Crítica – O Sal da Terra (2014)

 Realizado por Wim Wenders, Juliano Ribeiro Salgado
Com Sebastião Salgado, Wim Wenders, Juliano Ribeiro Salgado
Dois olhares privilegiados sobre o mundo, o do fotógrafo Sebastião Salgado e do cineasta Wim Wenders, criaram um documentário arrebatador não só sobre a biografia do primeiro mas, sobretudo, sobre o modo como este encara a vida e observa o que o cerca.
O espírito insurrecto de Salgado cedo se fez sentir mas, ainda assim, enveredou por uma carreira de economista que, aliada ao seu activismo político, o levou para fora do Brasil e lhe permitiu conhecer outras realidades como o mundo africano. Quando a sua companheira de toda a vida comprou uma máquina fotográfica, Sebastião Salgado descobriu a sua vocação, abdicou de uma vida convencional e segura e iniciou uma carreira que o transformou, gradualmente, num dos mais conceituados repórteres fotográficos do planeta.



Os tons de chumbo das suas imagens dominam o filme que Wenders realizou com o filho do próprio fotógrafo. Colocado frente a frente com as imagens que produziu, Salgado vai evocando memórias dos vários projectos que levou a cabo ao longo dos seus setenta anos de vida, Trabalhadores (1996), Terra (1997), Serra Pelada (1999), Outras Américas (1999), Retratos de Crianças do Êxodo (2000), Êxodos (2000), O Fim do Pólio (2003), Um Incerto Estado de Graça (2004), O Berço da Desigualdade (2005), África (2007), Gênesis (2013). Mais do que acontecimentos factuais, que também são relembrados, o filme investe no explorar das emoções que as inúmeras viagens pelos mais remotos locais do planeta em cenários profundamente agressivos despertaram em Salgado a criação da obra que deu ao público.
A par com a estreia do filme de Wenders em Portugal, tanto no cinema como em DVD, foi inaugurada na Cordoaria Nacional, em Lisboa, a exposição do projecto Génesis que Salgado empreendeu depois de se sentir profundamente abalado com o genocídio a que assistiu no Ruanda e que o levou a procurar cenários que lhe restituíssem a fé na humanidade, a natureza no seu estado mais primitivo. Este magnífico documentário recebeu uma nomeação ao Óscar de Melhor Documentário entre inúmeros galardões pelos vários festivais por todo o mundo onde foi exibido.


Classificação - 5 Estrelas em 5

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