Crítica – The Gunman (2015)

 
Realizado por Pierre Morel
Com Sean Penn, Javier Bardem, Jasmine Trinca 
Se um actor pode fazer valer um filme inteiro, Gunman é o caso. Sean Penn, sempre arrebatador e extraordinariamente versátil a cada personagem que interpreta, é aqui um elemento de uma equipa disfarçada sob a inócua capa de voluntários de uma organização humanitária a quem cabe a missão de aniquilar um Ministro do Congo.
De que nada sabemos ao certo sobre quem manda no mundo, já todos estamos conscientes. Que a visão maniqueísta entre bons e maus que, por tradição religiosa, moral ou outra, nos impuseram não faz já qualquer sentido, estamos todos mais ou menos conscientes também. Que possivelmente nada mais somos que marionetes num jogo de política internacional orquestrado a níveis que nos ultrapassam totalmente, também já sabemos. O que Sean Penn consegue é provar, nesta obra, que os limites da criação artística são infinitos.



Penn interpreta Terrier, um duro mercenário que vê a sua vida pessoal destruída por uma missão que cumpre com eficácia. A dimensão humana da tragédia pessoal que viver no limite implica é também reforçada pelas personagens de Barden, outro mercenário destruído emocionalmente pela sua profissão, e da bela médica, interpretada por Jasmine Trinca. A bem da verdade nada há de realmente novo no filme que, ainda assim, consegue manter um ritmo de tensão alucinante do início ao fim, oscilando entre a crueldade fria de quem mata por profissão e as emoções humanas de todos os envolvidos. Mas nenhuma questão se coloca realmente ao espectador. Nada o faz reflectir particularmente sobre o argumento nem sobre as consequências das decisões das personagens, a não ser talvez, perguntar-se o que leva a alguém a entrar naquele tipo de vida.
Como referi inicialmente, só Pean pelas suas notáveis capacidades interpretativas, pela seriedade que confere ao desempenho de cada personagem que aceita interpretar, dá qualquer coisa de grandioso ao filme. Tudo o mais são clichés dejá vu  sobre a interferência dos EUA na política interna dos estados africanos, dos meandros dos lados menos claros das organizações humanitárias, da vulnerabilidade do indivíduo perante o poder corruptor do dinheiro, do homem que é o lobo do próprio homem, muitas vezes, o seu lobo interior. 
Entre cenários filmados em vários continentes, Pean constrói uma enorme complexidade interior, superior talvez mesmo às possibilidades que a personagem lhe oferecia. Lírico, épico e narrativo, todos os modos estão presentes na sua personagem. Sean Pean é, sem dúvida alguma, para mim, um nos mais notáveis actores contemporâneos mas será o suficiente para sustentar todo um filme?


Classificação - 3,5 Estrelas em 5

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