Crítica - Total Recall (2012)

Realizado por Len Wiseman
Com Colin Farrell, Jessica Biel, Kate Beckinsale, Bryan Cranston

A primeira coisa que tem que ser dita sobre este “Total Recall”, de Len Wiseman”, é que não estamos perante um mau filme de ação mas sim perante um mau remake moderno do clássico sci-fi “Total Recall” (1990), de Paul Verhoeven. A diferença de qualidade e grandiosidade entre estes dois filmes é abismal a quase todos os níveis, salvando-se apenas as sequências de ação que são bastante fortes e habilmente coordenadas em ambas as obras, sendo precisamente por isto que este “Total Recall” não pode ser tido como um mau filme de ação, porque fornece aos apreciadores do género uma boa dose de impressionantes lutas físicas, caças ao homem e tiroteios com armas futuristas. Esta similitude de valor não se estendeu ao argumento deste remake, que infelizmente não tem nem metade da complexidade e imaginação do argumento do filme original, muito embora as suas premissas sejam praticamente idênticas e é precisamente por isso que neste “Total Recall” também seguimos a demanda por respostas e justiça de Douglas Quaid (Colin Farrel), um trabalhador comum com uma bela e carinhosa mulher, que quer trocar a sua frustrante rotina diária por uma aventura sem limites. Este seu ambicioso desejo leva-o a contratar os serviços da Total Rekal, uma empresa que utiliza uma série de complexos procedimentos tecnológicos para concretizar todos os sonhos dos seus clientes e que oferece a Quaid a possibilidade de se tornar num agente secreto que trabalha, em simultâneo, para o Governo e para a Resistência. Antes de Quaid ser ligado à máquina que lhe permitirá concretizar o seu sonho, uma série de agentes governamentais irrompem pela sala e informam-no que ele é procurado pelo governo por ser um agente da resistência. A partir deste momento, Quaid inicia uma demanda para descobrir a sua verdadeira identidade e lutar contra todos aqueles que o querem matar e oprimir o que resta da sociedade.


As tramas do remake e do clássico são fundamentalmente semelhantes, mas têm algumas diferenças significativas ao nível dos cenários e desenvolvimento dos eventos, no entanto, estas diferenças não são a causa das debilidades deste “Total Recall”, que fica muito atrás da produção original por causa da forma leviana como explora a luta interna e externa de Denis Quaid/ Carl Hauser, que tenta perceber quem é à medida que se envolve cada vez mais numa pobremente explicada guerra política entre o Chancellor Vilos Cohaagen (Bryan Cranston), o líder da United Federation of Britain, e Matthias Lair (Bill Nighy), o líder da Resistência da Colónia. Esta falta de importância e aprofundamento do seu enredo é portanto um dos grandes problemas deste filme, que vive apenas em função das suas poderosas e organizadas cenas de ação. É verdade que estas sequências entretêm e são visualmente cativantes, mas o ênfase excessivo que lhes é atribuído acaba por não beneficiar em nada esta produção que tinha potencial para render muito mais, ou não fosse este um remake de um dos filmes sci-fi mais curiosos da década de noventa. Para além de um argumento frouxo e sem suspense ou surpresas de maior, “Total Recall” conta também com um elenco instável e inconstante. Colin Farrell e Kate Beckinsale estão ambos muito bem e até fazem esquecer Arnold Schwarzenegger e Sharon Stone, que interpretaram as mesmas personagens no filme original. O mesmo já não pode ser dito de Jessica Biel e Bryan Cranston. Já se separava que Biel fosse um dos elementos mais fracos do elenco, mas por outro lado esperava-se que Cranston desse um vilão aceitável, algo que acaba por não acontecer, muito por culpa da má construção da sua personagem que tem atitudes algo ridículas e desnecessárias durante a parte final do filme. Eu considero que, apesar de tudo, este "Total Recall" não é um péssimo filme e não é claramente tão mau como se pensava. É verdade que o seu argumento está repleto de pontos fracos, mas tudo o resto tem algum valor, mas convém salientar que não deixa de ser um mau remake de "Total Recall" (1990), de Paul Verhoeven, porque é muito mais fraco que este filme original.  

Classificação – 2 Estrelas em 5

1 comentários:

  1. Concordo de certa forma com a critica.De facto tem boas sequências de acção mas o enredo poderia ser muito melhor.No entanto não fiquei desiludido.Não conhecendo o livro em cujo filme se baseia,gostaria apenas de saber qual das duas versões é a mais fiel ao conto original?É que este remake nem sequer faz referência a Marte...

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