Crítica - A Good Day to Die Hard (2013)

Realizado por John Moore
Com Bruce Willis, Jai Courtney, Sebastian Koch, Mary Elizabeth Winstead

Há sagas que deveriam permanecer intocadas até ao fim dos tempos e a saga “Die Hard” é uma delas. Após uma trilogia relativamente bem-sucedida, 2007 acolheu a estreia de um quarto capítulo que já pouco tinha em comum com as películas originais e que, talvez por causa disso mesmo, não causou o impacto esperado no seu público-alvo. E agora, seis anos mais tarde e numa altura em que praticamente ninguém antecipava o regresso do azarado John McClane aos cinemas, eis que John Moore (controverso realizador irlandês de um conjunto de obras que nunca convenceu o público e a crítica) decide retirar o herói improvável da reforma para lhe conceder uma nova aventura repleta de adrenalina. Vou ser o mais franco possível: como filme de ação, este quinto capítulo até passa com distinção nos exames médicos, sendo bastante vistoso e possuindo um ritmo que jamais deixa o espectador passar pelas brasas; todavia, não passa da mediocridade quando é encarado como um todo, muito por causa de um argumento rebuscado, uma relação pai-filho mais que vista e demasiado forçada, e um final verdadeiramente ridículo. Não é, seguramente, o regresso de McClane aos tempos de glória e é uma pena que assim seja.

   

Desta feita, a ação abandona o território norte-americano e voa até à Rússia, mais propriamente até Moscovo. Jack McClane (Jai Courtney) – o filho do herói que despachou uns quantos terroristas no Nakatomi Plaza, salvou o aeroporto internacional de Washington D.C., limpou o sebo ao irmão de Hans Gruber e fez frente a terroristas informáticos nas horas vagas da sua vida infortunada – é um agente da CIA que está destacado em solo russo para salvar a pele de um prisioneiro político que contém informações confidenciais que podem colocar o governo da nação local em sérios embaraços. Na consumação dos seus deveres, contudo, Jack é capturado pelas autoridades moscovitas e colocado numa cela adjacente à do prisioneiro que deveria proteger. Enquanto estes acontecimentos decorrem na velha Europa, John McClane (Bruce Willis) obtém a informação de que o filho se encontra em apuros e, apesar de estar de relações cortadas com o mesmo, viaja de pronto para Moscovo com o intuito de resgatar o rebento e trazê-lo de volta a casa. Porém, as coisas depressa se complicam e John vê-se uma vez mais obrigado a lidar com criminosos internacionais em pleno período de férias. A novidade é que desta feita não está sozinho, pois tem o filho a seu lado para formar uma parelha que rapidamente coloca as ruas de Moscovo em polvorosa.

 

O principal defeito deste “A Good Day to Die Hard” reside no facto de não possuir a aura de um filme da saga “Die Hard”. John McClane está lá, debita piadas no seu estilo habitual e até manda cá para fora a famosa frase “Yippee Ki-Yay Mother Fucker!”, mas o sentimento já não é o mesmo das películas que formaram a trilogia original. De facto, a presença de McClane é o único fator que remete os nossos pensamentos para “Die Hard”. Se o protagonista se chamasse John Doe, todos pensariam que estaríamos na presença de um filme de ação sem qualquer ligação ao universo “Die Hard”, mesmo que o tal John Doe fosse interpretado por Bruce Willis. E este é o maior pecado desta obra, pois não basta ter Willis a fazer de McClane e colocar a palavra “Die Hard” no título do filme para se dar vida a uma película digna desse universo. Ironia das ironias, McClane até parece não se enquadrar inteiramente no espírito do filme, afirmando-se quase como um side-kick do filho Jack. O argumento é tão pobre que nem arranja uma desculpa aceitável e minimamente convincente para inserir McClane de modo satisfatório nesta trama de espionagem à moda da guerra fria entre os Estados Unidos da América e a União Soviética. Quiseram fazer algo de diferente e expandir os horizontes da saga, o que até é de aplaudir. Mas a concretização da ideia deixou muito a desejar, esbarrando num produto final medíocre e desfasado do universo que pretende homenagear. Muitas das culpas deste fracasso vão então para John Moore, que não conseguiu encontrar o melhor tom para a relação dura entre os dois McClane (permitindo que esta relação ficasse manchada por lugares-comuns e por um notório sentimento de inverosimilidade) e que transformou a cena final numa chungalheira digna de uma telenovela mexicana. Salvam-se as brutais, ambiciosas e bem coreografadas sequências de ação, que entretêm quanto baste e que livram a película do total descalabro. 

 Classificação – 2,5 Estrelas em 5

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