Crítica - Silent Hill: Revelation 3D (2012)

 
Realizado por Michael J. Bassett
Com Adelaide Clemens, Kit Harington, Sean Bean, Carrie-Anne Moss

Em 2006, a adaptação cinematográfica do famoso videojogo “Silent Hill” surpreendeu-nos. O controverso filme do realizador francês Christophe Gans não era nenhuma pérola incontornável do cinema de terror, diga-se. Mas era talvez a melhor adaptação cinematográfica de um videojogo até à data, o que nos deixou com expectativas elevadas para o inevitável segundo capítulo. Estávamos, de facto, com esperança de que “Silent Hill” se afastasse de desgraças como o franchise “Resident Evil”. Mas, infelizmente, a única coisa que esta sequela veio comprovar é que não há mesmo réstia de esperança para produtos cinematográficos oriundos do mundo dos videojogos. Pelo menos não enquanto estes projetos continuarem a ser entregues a realizadores medianos como Paul W.S. Anderson ou Michael J. Bassett. “Silent Hill” espantou-nos pelo arrojo visual e pela violência (física e psicológica), fazendo jus à experiência terrorífica do videojogo. “Silent Hill: Revelation 3D”, por outro lado, somente nos escandaliza pela fragilidade de um argumento sem pés nem cabeça e pela desastrosa direção de atores. Já não via nada tão sofrível e forçado desde… bom, desde “Resident Evil: Retribution”. O que apenas vem acentuar a nada desejável aproximação entre as duas sagas, deixando os fãs hardcore do universo Silent Hill à beira de um ataque de nervos.

   

Tal como em “Resident Evil: Retribution”, o argumento deste “Silent Hill: Revelation 3D” quase que nem pode ser apelidado de argumento, assemelhando-se mais a uma manta de retalhos escrita em cima do joelho por um miúdo de catorze anos. Muito pouca coisa faz sentido e as personagens avançam pela narrativa como se estivessem ligadas a uma motherboard que as obriga a funcionar em modo de piloto automático. Até os voice-overs adicionados no processo de pós-produção são demasiado evidentes (e irritantes), deixando a nu a ideia de que o produto final estava uma autêntica desgraça e que Bassett fez das tripas coração para que o filme pudesse fazer o mínimo de sentido. Esforço inglório, diremos nós, pois nem essas artimanhas desesperadas salvaram o que não tinha salvação possível. Mas aqui vai um apanhado dos eventos que são retratados nesta miserável sequela: após escapar da realidade alternativa onde tinha ficado aprisionada, Sharon/Heather (Adelaide Clemens) viaja agora de cidade em cidade com o pai adotivo (Sean Bean), na tentativa de escapar a uma seita religiosa que deseja levá-la de volta a Silent Hill. De início, a jovem ainda consegue escapar das garras do inimigo. Mas quando o pai é raptado pelos membros da seita, ela vê-se forçada a visitar a cidade maldita na companhia de Vincent (Kit Harington), um rapaz com um passado misterioso… 


Assim como “Silent Hill” se inspirava essencialmente no primeiro videojogo da Konami, “Silent Hill: Revelation 3D” retira quase todo o seu sumo narrativo do terceiro videojogo. Alguns fãs acérrimos desse mesmo videojogo têm dito que este filme só pode ser verdadeiramente apreciado por quem tiver jogado o jogo, pois todos os outros não perceberão patavina dos eventos retratados. E têm dito isto como se fosse uma coisa positiva, quando na realidade é precisamente o oposto. Como adaptação cinematográfica que é, este filme deveria tornar-se percetível para todos os públicos e não apenas para os fãs do videojogo. Pois, caso contrário, não passa de uma cópia barata de um produto anterior. Assim sendo, sem terem consciência disso, esses fãs acérrimos acabaram por fazer a maior crítica de todas ao filme de Bassett. Ironia das ironias, deram-lhe a machadada final ao tentarem defendê-lo. Pois é precisamente aí que reside o maior problema deste filme: o facto de ser um videojogo disfarçado de longa-metragem, uma adaptação que não foi alvo de adaptação nenhuma, resumindo-se a uma data de palha incoerente atirada à força contra os olhos dos espectadores. Tudo é demasiado terrível nesta película, deixando-nos desde logo com eternas saudades de Christophe Gans. O argumento é o degredo que já se referiu, as personagens não passam de chapas plásticas sem profundidade nenhuma, os atores veem-se muitas vezes às aranhas com os respetivos papéis por causa da falta de capacidade de Bassett, e múltiplas cenas caem constantemente no absoluto ridículo. Basicamente, é um produto de série Z digno do canal SyFy. Adelaide Clemens e Sean Bean ainda se esforçam, mas rapidamente perdem o rumo no meio de tanto nevoeiro. Carrie-Anne Moss deve ter participado apenas pela piada, não deixando marca nenhuma. E é melhor nem falar de Kit Harington, senão ainda acabo a dizer palavrões. De positivo, “Silent Hill: Revelation 3D” tem muito pouco. Apenas uma ou duas cenas de gore bem elaborado e um ou outro cenário que faz jus ao videojogo. Até o vilão que tanto impacto tinha causado no filme original não passa aqui de uma marioneta algo tonta. Enfim, um filme para esquecer o quanto antes.

 Classificação – 1 Estrela em 5

12 comentários:

  1. Não li, pois não quero ter qualquer tipo de spoiler antes de ver o filme... Mas 1 em 5! Meu deus... O primeiro que tinha sido uma adaptação tão interessante do jogo e agora isto! Assim que vir hei de tecer a minha opinião, mas depois de ver esta nota ai ai!

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  2. O filme tem criado alguma controvérsia, EddyR. Alguns fãs têm dito até que é melhor do que o primeiro, mas as críticas têm sido demolidoras um pouco por todo o mundo. Eu também achei o primeiro muito interessante, mas este está mesmo muito mau. Pelo menos a mim não me convenceu.

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  3. Não, não concordo, o filme me envolveu talvez por eu ter gostado muito do 3º game da franquia, o filme tem falhas na trama sim, muita coisa que ficou um tanto quanto vaga, mas não chega a ser esse desastre que vc descreveu, não é de encher os olhos, mas foi fiél ao game no quisito história, não exatamente idêntico o que o tornaria sem graça.
    Já comparar com Resident Evil é sacanagem, já que este é nada mais do que um filme de ação com zumbis entitulado Resident Evil.
    Enfim...

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  4. Comparar Silent Hill Revelation,a Resident Evil é um absurdo.

    O filme é bom,o 1° é melhor claro,mas esse também é bom,o final achei incrivel,quando aparece Travis,e passa o ônibus de Murphy,incrivel!

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  5. Só preciso dizer o Valtiel foi reduzido a uma estátua. O filme já á podre, mas essa heresia é imperdoável.

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  6. Esse filme é ruim mesmo sem pé nem cabeça sem conteúdo...acabei de assistir e odiei que cena hilária é aquela do pyramide lutando??Conseguiram estragar o maior vilão de Silent Hill nesse filme acho que colocar ele no filme foi um grande erro....enfim não souberam mesmo adaptar a história do 3 jogo para essa filme e se enrolaram do começo ao fim desse filme.. lamentável!!

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  7. Eu raramente procuro sobre críticas na Internet, mas esse filme realmente mereceu, achei maravilhoso o primeiro filme e justamente por esse motivo esperei ansioso para vê-lo e hoje que finalmente tive tempo pude assistir. Me decepcionei muito, comparado com o primeiro este foi ridículo, não joguei o game portanto posso afirmar que o filme foi mal feito, o enredo é confuso, personagens tal como Heather e Vincent criam laços da noite pro dia sem motivo algum, a vilã termina de uma maneira nojenta e vilões como Pyramid Head e Puppet Nurses são pouco explorados e tornam-se apenas detalhes irrelevantes no filme, ao contrário do primeiro que da uma boa ênfase na brutalidade do Pyramid Head e mostra a cena das Puppet Nurses algo tenso que prende muito mais o público.

    Resumindo: Decepção.

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  8. Sou fã da série e do terceiro jogo e nem por isso defenderia essa porcaria! Assisti e me deu vontade de chorar de raiva. Muito ridículo! Efeitos cinematográficos super ultrapassados, bem seriado barato de ficção científica, sem densidade nenhuma! E Silent Hill sem densidade não é Silent Hill. Usar o Pyramid Head de pokemón foi o pior pecado que ele poderia cometer, não dar o mínimo de atenção e densidade a personagem Cláudia, tão importante na história (com aquela roupa nada a ver) e se transforma num monstro super sem criatividade parecendo ser copiado do filme Hellraiser. O cenário deixa a desejar também, poderia ser mais grotesco. Eles se perdem nas dimensões. Péssimo

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  9. Eu leio o comentário de alguns supostos fãs de Silent Hill e chego na conclusão de que esses além de não serem fãs merda nenhuma, não sabem ingles e não entenderam NADA a história do game. O Primeiro filme, é bom, mas ainda assim é muito incoerente com o game, mas, é uma excelente adaptação. Ja este chega a ser ridiculo. Para os fãzinho que não entendem nada... O próprio Piramide Head não faz o sentido NENHUM neste filme porque ele é um vilão ligado ao James Suderland, protagonista de Silent Hill 2 e o Piramid Head só existe para julgar o mesmo, como se fosse a consciencia pesada do protagonista transfigurada em criatura. Logo, não faz sentido no primeiro filme (mas passa por ser um bom filme) e neste então, chega a ser RIDICULO. Uma pena ter tanta gente que se acha fã de algo que nem conhece ou entende.

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  10. Quem fala que o filme é bom, é porque nao conhece direito a historia do jogo. O que esse filme me passa é um otimo cenario apenas, porque em si é um filme confuso, como se tivesse tentado juntar os tres primeiros jogos, levando-o ao fracasso :/

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  11. Já joguei toda franquia e é um ótimo, ótimo game, mas esse filme foi uma atrapalhada de direção, maquiagem, figurino etc... Só assusta crianças e mesmo assim porque o volume dos diálogos é posto no mínimo enquanto o só de fundo está no mais alto. Logo a gente se assusta com o volume. Isso é inconcebível para um tema de terror. Um dos filmes mais pobres que já assisti. Não vale nem mesmo o tempo de fazer o download, quanto mais pagar a sessão do cinema ou comprar a mídia. Minha opinião é que foi podre mesmo.

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  12. Alguém poderia dizer se pelo menos os efeitos em 3D do filme é bom???

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