Crítica - Wreck-It Ralph (2012)

Realizado por Rich Moore
Com John C. Reilly, Jack McBrayer, Jane Lynch

As adaptações cinematográficas de videojogos não são brilhantes exemplos de qualidade. Esta regra tem vindo a ser confirmada e cimentada pelos vários filmes baseados em videojogos que, nos últimos anos, encheram as salas de cinema e falharam redondamente junto do público e/ ou da crítica especializada. Seria por isso de esperar que “Wreck-It Ralph”, uma longa-metragem que se desenrola nos bastidores do universo fictício dos videojogos e que é protagonizado por uma clássica personagem de um famoso videojogo, fosse mais um desses casos de fracasso absoluto, mas felizmente esta suposição não se verifica. A principal razão porque “Wreck-It Ralph” resulta e entretém prende-se com o facto de não ser uma verdadeira adaptação de um videojogo, mas sim um filme de animação bastante leve e divertido com uma narrativa sem quaisquer pretensões sérias ou excessivas, que brinca de forma inteligente com os estereótipos e com a nostalgia da indústria dos videojogos, mas também aproveita da melhor maneira as suas melhores características, como a imaginação ou a diversidade de géneros, para tornar a sua trama mais apelativa para todo o público, sem no entanto esquecer as bases fundamentais de uma obra que, apesar de ter potencial para agradar a todos, é claramente direcionada ao público infantil.


A história de “Wreck-It Ralph” transporta-nos até ao mundo alternativo que se encontra por detrás dos ecrãs das máquinas de videojogos de um salão recreacional, onde habitam todas as personagens, boas e más, desses jogos. Uma dessas personagens é Ralph, o vilão do divertido e clássico videojogo “Fix-It Felix, Jr.”. Ao fim de trinta anos de atividade, Ralph começa a ficar cansado do seu papel dentro do jogo, porque a sua função de vilão faz com que todos os seus companheiros de trabalho não gostem dele nem o convidem para as suas festas. Os seus únicos amigos são os vilões dos outros videojogos, que o aconselham a cumprir a sua função sem se queixar, já que as regras do mundo eletrónico impedem uma personagem de alterar o seu papel dentro do jogo, sob pena deste ser descontinuado e todas as suas personagens ficarem sem lar. A paciência de Ralph esgota-se quando se apercebe que não foi convidado para a festa de aniversário do seu próprio jogo, algo que o leva a concluir que tem que fazer algo para mudar a opinião dos seus companheiros, assim sendo, para os tentar convencer que pode ser um bom amigo e um grande herói, decide entrar noutro jogo e conquistar uma medalha de mérito, mas as coisas não correm conforme o planeado e este vilão acaba por se ver envolvido numa grande aventura que poderá culminar com a destruição do seu mundo. É fácil de perceber por esta animada premissa que “Wreck-It Ralph” está recheado de eletrizantes sequências de aventura, mas convém salientar que não é só de animosas e reluzentes cenas de ação que vive este filme, no entanto, não posso negar que estas apelativas sequências são responsáveis pelos maiores e melhores momentos de entretimento, emoção e exultação deste filme, não só por oferecerem muita diversão mas também por estarem muito bem-feitas. Isto leva-me a falar da sua vertente visual. À semelhança da maioria dos filmes de animação da Walt Disney ou da Pixar, “Wreck-It Ralph” tem uma componente estética muito apelativa. Os seus cenários têm profundidade e são ricos em pormenores que se interligam com a nostalgia dos videojogos, as suas personagens têm um design muito apelativo e as suas sequências de ação estão bem construídas e idealizadas, algo que é evidenciado pela ausência de falhas de maior e pelo seu ritmo alucinante e viciante.


Tal como referi no início, “Wreck-It Ralph” não é uma adaptação clássica de um videojogo, mas o seu argumento é classicamente inócuo e familiar, ou seja, é compreensível e simples mas nunca entra por caminhos muito infantis ou enfadonhos. A sua trama aborda as tradicionais lições de moral sobre a crença na amizade, na mudança de rumo ou na concretização dos sonhos, mas também aposta em aspetos menos repetitivos como uma análise surpreendentemente profunda ao protagonista e à sua crise psicológica de identidade e afirmação. O humor também está presente, mas verdade seja dita que não estamos perante uma produção particularmente inovadora ou hilariante neste aspeto, no entanto, encontramos ainda assim algumas cenas bastante subtis e divertidas que mesmo assim não fogem ao espirito dos filmes da Walt Disney. A única coisa que não resulta muito bem na história de “Wreck-It Ralph” é o vilão que, no meu entender, até tem um conceito bastante interessante que se relaciona muito bem com os dilemas e crises existências do herói mas, por muito adequado que seja,  nunca é aproveitado da melhor maneira. Eu também não gostei muito de algumas personagens que acompanham o protagonista na sua demanda, nomeadamente Fix-It Felix e Jean Calhoun, que só parecem existir para validar a força do herói e para conferir ao filme uma estranha e desnecessária história de amor. Estes defeitos narrativos são apenas pequena gotas no grande oceano de qualidade que é "Wreck-It Ralph", uma animação bastante divertida e criativa que presta uma engenhosa homenagem à velha guarda dos videojogos, conseguindo ao mesmo tempo satisfazer as exigências do seu público-alvo e entreter os mais velhos, nomeadamente todos aqueles que já jogaram os videojogos que aparecem no filme, como os clássicos "Pac Man", "Street Fighter", "Sonic" ou "Mario". 

 Classificação – 3,5 Estrelas em 5

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