Crítica - The Water Diviner (2015)

Realizado por Russell Crowe 
Com Russell Crowe, Olga Kurylenko, Jai Courtney

 Juntamente com o elogiado e consagrado filme de terror "The Babadook", "The Water Diviner" conquistou o Prémio de Melhor Filme Australiano de 2014. É certo que tal distinção não é muito significativa, mas já diz algo sobre este projeto dramático que marcou a estreia do ator Russel Crowe na direção de longas metragens. É certo que "The Water Diviner" não está isento de falhas importantes e que está bem distante de ser uma produção dramática avassaladora, mas denota uma qualidade timidamente acima da média que merece um certo realce. A sua trama tem como protagonista um agricultor australiano chamado Connor, que viaja para Istambul para descobrir o destino dos seus filhos, desaparecidos em combate, durante a Batalha de Galípoli (1915-1916). Já em solo turco estabelece uma relação com uma bela mulher turca, proprietária do hotel onde fica hospedado, que o apoia num plano emocionalmente durante a sua longa demanda para descobrir a verdade sobre a sorte dos seus filhos.


Antes de mais, Crowe assume com pulso e relativa qualidade a direção deste projeto. É certo que o seu trabalho como realizador denota várias falhas, especialmente ao nível do enquadramento e do controlo de tempo, mas num plano geral pode-se dizer que Crowe assume uma realização competente que retrata sem problemas de maior um argumento que, infelizmente, peca pela presença de certas falhas que diminuem o impacto da sua trama ficcional. A base da sua história é apelativa e toca em temas que costumam fazer sucesso junto do público, afinal de contas "The Water Divener" não é muito mais do que um melodrama humano que se desenrola imediatamente após uma Grande Guerra e que aborda e retrata várias consequências dramáticas e humanas da mesma. O problema é que, apesar de começar e terminar em alta e com um certo ritmo dramático, pelo meio existe um desenvolvimento sem garra que provoca sonolência e nenhum interesse junto do público, seja por culpa das fracas ligações dramáticas e emocionais que a trama vai estabelecendo com o espectador, seja também pela forma flácida e sonolenta como é explorada a jornada dramática do protagonista para descobrir o que aconteceu aos seus filhos, sendo certo que quase no início tal mistério fica parcialmente resolvido e o desfecho final dessa parcela revela-se desde logo previsível. Embora puxe por vezes pelo interesse e atençãodo público, "The Water Diviner" acaba por não ser um filme tão poderoso como poderia ter sido, já que negligencia demasiado o aspeto histórico e social da época em que a sua trama se desenrola, preferindo apostar numa vertente mais pessoal que mesmo assim apresenta certas falhas de ligação emocional que enfraquecem toda a jornada do protagonista que, lá está, fica também algo danificada pelo facto de se conseguir perceber como é que o filme deverá acabar.
É claro que "The Water Diviner" apresenta uma certa ação e tensão em certos pontos, apostando também num leque de relações humanas que dão um toque de abrangência à intriga, mas globalmente não é aquele épico cinematográfico que se esperava, apesar lá está de apostar num enredo razoável e de estar dotado de aspetos técnicos muito acima da média, aspetos esses que resultam não só da competente realização de Crowe, mas também de outros departamentos que produzem bons resultados, como por exemplo a fotografia de Andrew Lesnie ou a banda sonora criada por David Hirschfelder. Para além de assumir com competência o cargo de realizador, Crowe também assume com qualidade o protagonismo desta obra, sendo de longe o ator do elenco que nos entrega a melhor performance. O seu nível é excecional como já se esperava, mas dentro do elenco de "The Water Diviner" há também que destacar a performance secundária de Yılmaz Erdoğan, que assume um papel bem relevante no seio da intriga deste projeto que, efetivamente, aparenta ser uma das melhores produções australianas de 2014, mas que num plano geral e global fica apenas num patamar intermédio de qualidade.

Classificação - 3 Estrelas em 5

2 comentários:

  1. Após ter visto o filme, procurei imediatamente pela sua crítica, mas ainda não estava disponível, a fim de saber se a sua opinião sobre esta estreia de Crowe, como realizador, iria de encontro à minha. Bem, até que vai, em parte, já que o filme não me tocou, nem mexeu com a minha sensibilidade. Minto, senti sim, senti pena pelo falhanço visível de Crowe com realizador. Senti pena, porque gosto dele. Mas a história dramática sobre a perda dos filhos na Guerra de Galípoli, que podia ter sido mais explorada e dramatizada, perde-se num romance insípido entre Russel e Olga, aliás, um romance previsível logo após o encontro de ambos. Portanto, direi que é um filme que se vê bem, mas que não nos deixa qualquer marca, nem boa, nem má, pelo menos para mim.

    ***

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    1. Podia ter sido muito melhor é verdade, nas mãos de outros responsáveis poderia ter sido um bom épico de Hollywood mas que acaba por ficar muito ameno ;)

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