Pérolas Indie - The Skeleton Twins (2014)

Realizado por Craig Johnson 
Com Kristen Wiig, Bill Hader, Luke Wilson
Género - Comédia/ Drama

Sinopse - Afastados há dez anos, os irmãos gémeos Maggie (Kristen Wigg) e Milo (Bill Hader) escapam da morte no mesmo dia. Ao analisarem as suas respetivas vidas fracassadas e problemáticas, percebem que o primeiro passo para a mudança positiva pode estar na reparação do até então complicado relacionamento familiar que têm tido. 

Crítica - Sem querer retirar qualquer mérito ao seu guião ou a qualquer outra componente deste belo projeto indie, "The Skeleton Twins" não teria, para mim, a força humana que acaba por ter junto do público se não fossem pelas dinamizadoras e reveladores performances de Kristen Wiig e Bill Hader, que graças à sua dinâmica e talento ajudam esta dramédia familiar a singrar no campo dramático e humorístico. No fundo, Wiig e Hader ajudam a elevar o patamar de qualidade desta obra dirigida por Craig Johnson, porque as suas performances ajudam a conferir um nível de intimidade e dramatismo impressionante aos dramas pessoais das suas respetivas personagens, conseguindo também introduzir pelo meio vários apontamentos cómicos de grande qualidade e ligeireza que combinam na perfeição com tudo o que se vai passando no ecrã. A sua abrangente química pessoal no grande ecrã também contribuiu decisivamente para o desenvolvimento explícito de uma profunda ligação dramática entre as duas personagens que interpretam, sendo essa ligação um fator importante e compreensivelmente especial na forma como os seus dramas pessoais são transmitidos ao público e acabam assim por conquistar muita empatia e simpatia, ou seja, muito do carinho que o público acaba por nutrir pelos protagonistas e pelos seus respetivos problemas é adquirido graças à forma excecional como Wiig e Hader interpretam os gémeos Maggie e Milo.
É também graças ao poder particular das suas performances que a sua ligação afetiva consegue chegar, com tanta imponência, ao espectador e é essa ligação que torna todo o desenvolvimento do filme num espaço pródigo a um dinamismo emocional muito empolgante. Para além da importância dramática que têm junto do filme e dos seus respetivos intervenientes, Wiig e Milo também conferem uma impressionante leveza humorística ao filme, algo que, de certa forma, ajuda a disfarçar a elevada carga humana e emocional que rodeia a génese depressiva desta obra. Os ligeiros apontamentos cómicos das suas personagens, que são engenhosamente exteriorizados por ambos os intérpretes, acabam por dar a "The Skeleton Twins" uma importante leveza que descomplexa o guião e dá azo a algumas sequências que permitem ao espectador desanuviar, rir e distrair-se e, assim, manter em perspetiva, sem qualquer depressão ou complexidade, os dramas que vão estando em destaque ao longo do filme, dramas esses que correm vários parâmetros mas que cobrem o mesmo espaço temático, ou seja, a depressão existêncial e os problemas românticos.
À margem das magnificas performances da dupla Wigg e Hader, "The Skeleton Twins" conquista também muito do seu impacto graças à boa construção do seu argumento que, apesar de cair por vezes em alguns lugares comuns, tem uma grande força dramática e familiar que permite focar e balizar o mais importante. Esta engenhosa construção narrativa é apoiada por uma direção cuidada por parte de Craig Johnson, que soube aprimorar toda a carga humana do filme e, acima de tudo, teve  a feliz ideia de permitir a Wiig e Hader um grande espaço de manobra que culminou, como já se sabe, num par de apelativas performances que conferem uma dimensão muito mais abrangente e poderosa aos protagonistas e ao próprio argumento. É esta a grande força deste projeto que, muito provavelmente, seria muito menos imponente ou empolgante se tivesse tido como protagonistas outros atores menos aptos para esta tarefa.

Classificação - 3,5 Estrelas em 5

Visualização de Screener Autorizada - Autor/ Membro da OFCS

1 comentários:

  1. Um dos melhores filmes independentes que vi recentemente. A cena em que ambos os irmãos, magistralmente interpretada por Hader e Wiig, sacodem as tristezas, num também magistral “lip-sync scene” ao som da música “nothing is gonna stop us now”, é maravilhosamente arrepiante, emocionante, inesquecível. Este filme é um dos meus Top5, na minha lista de favoritos.

    Lúcia Catarino


    P.S. Por favor, eliminar o cometário anterior a este por falta de texto, bem como este meu "p.s.". Obrigada.

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