio que o seu público não vai entrar na sala à espera de ver um argumento extremamente refinado e original. Acima de tudo, esta obra oferece bons momentos de ação cinematográfica, protagonizados pelas lendas do género. O seu propósito é levar os espectadores numa viagem eletrizante de tiroteios insanos e sangue a rodos. É quase como um filme de série B com orçamento de blockbuster, trabalhado por quem conhece todos os segredos dos velhinhos filmes de ação. E a verdade é que resulta, pois o produto final é satisfatório. 

   

A película abre com os 15 minutos mais violentos da História do cinema. Trench (Arnold Schwarzenegger de regresso às fitas), um dos maiores rivais de Barney Ross (Sylvester Stallone), vê-se capturado por um grupo de trafulhas enquanto executa a missão de salvar o coiro de um fulano sem interesse de maior para a narrativa. E não podendo deixar que a missão ficasse por concluir, Barney e o seu grupo de mercenários partem para a guerra sem olharem para trás. Cem mil litros de sangue mais tarde, Trench é resgatado pelo grupo e todos regressam a casa sãos e salvos. Mas é então que Church (Bruce Willis) confia uma nova missão a Barney: os mercenários deverão recuperar um artigo valioso de um avião despenhado no continente asiático, antes que ele caia nas mãos erradas. Tudo aponta para que seja uma missão fácil e rápida. Porém, o sádico e convencido Vilain (Jean-Claude Van Damme em grande estilo) trata de dificultar bastante a tarefa, já que também ele procura o artigo que poderá colocar o mundo em alvoroço. Apanhados de surpresa, Barney, Christmas (Jason Statham) e companhia veem-se encurralados por Vilain e forçados a entregar-lhe o valioso troféu da missão. E quando um dos membros da equipa é cruelmente assassinado pelo vilão de cabelo puxado para trás, Barney declara guerra ao seu novo inimigo. Um inimigo ágil e perigoso, que obrigará todos os velhos camaradas de armas a entrar em ação. Sim, até mesmo Chuck Norris (que aqui dá pelo nome de Booker)…

 

“The Expendables 2” é como um buddy movie recheado de esteroides. Imagine-se a galhofa que não terá sido no set de rodagem… Nota-se claramente que os atores se estão a divertir imenso, havendo espaço para piadas à Chuck Norris e até mesmo para referências cómicas às personagens icónicas anteriormente interpretadas pelos atores de serviço (como o Rambo de Stallone, o Terminator de Schwarzenegger e o John McClane de Bruce Willis). A nível da interpretação propriamente dita, não são de esperar nomeações a prémios da indústria. Arnold Schwarzenegger deixou-se enferrujar pelos anos de retiro, Dolph Lundgren está igual a si próprio, Chuck Norris aparece muito pouco para ser analisado com exatidão e Nan Yu (a única mulher entre as montanhas de músculos) oferece-nos uma atuação no mínimo sofrível. Porém, este é um projeto tão peculiar que quase podemos desculpar tais imperfeições. Afinal de contas, Schwarzenegger, Lundgren e Norris até têm piada. E o que realmente importa neste filme é se eles conseguem manter a adrenalina bem elevada. O que conseguem. Por vezes até demasiado. Simon West é um realizador com provas dadas neste género de películas, mas devemos dizer que não estávamos à espera de uma obra tão espetacular e arrebatadora a nível da violência envolvida. Quando os créditos começam a rolar, é difícil acreditar que um único palito possa ter saído intacto do set de rodagem, tal é a onda de destruição que invade a película. O melhor que se pode dizer é que este filme dá vontade de voltar a ver as fitas de ação dos anos 80/90. Como tributo que é, está muito bem feito. O que, infelizmente, não o torna um filme extraordinário, não sendo aconselhado a almas sensíveis e a fãs confessos de comédias românticas. Basicamente, e adotando uma linguagem digna dos nossos compadres musculados, se é gajo e se gosta de explosões a torto e a direito, “The Expendables 2” é o filme para si. Se tiros, murros, pontapés e interpretações algo arranhadas não são a sua onda, então evite sequer olhar para o poster do filme. 

Classificação – 3 Estrelas em 5

3 comentários:

  1. Só a cena do Chuck Norris vale só por si ir ao cinema ver o filme lol... mas apesar disso achei um filme que apesar do argumento não ser nada complexo (já se sabia) tem boas cenas de acção (muita mesmo) e com muito humor a mistura em que muitas das piadas é sobre o passado cinematográfico de cada um dos actores o que as torna ainda mais interessantes.

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  2. Precisamente, Jorge. O filme vale essencialmente por isso.

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  3. Bem, eu achei o primeiro filme muito bom! Mesmo em termos de narrativa, não esperando nada muito apurado, admiti que estava bem construído e, quanto às cenas de acção, bem doseado. No entanto, esta segunda entrega parece-me algo exagerada, precisamente na carga de acção e de explosão e da história.
    É sem dúvida um primor ter a oportunidade de ver estes actores todos a coexistirem na tela, mas, em última análise, este "The Expendables 2" está exageradamente irrealista. Mas, em suma, concordo: cumpre o objectivo de entreter e ressuscitar o sentimento de nostalgia dos fãs dos filmes de acção dos anos 70,80 e 90.

    Rúben Serrano

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