Crítica - Paranormal Activity 4 (2012)

 
Realizado por Henry Joost e Ariel Schulman
Com Kathryn Newton, Matt Shively, Katie Featherston

Depois de um pequeno intervalo narrativo que nos levou às origens de toda a atividade paranormal provocada pelo manhoso demónio Toby, “Paranormal Activity 4” traz-nos de novo ao tempo presente para dar seguimento à trágica história de assombrações iniciada em 2007. O terceiro tomo desta saga sem fim à vista afirmou-se como uma prequela por (e de) excelência, já que interrompeu o fio narrativo das duas primeiras fitas para viajar até aos anos 80 e mostrar ao espectador como as irmãs Katie e Kristi se envolveram desde tenra idade com a terrível criatura sobrenatural. Abordada a génese do fenómeno, este quarto capítulo vem agora explicar (ou tentar explicar…) o que raio aconteceu a Katie depois desta assassinar a família a sangue-frio e desaparecer por entre as sombras com o sobrinho Hunter ao colo. Verdade seja dita, esta história já começa a meter água por todos os lados, pois os buracos narrativos são mais que muitos. A necessidade de manter o franchise com as portas abertas para mais capítulos faz com que a lógica da narrativa se comece a afundar por completo, pois cada filme brinda o espectador com novas perguntas sem resposta, para além de um monte enorme de coisas que simplesmente não fazem sentido. Em vez de atenuar o mistério e conceder respostas aos fãs da saga, cada capítulo adensa ainda mais a confusão, deixando no ar a ideia de que já nem os responsáveis pelo franchise sabem muito bem o que andam a fazer. E como consequência, a história que se pretendia contar começa a cair no ridículo e cada capítulo começa a valer apenas pelos sustos que se vão sucedendo. 

   

Cinco anos após os eventos retratados em “Paranormal Activity 2”, Henry Joost e Ariel Schulman afastam as câmaras de Katie e Kristi para passarem a acompanhar as desventuras de uma família suburbana aparentemente vulgar. Katie (Katie Featherston) está desaparecida do mapa desde os terríveis eventos que ditaram o fim de Kristi e da sua família. As autoridades procuram-na, mas ela parece simplesmente ter-se evaporado. Porém, ela resolve aparecer de novo nos radares quando se muda para uma urbanização pacata e acolhedora na companhia de Robbie (Brady Allen), um menino com traços de personalidade deveras estranhos. Num dia como tantos outros, Katie afirma estar doente e pede a Holly (Alexondra Lee) – a vizinha da frente – para tomar conta de Robbie durante algum tempo. Perplexa mas empática para com a situação da rapariga, Holly aceita tomar conta do menino, instalando-o na sua casa como se fosse seu próprio filho. E é a partir desse momento que fenómenos estranhos começam a perturbar o dia-a-dia da família de Holly. Fiéis ao seu espírito jovem, Alex (Kathryn Newton) – a filha de Holly – e Ben (Matt Shively) – o namorado de Alex – entusiasmam-se com os fenómenos e decidem gravar tudo com recurso às webcams dos seus computadores. O problema é que os acontecimentos bizarros depressa perdem a piada toda. E o entusiasmo é rapidamente substituído pelo temor e pela incredulidade.

   

Joost e Schulman haviam feito um belíssimo trabalho no terceiro tomo da saga, razão pela qual foram imediatamente contratados para voltarem a assumir as rédeas da realização neste quarto (e fastidioso) capítulo. O grande problema é que praticamente esqueceram tudo o que de bom tinham feito no capítulo anterior, optando nesta nova entrega por uma abordagem quase cómica que alivia a tensão dos eventos retratados, em vez de a elevar. É certo que as sequências em que o demónio faz das suas continuam a ser assustadoras, desde que o espectador entre na jogada. É certo também que algumas dessas sequências são inovadoras, com especial destaque para a utilização de objetos letais nas assombrações e para o aproveitamento da X-Box na construção de uma nova forma de captar os movimentos da entidade sobrenatural. Porém, a dupla de realizadores cometeu um pecado capital ao entregar o protagonismo a duas personagens adolescentes. Alex e Ben passam a vida a dizer asneiras e a mandar piadas de contexto sexual, fazendo deste “Paranormal Activity 4” uma espécie de “American Pie” com fantasmas à mistura. Não quero com isto dizer que assistimos a festas loucas na casa de Alex, ou que vemos um adolescente armado em Stifler a dizer que a mãe de Alex é uma MILF. Mas Alex e Ben colocam a audiência a rir às gargalhadas quando se exigia que esta estivesse a morrer de medo. Como já foi referido, a película também não ganha pontos com a narrativa. É impossível explicitar detalhadamente os erros do argumento sem entrar no território dos spoilers. Mas garanto-vos que esta história já começa a cheirar muito mal, com tanta bruxaria e ritual satânico a meter o bedelho onde não deveria ser chamado. Simplesmente não dá para entender a finalidade de algumas personagens, nem o propósito de alguns eventos. Ao fim de quatro filmes, nem sequer percebemos muito bem o que raio o demónio pretende de Katie e de Hunter. E isso é imperdoável. Este “Paranormal Activity 4” vale sobretudo pelos momentos assustadores. Fora isso, não tem praticamente nada que se aproveite, muito embora seja um filme de terror minimamente competente e pouco recomendado a almas sensíveis. 

 Classificação – 2,5 Estrelas em 5

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