Crítica – Citizenfour (2014)

Realizado por Laura Poitras
Com Edward Snowden, Glenn Greenwald, William Binney

O documentário de Laura Poitras traz até ao grande público os dias que antecederam a denúncia perpetrada por Edward Snowden e os momentos que se viveram num quarto de hotel em Hong Kong, bem como a sua fuga para Moscovo e as dificuldades que aí enfrentou, bem conhecidas de todos através dos meios de comunicação social.
Se há um nome que possa descrever estes momentos é tensão, a tensão que antecede o grande perigo e o medo inevitável em actos de grande coragem. Os factos são hoje públicos. Snowden, administrador de sistemas com livre acesso a informação confidencial na CIA e depois na NSA,  decide, através de um longo e misterioso processo, contactar os jornalistas Gleen Greenwald e Laura Poitras a fim de denunciar o programa de vigilância mundial que os serviços secretos americanos levam a cabo.

Mais do que a exposição a céu aberto do carácter profundamente humano e vulnerável da figura de Snowden e do risco envolvido para os próprios jornalistas, o documentário vale pela própria ignorância, em que nos encontramos até hoje, não só sobre o que se passa realmente dentro da espionagem norte-americana como também das reais motivações do engenheiro informático. Está ou não Snowden ao serviço de interesses de inimigos dos EUA? Será ele um verdadeiro herói, um traidor ou uma marionete inconsciente?
Ainda que estas questões, possivelmente, só venham a ser esclarecidas num futuro talvez longínquo, todos aqueles dias nos são transmitidos através das emoções de quem os viveu e confirmados pelos factos a que todos assistimos nos meios de comunicação social e que os principais intervenientes ainda hoje vivem. A sensação de vulnerabilidade é contagiante. Sentimos que nada é como parece ser e que pouco podemos fazer contra um regime em que a informação, a contrainformação e a desinformação mais do nos esclarecer confundem-nos e alienam-nos.
Documento histórico ou apenas mais uma acha na fogueira de todo este processo do qual somos simultaneamente vítimas e cúmplices, Citizenfour acaba ser, também ele, ambíguo e parcial, pois nem talvez o próprio Snowden possa responder a todas as questões que esta denúncia levanta.
Seja como for, o medo instala-se nos utilizadores mais conscientes da internet a cada site a que acedem, a cada informação que transmitem, a cada momento em que cruzam dados pessoais, por exemplo, do telemóvel com informações anteriormente veiculadas num serviço online. Ninguém parece estar resguardado na sua privacidade nem mesmo na sua segurança. Instala-se o Medo, o mais perigoso dos sentimentos humanos. O filme garantiu à realizadora o Óscar de Melhor Documentário em 2015.
Classificação - 5 Estrelas em 5

1 comentários:

  1. Absolutamente de acordo! Crítica perfeita. Também pensei exactamente o mesmo, inclusive no até que ponto este documentário não terá sido fabricado, apesar de eu acreditar piamente de que todos nós estamos a ser espiados e controlados por um punhado dos "Senhores do Mundo". Disso não tenho dúvidas. Resta apenas a dúvida do propósito desses “Senhores do Mundo”, o Olho Maçónico da Providência, se para o bem, se para o mal da humanidade. A minha boa-fé diz, obviamente, que é para o bem, mas o meu lado mais céptico diz-me o contrário, daí a dúvida, porque, afinal, todos nós somos dualistas, para o equilíbrio dos opostos existentes em todos nós e em todas as coisas.

    Parabéns pela excelente crítica.

    ResponderEliminar

 

Descontos Em Bilhetes de Cinema

Crítica da Semana


Membro Oficial

Membro Oficial