Crítica - Tomorrowland (2015)

Realizado por Brad Bird
Com George Clooney, Hugh Laurie, Britt Robertson

A Walt Disney fez questão de envolver a pré-produção de "Tomorrowland" num clima de elevada expectativa e sigilo e, com isso, conseguiu que, numa primeira fase, o público e a imprensa especializada demonstrassem alguma curiosidade por este projeto sci-fi, mas mal os seus primeiros elementos promocionais foram sendo divulgados tornou-se bastante óbvio que "Tomorrowland" não seria aquele filme extraordinário e curioso que a Walt Disney nos fez crer que poderia ser. Embora tenha uma componente gráfica bastante expressiva que merece ser destacada, temo que esta seja a sua única qualidade gratificante, visto o seu guião ou até mesmo outras composições técnicas e humanas sejam bastante medianas e longe do nível que se esperava de um filme que custou quase duzentos milhões de dólares aos cofres da Walt Disney.


A maior falha deste projeto reside em especial num guião imponderado, lento e inexpressivo que, alegadamente, deveria ser mágico, espetacular e empolgante mas que se revela insípido e profundamente desajustado às expetativas e ao potencial. A sua primeira hora e meia de duração exemplifica na perfeição o caracter desequilibrado e incompleto desta produção, já que todos estes longos minutos arrastam-se sem qualquer sentido prático e mais não passam de um esforço inglório dos responsáveis de tentar montar uma intriga supostamente curiosa e interessante que acaba por não ser nada do que promete. O que dá ideia é que os guionistas quiseram tanto preparar e exponenciar a expectativa do grande clímax do filme que acabaram por negligenciar tudo o resto, só assim se explica porque é que, em uma hora e meia, esta produção apresenta de forma tão lenta e deficitária os três protagonistas e a sua missão que, como eventualmente se descobre na meia hora final, prende-se com a tarefa de convencer os habitantes de uma sociedade paralela que a Terra pode ser salva de um apocalipse iminente que, já agora, é provacado pela já cliché arrogância da Humanidade. Embora perca tanto tempo na suposta exposição e na montagem dos factos da sua intriga, "Tomorroland" acaba por ser um enorme vácuo narrativo porque perde demasiado tempo com pormenores insignificantes e com rodeios pessoais sem qualquer relevância que culminam numa trama amena e sem qualquer noção de força, imaginação ou emoção que, no final, origina exatamente aquilo que os responsáveis pretendiam evitar, ou seja, um desfecho profundamente insatisfatório e inócuo que termina demasiado rápido e que deixa qualquer um com um profundo sentimento de vazio, porque todo o tempo que o filme perde deficitariamente com a exposição de uma trama sem qualquer sabor ou ritmo acaba, sem surpresa, por culminar num clímax fraquinho em tudo, quer em ação, quer em drama. É por isso que "Tomorrowland" é um projeto desequilibrado, porque a construção da sua narrativa ocupa demasiado tempo do filme mas sem qualquer efeito prático já que a mesma é desenvolvida de uma forma tão escassa de ideias e sentido de oportunidade e imaginação que o clímax desta obra só poderia ser demasiado rápido e completamente insatisfatório, especialmente para os moldes de uma mega produção sci-fi. O mais grave é que nem mesmo as suas boas ideias são exploradas de  forma correta e isso é que é um verdadeiro ultraje.
A única coisa que separa "Tomorrowland" do catálogo de filmes familiares fraquinhos de domingo à tarde da Walt Disney Pictures é a sua componente gráfica que, apesar de apenas ser a estrela de uma mão cheia de sequências imponentes e por isso gratificante apenas a espaços largos, consegue elevar um pouco a dimensão deste projeto e justificar assim o seu elevado orçamento, mas a nível técnico apenas se pode destacar a sua componente visual referente aos efeitos gráficos que moldam os imponentes cenários da cidade futurista Tomorrowland, já que o som, a montagem, a edição, a caracterização, o guarda roupa e a própria fotografia de "Tomorrowland" não são nada de especial. Também o elenco liderado por George Clooney, Britt Robertson e Hugh Laurie nada acrescenta ao filme. Laurie, que ficará para sempre nas nossas memórias graças à sua interpretação do arrogante Dr. House na série "House M.D.", interpreta aqui um vilão deslavado e nada interessante, mas as maiores falhas são mesmo do experiente Clooney e da jovem Robertson que não consegue dar nenhuma dimensão extra aos heróis que interpretam, tornando aliás as suas respetivas personagens ainda mais confusas e desinteressantes, ou seja, dois adjetivos que também podem ser usados para classificar este filme que já é um dos maiores fracassos de 2015 e que, mais grave ainda, parece ter desmotivado a Walt Disney em apostar em filmes sci-fi que não estejam relacionados com as sagas "Star Wars" e "The Avengers".

Classificação - 1,5 Estrelas em 5


3 comentários:

  1. Eu gostei do filme e achei que tinha uma mensagem interessante :)

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  2. Eu não vi e agora hesite em fazê-lo, porque eu tenho lido comentários que chicoteiam Damon Lindelof , que é o escritor deste filme.

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  3. :O O filme é bastante bom.

    "Tomorrowland - Terra do Amanhã": 4*

    É um filme bastante bom, portanto recomendo que vejam este filme.

    Cumprimentos, Frederico Daniel.

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