Crítica - Poltergeist (1982)

Realizado por Tobe Hooper
Com Beatrice Straight, Craig T. Nelson, JoBeth Williams

Há pequenos pormenores e engenhosos ingredientes que ajudaram a transformar "Poltergeist" num dos principais e mais populares filmes de culto de uma das épocas áureas dos filmes de terror em Hollywood, mas embora seja uma figura de vulto e culto dentro do terror paranormal, torna-se complicado classificar esta clássica produção de Tobe Hooper como um daqueles filmes especialmente medonhos que provocam pesadelos, calafrios ou inquietação junto da grande maioria dos espectadores, muito embora tenha para mim uma das sequências mais bizarras e assustadoras da história do género. O que importa referir é que apesar de não ser irrepreensível neste aspecto, especialmente porque só na sua parte final é que deixa de lado as subtilezas e arranca definitivamente para a ação sem limites, "Poltergeist" consegue ainda assim ficar na memória de quem o vê, porque aposta sempre num certo ambiente de medo e incerteza que torna empolgante e penetrante o desenrolar da complicada luta que uma típica família norte-americana tem que travar contra espíritos sinistros que invadem a sua casa e raptam o elemento mais jovem e inocente do agregado familiar. 



É portanto um projeto paranormal mais subtil que, sem sangue ou grandes demonstrações de terror ou sequências medonhas, consegue puxar pelo espectador na medida certa. Ao longo da primeira parte do filme, Tobe Hooper preferiu brindar o espectador com uma espécie de contexto narrativo que, com um certo suspense à mistura, prepara com calma e devida atenção a segunda parte de loucura paranormal desta obra. É nesta parte final que aparece a sequência que, para mim, é uma das mais bizarras e assustadoras de um filme de terror paranormal, falo claro está da infame sequência do boneco palhaço possuído por espíritos malignos que, por estar muito bem construída e por ser sinistra já de si, acaba por ser a única real cena arrepiante que o filme tem e aquela que fica na nossa memória, a par porventura do mítico "They're Here", a arrepiante frase proferida pela pequena Carol Anne quando os espíritos se manifestam pela primeira vez no filme, ainda durante a sua fase inicial. Estas duas sequências são as mais consagradas e populares deste clássico, mas há outras sequências emblemáticas que, sem serem propriamente assustadoras, são também impressionantes, como por exemplo a sequência onde Diane cai na piscina em construção e fica rodeada por caixões. O que já não é tão arrepiante como se previa ao inico é o que de certa forma inicia esta parte final, ou seja, a parte da sessão de espíritos onde Carol Anne é resgatada com a ajuda da vidente Tangina, que convém referir é um dos componentes mais emblemáticos do filme, mas apenas por causa da magnifica interpretação de Zelda Rubinstein, que confere um arrepiante semblante sinistro e bizarro a esta personagem que, se não fosse pelo magnifico trabalho de Rubinstein, estaria longe de ser uma figura capaz de perdurar na memória e história do cinema. A sessão de espíritos é, portanto, um pouco calorosa demais e, de certa forma, está mais próxima do melodramatismo que do terror paranormal ou da ação catastrófica, ou seja, acaba mais por ser uma parte que exemplifica certas mensagens morais e carinhosas, como o grande amor familiar, a coragem desmedida ou o espírito de sacrifício sem limites, não sendo por isso um daqueles momentos propriamente inquietantes com o intuito de assustar. Esta estratégia de Hooper, que pode surpreender à primeira vista, acaba por não ser assim tão descabida como parece e até tem uma lógica perfeita e competente por detrás, porque vendo o filme como um todo, esta sessão de espíritos acaba por servir para demonstrar os laços familiares e dar ao filme um justo climax emocional, arrumando logo aí toda a questão dramática e preparando também, com uma certa inteligência, a parte final do filme que é, no seu todo, mais desenfreada. É aqui onde Hooper compensa o espetador com o verdadeiro espetáculo paranormal cheio de ação e elementos clássicos que vinha prometendo, terminando assim o filme em alta, quer de um ponto de vista emocional, graças à sessão de espíritos com final feliz, quer de um ponto de vista de ação, graças a derradeira luta da família contra os espíritos e o seu grande mestre. 


A um nível técnico, "Poltergeist" também está muito bem feito. As sequências paranormais, especialmente as da parte final, estão perfeitas para a época e para o orçamento em causa, conseguindo assim cumprir as exigências de um género que, neste caso, precisava de ser muito visual para surpreender o espectador. Também aqui, Hooper orquestrou com mestria tudo o que tinha à sua disposição para criar um jogo de luzes, efeitos, sons e sentimentos que ajudam também a puxar pela história, sem exageros e sem grande violência visual ou física, mas claro com um certo toque de magia e inquietação que espanta. Ao nível do guião, "Poltergeist" é portanto um exemplo de uma construção contextualizada que sabe separar e compartimentalizar as emoções e as ações para, assim, criar um produto completo e memorável, que sem exagerar ou caprichar em nenhum dos seus ingredientes, consegue cumprir todos os seus requisitos, cumprimento esse que é auxiliado por um grupo de ingredientes e componentes extra que também ajudam a elevar este projeto, como alguns elementos especiais do seu elenco, como a jovem Heather O'Rourke ou a penetrante Zelda Rubinstein; os seus efeitos especiais, que até foram nomeados ao Óscar de Melhores Efeitos Especiais; e a arrepiante banda sonora da autoria de Jerry Goldsmith, que completou na perfeição o que se passa no grande ecrã e que, por isso, alcançou a justa nomeação ao Óscar de Melhor Banda Sonora. É este conjunto de boas ideias e detalhes curiosos que ajudaram a tornar este filme num clássico por mérito próprio que, sem surpresas, rendeu uma série de sequelas que não se aproximam do nível deste produto inicial que, ainda hoje, está rodeado de grande curiosidade, quer pelas razões de qualidade supra citadas, quer por razões mais trágicas e esquisitas que se focam, sobretudo, na trágica morte da pequena atriz que interpreta Carol Anne e que morreu inesperadamente após a conclusão da rodagem da terceira sequela. Em jeito de conclusão, vale a pena mencionar que a MGM está a preparar, já para 2015, o lançamento de um remake de "Poltergeist".

Classificação - 4 Estrelas em 5

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