Crítica - Hitchcock (2012)

Realizado por Sacha Gervasi
Com Scarlett Johansson, Jessica Biel, Anthony Hopkins, Helen Mirren

Todos nos já vimos ou já ouvimos falar de “Psycho” (1963), um dos melhores thrillers/ filmes de terror da história do cinema. Realizado por Alfred Hitchcock, “Psycho” mudou a indústria do cinema, porque levou os estúdios e a crítica a darem mais visibilidade aos filmes de terror, mas poucas pessoas devem saber que esta fantástica obra esteve várias vezes à beira do cancelamento e até de ser exibida em exclusivo na televisão. Foi graças à notória persistência e engenho de Hitchcock que “Psycho” acabou por ser concluído e exibido no circuito comercial, mas muitos foram os acidentes de percurso que afetaram este filme e o seu realizador, desde que o cineasta britânico decidiu filma-lo até à sua estreia inicialmente limitada nas salas de cinema norte-americanas. É na evolução e eventual resolução destas contrariedades que se foca parte do desenvolvimento da narrativa desta comédia dramática, minimalisticamente intitulada “Hitchcock”. Esta presta ainda uma particular atenção à relação matrimonial entre Alfred e Alma Hitchcock, um casal sólido com um obstinado e distinto amor que, mesmo assim, passou por uma fase menos boa da sua relação durante as filmagens de um dos mais controverso e míticos filmes do Mestre do Suspense.


O início deste filme é prometedor e vai de encontro com tudo aquilo que nos é prometido na sua premissa, mas aos poucos “Hitchcock” vai perdendo ritmo e patenteando a sua atenção na relação matrimonial entre Alfred e Alma Hitchcock. A atenção que é dada ao lado romântico e íntimo da Família Hitchcock não é necessariamente uma coisa má, mas afasta um pouco a atenção do argumento dos bastidores de um dos maiores feitos do cineasta. Infelizmente, "Hitchcock" acaba por não nos mostrar quase nada do conturbado processo criativo que esteve na base do clássico "Psycho", mas pelo menos humaniza, como nenhum outro filme, uma das figuras mais emblemáticas da indústria cinematográfica. Esta obra oferece-nos então um delicioso vislumbre da vida íntima e familiar deste realizador, mas nunca excede os limites do aceitável na hora de abordar um dos vários arrufos que marcou a sua relação matrimonial com a sua maior aliada - Alma Hitchcock. O forte amor e sólido casamento entre os dois nunca é colocado em causa, mas “Hitchcock” mostra-nos que até um casal tão sólido como este teve uma má fase, que provocou em ambos um enorme stress e uma série de reações mistas que os uniram ainda mais. Os problemas pessoais deste adorável casal estão em evidência durante todo o filme, mas dividem ainda assim o protagonismo com outras questões secundárias relacionadas com a vida do cineasta, no entanto, os seus conflitos internos em relação ao futuro da sua carreira ou as rivalidades externas que nascem entre ele e outros intervenientes, não são alvo de um desenvolvimento muito cuidado ou contextualizado. Resta dizer que o valor biográfico de “Hitchcock” é questionável, mas não há grandes dúvidas sobre a veracidade da maior parte dos seus pontos mais controversos. O resto já parece resultar de pura especulação.


O forte ambiente de indiscrição e dúvida que rodeia a sua trama é de louvar, tal como os trabalhos de Anthony Hopkins e Helen Mirren, dois colossos da indústria do entretenimento que não se contiveram e deram mais uma lição na arte de atuar. Os dois dão um grande espetáculo de representação com as suas magnificas interpretações de Alfred e Alma Hitchcock. O mesmo não pode ser dito dos seus companheiros de elenco, que estão claramente vários furos abaixo do valor e nível destes veteranos, que pintam um retrato quase perfeito de um dos casais mais amorosos da sétima arte. Este par de astros valorizou o filme e facilitou imenso o trabalho de Sacha Gervasi, que ainda assim não está isento de más ideias. Gervasi podia ter rentabilizado um pouco melhor esta película e podia, acima de tudo, ter apostado mais em ideias e momentos tão bons e divertidos como aqueles que pautam o início e a conclusão do filme, onde o lado divertido e carismático de Alfred Hitchcock vem à tona. Não posso terminar este texto sem louvar Howard Berger e o seu realista trabalho de caracterização. Este artista conseguiu transformar as feições físicas de Hopkins nas de Hitchcock, sendo por isso justa a sua nomeação ao Óscar de Melhor Caracterização. Esta foi aliás a unica nomeação aos Óscares que esta comédia dramática obteve. Tal como referi no início, "Hitchcock" não cumpre muito do que promete, já que a tão aguardada visita aos polémicos bastidores de "Psycho" limita-se apenas a vinte minutos do filme. Eu estava à espera de um pouco mais, mas pelo menos esta obra de Sacha Gervasi tem um bom elenco, transmite-nos algumas informações curiosas e entretém-nos bastante, não sendo no entanto um filme tão bom como o seu estúdio nos fez acreditar. 

 Classificação - 3,5 Estrelas em 5

1 comentários:

  1. 3, 5 para um filme em q cm dizem 'acaba por não nos mostrar quase nada do conturbado processo criativo que esteve na base do clássico "Psycho"' é um bocado demais.

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