Crítica – You’re Not You (2014)

 Realizado por George C. Wolfe
Com Hilary Swank, Emmy Rossum, Josh Duhamel


Obra de grande intensidade dramática, este filme, realizado por George C. Wolfe (Lackawanna Blues, 2005) prima por conciliar a luta da pianista Kate, magnificamente interpretada por Hilary Swank, por resgatar a dignidade que o diagnóstico de ELA (esclerose lateral amiotrófica) lhe quis roubar com a busca de sentido para a sua existência de Bec (Emmy Rossum, The Phantom of the Opera, 2004) até aí bastante desorientada. 
O enredo centra-se em torno da amizade que se constrói entre ambas à medida que a doença vai incapacitando Kate e ela se torna cada vez mais dependente daqueles que a rodeiam mas que nem sempre sabem lidar com a situação da forma mais nobre. O ponto forte do filme é, de facto, a tensão entre a força vital e a iminência da morte, o realce da efemeridade da vida e da forma como esta, mesmo nas piores circunstâncias, pode ser maravilhosa. Filmada a um ritmo pausado, repleto de clichés (vejam-se, por exemplo, os cenários, guarda-roupa e a própria tipificação das personagens), a obra peca por um excessivo romantismo, bem ao gosto de Hollywood, que a força implacável desta doença consegue, ainda assim, quebrar e colocar o espectador face a face com o sentido da sua própria vida.


A interpretação excepcional de Hilary Swank bem acompanhada pela de Emmy Rossum remete para a sombra todas as outras figuras. Estas personagens submersas por lugares-comuns de famílias disfuncionais, traições bacocas, fraquezas e amores mal expressos acabam por criar um emaranhado que lembra a vida quando vista do seu limite. 
Mais que um filme sobre uma doença que incapacita o corpo a cada dia sufocando a mente ainda saudável de quem dela sofre, "You’re not You" é uma ode à luta pela sobrevivência e o questionar de uma série de tabus como o da eutanásia e da responsabilidade sobre a vida dos outros e pela nossa própria. 
A ELA é uma doença extremamente revoltante ( e não o serão todas?) quer para o doente quer para a sua família e amigos que na ânsia de manter a normalidade e de expressar o seu apoio acabam muitas vezes por deixar de ver a pessoa e tratar apenas do doente. É essa, penso, a mensagem mais importante do filme, a importância do respeito pelo ser humano independentemente de tudo, sem pena, sem complacências, como devemos a um nosso semelhante.


Classificação - 3,5 Estrelas Em 5

PS: Dedico este texto ao meu amigo Carlos «Braveheart» Pereira que, na sombra do anonimato, é um verdadeiro herói dos tempos modernos pela forma como luta contra um muito revoltante diagnóstico de ELA, todos os dias, sem se deixar ir abaixo. Força, companheiro!
Dedico-o também a todos os investigadores que dedicam as suas vidas a procurar a cura para esta enfermidade, bem como a todas as pessoas que enfrentam doenças hoje consideradas ainda incuráveis.

2 comentários:

  1. Filme lindo e muito emocionante.
    Todo mundo comenta dos clichês, mas a vida não é repleta deles? Todos querem tanto, o tempo todo, um espetáculo através de roteiros originais que se esquecem, muitas vezes, de enxergar a sensibilidade que sobressalta aos olhos.
    Eu adorei o filme, apesar de tê-lo achado muito triste. E a atuação da Hilary Swank, realmente foi a melhor parte do filme, simplesmente, sensacional!

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  2. Maravilhoso, muito real, pois a vista é cheia de adversidades

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