Crítica - Unbroken (2014)

Realizado por Angelina Jolie
Com Jack O'Connell, Miyavi, Garrett Hedlund


Candidato aos Óscares? Até há bem pouco tempo atrás julgava que "Unbroken" poderia, pelo menos, almejar a uma nomeação ao Óscar de Melhor Filme, mas após ver este novo trabalho de Angelina Jolie como realizadora, tenho que admitir que mudei de opinião. E não sou o único que já não o considera um sério candidato à época de prémios ou à lista de melhores produções do ano, já que grande parte da crítica especializada também ficou algo desiludida com esta cinebiografia melodramática do herói de guerra e atleta olímpico Louis "Louie" Zamperini que, após competir nos Jogos Olímpicos de 1936, alistou-se no Exército Norte-Americano para combater contra os Japoneses na 2ª Guerra Mundial. Em pleno conflito, Zamperini sofreu um aparatoso acidente aéreo ao qual sobreviveu, juntamente com outros dois tripulantes do avião onde seguia, durante quarenta e sete dias em pleno Oceano Pacífico, tendo posteriormente sido resgatado e capturado pela Marinha do Império do Japão e enviado para um campo de prisioneiros de guerra, do qual saiu apenas no final da guerra, após a rendição do Japão, em 1945. 


Baseado na homónima biografia oficial de Zamperini escrita por Laura Hillenbrand, a autora de outro importante best seller literário que deu origem ao aclamado drama "Seabiscuit"(2003), "Unbroken" parece ser, à primeira vista, uma cinebiografia empolgante e com um elevado apelo dramático, não só porque retrata uma história de sobrevivência impressionante, mas também porque se enquadra num género cinematográfico muito popular e com uma espécie de aptidão genética para impressionar e surpreender o espectador. Embora seja competente e respeitador das suas origens, "Unbroken" não faz ainda assim justiça às elevadas expectativas criadas por todo o seu ímpeto promocional ou pelo enorme poder humano e inspirador da história real que está na sua base. É claro que estamos perante um drama humano de sobrevivência com potencial para impressionar e agradar ao grande público, muito por culpa da poderosíssima história verídica de Zamperini, mas o seu grande problema é que está longe de ser aquele magnânimo drama empolgante e inspirador que todos apregoavam ou esperariam ver, não porque não é competente na hora de explorar factualmente a trágica mas inspiradora história do seu protagonista, mas porque parece sempre faltar alguma atitude, emoção, dinamismo e ritmo à forma simplificada como o faz. É verdade que Jolie escapou à tentação de direcionar este produto dramático para rumos impróprios e, já agora, conseguiu também evitar que caísse, dentro do possível, nos típicos clichés do género, construindo assim um expectante retrato humano que glorifica a capacidade de sobrevivência e o impressionante carácter de Zamparini. É claro que Jolie deve muita desta proficiência aos Irmãos Coen (Guionistas) e a Laura Hillenbrand (Autora), já que foram estas três personalidades que lhe forneceram as bases para recriar esta impressionante história mas, como já deixei bem claro, apesar de ser proficiente de um ponto de vista contextual, ninguém pode negar que “Unbroken” está desprovido daquele tipo de alma impetuosa e do inesperado poder humano que os grandes filmes conferem às grandes histórias que retratam. 


A sensação com que ficamos é que "Unbroken" peca por ser demasiado impávido na hora de puxar dos galões da sua base verídica, ficando por isso um pouco aquém na hora de contar com a esperada perfeição humana e emocional tudo o que esta história envolveu, desde os pontos mais bonitos aos mais feios. Parece até que Jolie e os Irmãos Coen cumpriram apenas os serviços mínimos no que toca ao aprofundamento dramático e mental desta impressionante história, tendo apostado num retrato competente do que se passou mas que, infelizmente, parece afastar o ímpeto dramático e existencial que se esperava. Neste sentido, esperava-se que "Unbroken" aprofundasse as questões psicológicas e políticas subjacentes ao cativeiro do protagonista e a todos os eventos que o rodearam, como também se esperava um pouco mais de profundidade na hora de explorar o sofrimento humano e emocional vivido pelo protagonista nas suas horas mais negras, quer durante o seu violento cativeiro, quer durante a sua dura sobrevivência em alto mar. Fica a ideia que estes dois importantes momentos, que até sozinhos poderiam dar azo a um grande filme, não foram explorados com todo o esplendor e potencial que se esperava, faltando aquele toque de humanidade que consegue sempre puxar pelo elemento psicológico junto do espectador. É por iso que "Unbroken" passa por nós apenas como um projeto ameno, porque olhando para tudo o que poderia ser, percebemos facilmente que faltaram alguns passos predominantes a Angelina Jolie para criar um grande filme. É claro que apesar de não ser aquele drama impressionante e completamente avassalador que se esperava, "Unbroken" é um produto dramático e competentemente filmado por Jolie que, embora não seja um candidato à época de prémios, conseguirá satisfazer facilmente o grande público graças a um retrato de vida impressionante que é interpretado com muita apetência por um elenco jovem com potencial para mostrar muito mais num futuro próximo.

Classificação - 3 Estrelas em 5


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