Os 10 Momentos Mais Chocantes dos Primeiros Cinquenta Episódios de Game of Thrones (Spoiler Alert)

A quinta temporada de "Game of Thrones" terminou esta semana e com o seu final ficamos, no total, com cinquenta episódios desta consagrada e popular série televisiva que é vista por milhões de pessoas em todo o mundo. Ao longo desses cinquenta episódios, "Game of Thrones" teve de tudo, como criaturas mitológicas, sequências de sexo chocantes, guerras colossais, romances pouco apropriados e, claro está, muitas mortes inesperadas e de praticamente todas as formas e feitios. A série tem sido portanto fértil em momentos de grande tensão, surpresa e violência, mas há dez que se destacam mais que os outros e aqui ficam eles por ordem de choque claro está. 


You Raped Her, You Murder Her, You Killed Her Children - A Morte de Oberyn Martell 

Para mim não há dúvidas. A melhor sequência até ao presente dia da série "Game of Thrones" é também a sua sequência mais chocante. A trágica e grotesca morte de Oberyn Martell (Pedro Pascal) num violento combate com A Montanha (Hafþór Júlíus Björnsson) no oitavo episódio da quarta temporada foi perfeita em todos os aspetos, desde a parte emocional à parte técnica. O contexto do combate foi preparado e apresentado com uma perfeição extrema, mas o combate em si foi coordenado e trabalhado de uma forma tão tensa e com um nível tecnicamente elevado que, a sua chocante e violenta conclusão, conseguiu apenas ser a cereja no topo de um bolo perfeito. Tudo o que envolveu a luta entre Oberyn e A Montanha é perfeito e aquela conclusão tão gráfica e tão poderosa que ainda hoje me arrepia é um marco não só da série mas de toda a televisão. E a prova que esta sequência está tão bem construída reside no simples facto que nos livros tal batalha não tem sequer metade do suspense e impacto que a mesma tem na série, perdendo de caras para outros momentos mais poderosos como o Casamento Vermelho, mas na série realmente o duelo Oberyn Vs A Montanha supera em tensão e drama qualquer casamento, violação ou morte.

Mercy! - O Casamento Vermelho

Nas palavras de George R.R. Martin, o autor da saga literária, o Casamento Vermelho foi a parte dos livros que mais lhe custou a escrever e compreende-se facilmente porque. Sem que nada o fizesse prever, Robb Stark (Richard Madden) e Catelyn Stark (Michelle Fairley) foram assassinados a sangue frio pelas famílias Bolton e Frey no nono episódio da terceira temporada durante o casamento do seu jovem aliado Edmure Tully. A sequência propriamente dita do Casamento Vermelho está muito bem conseguida e apesar das mortes de Robb e da sua mulher Talisa (Oona Chaplin) serem importante, surpreendentes e grotescas acabam por não ser o ponto alto desta carnificina, já que este mérito pertence todo a Catelyn Stark que, perante a morte do seu filho e da sua própria morte iminente, grita, sofre, pede clemência e até se vinga de certa forma. Os "últimos" minutos de vida de Catelyn são muito fortes e dão ao Casamento Vermelho uma elevada dose de comoção e drama, sendo esses minutos que verdadeiramente chocam e abalam o espectador. E importa ainda dizer que a música The Rains of Castamere que começa a ser tocada por uma banda antes da carnificina dá um toque ainda mais negro, irónico e imponente a toda a sequência, funcionando também, quem sabe, como uma possível partida matrimonial para a nossa realidade. 

Father, Where Are You? - A Morte de Shireen Baratheon

O nono episódio das temporadas de "Game of Thrones" é sempre fértil em surpresas chocantes, mas na quinta temporada superou todas as barreiras da polémica quando retratou a morte violenta e sádica de Shireen Baratheon (Kerry Ingram), a filha de Stannis Baratheon, que foi queimada viva pelo seu próprio pai como tributo ao Deus da Luz na esperança que este o ajude a triunfar sobre a Família Bolton e, assim, ficar mais perto do cobiçado Trono de Ferro. Nos livros, Shirreen ainda não morreu, mas pelos vistos George R.R. Martin avisou os criadores da série que tal iria acontecer no próximo livro, por isso, para surpreender e também aproveitar para spoilar os livros, a série acabou por se antecipar e matar a jovem Baratheon da pior forma possível. É verdade que tal desfecho já se adivinhava desde a temporada passada e o que acaba por chocar não é tanto a forma grotesca como Shireen é queimada viva em enorme agonia, apesar de tal facto ser bastante cruel, mas o que realmente choca é a passividade dos pais que, perante o fanatismo religioso e o desejo incontrolável de conseguirem os seus objetivos, permitiram tal atrocidade. 

Silence -  A Morte de Ned Stark

Os que não leram os livros antes do início da série pensaram, quase de forma instintiva, que Ned Stark (Sean Bean), o Líder do Norte, seria uma das personagens principais da saga. Tudo parecia indicar essa aposta, desde a importância da personagem na história até ao próprio calibre do ator que a interpretava, mas no nono episódio da primeira temporada, para surpresa de quem não conhecia os livros, Ned Stark ficou sem cabeça a mando do Rei Joffrey. É certo que em "Game of Thrones" há sempre a possibilidade dos mortos não ficarem mortos para sempre, mas neste caso não há dúvidas que Ned Stark não vai regressar e protagonizou assim um dos primeiros momentos de grande surpresa da série.

Hurry Up, This Pie is Dry! - O Casamento Roxo

No segundo episódio da quarta temporada o Rei Joffrey (Jack Gleeson), uma das personagens mais odiadas da série por todas as atrocidades que cometeu, foi envenenado durante o seu próprio casamento. Este evento, embora não seja tão dramático ou chocante como o Casamento Vermelho, está também repleto de emoções puras e, acima de tudo, de intrigas políticas, familiares e passionais. A maior parte dos espectadores sentiu que justiça foi feita com a morte de Joffrey, mas não restam dúvidas que o seu desaparecimento, embora algo previsível, proporcionou um dos momentos mais negros da série. Por um lado existe toda a agonia que marcou os últimos segundos de vida de Joffrey e que é retratado na perfeição no ecrã, quase com tanta perfeição como os gritos de dor da sua mãe, Cersei Lannister (Lena Headey), que aparecem como um profundo retrato emocional de perda por parte de uma personagem bastante forte. O resto apenas acrescenta dimensão a todo o cenário, já que com a excepção de Cercei ninguém parece ficar devastado com a morte do Rei, sendo também certo que este importante evento serve como catalizador para um jogo de culpas familiar que dá origem a um dos seguementos mais fortes da quarta temporada, o julgamento de Tyrion Lannister (Peter Dinklage).

I Am Your Son. I Have Always Been Your Son - Tyrion Mata Shae e Tywin

No décimo episódio da quarta temporada e após um julgamento intenso que culminou num julgamento por combate, Tyrion Lannister (Peter Dinklage) foge da prisão com a ajuda do seu irmão Jaime Lannister (Nikolaj Coster-Waldau), mas em vez de partir decide vingar-se primeiro da sua prostituta Shae (Sibel Kekilli) e do seu pai Tywin (Charles Dance). Esta sequência de vingança de Tyrion aposta na violência fisica e emocional para criar um clima de drama e tensão que enche as medidas ao espectador. Esta muito bem construida e tem tudo o que se pode pedir a uma grande cena de vingança.

You're a Hateful Woman. Why Have the Gods Made me Love a Hateful Woman? - O Apogeu do Incesto Entre os Irmãos Lannister

A relação incestuosa entre os irmãos gémeos Jaime Lannister (Nikolaj Coster-Waldau) e Cersei Lannister (Lena Headey) já é conhecida desde a primeira temporada, mas passou todas as marcas da polémica quando, no terceiro episódio da quarta temporada, Jaime praticamente viola Cercei junto ao corpo sem vida do Rei Joffrey, o filho de ambos. Este momento não é gráfico mas é verdadeiramente chocante, não só pelo aspeto inerente da violação e do incesto, mas também pelo local e pelo momento em que ocorre. É por isso que tal sequência é bastante forte, porque consegue provocar todo o tipo de emoções desconfortáveis ao espectador. 

But Ramsay... Well, Ramsay Has His Own Way of Doing Things - As Crueldades de Ramsay Bolton 

A terceira temporada de "Game of Thrones" apresentou-nos a Ramsay Bolton (Iwan Rheon), um dos melhores vilões da série cujos níveis de sadismo e crueldade superam os do Rei Joffrey. A principal vítima de Ramsay foi, até agora, o ingrato Theon Greyjoy, que foi torturado e brutalmente mutilado por Ramsay durante a parte final da terceira temporada, tendo tal tortura resultado numa quebra completa da pessoa que em tempos foi Theon Greyjoy e que agora não passa de um fiel escravo sem identidade. As sequências de tortura que envolvem Theon são poderosas, mas no início da quarta temporada Ramsay volta a fazer das suas e, logo no início, parte com a sua principal amante numa caçada com o objetivo de encontrar e mutilar a sua outra jovem amante que, aparentemente, já o aborrecia. Embora essa mutilação não apareça em cena, fica tacitamente demonstrado a violência da mesma, como também fica demonstrada a violência da natureza desta personagem que, para além de caçar amantes e mutilar escravos, também tem o hábito sádico de tirar a pele aos seus inimigos e às pessoas que o traem, como ficou demonstrado ao longo da quarta e da quinta temporada. O principal ato de sadismo de Ramsay ocorreu na sua noite de núpcias, quando violou sem piedade e na presença do seu escravo pessoal a sua esposa Sansa Stark. Tal sequência é, até ao momento, uma das mais polémicas e tem sido alvo de duras críticas por parte dos próprios fãs da série.

And Now Is Watch Is Ended - A Morte Aparente de Jon Snow

No final do décimo episódio da quinta temporada, Jon Snow (Kit Harington) é vítima de um já denunciado motim por parte dos seus colegas da Patrulha da Noite que o consideram um traidor por ter salvo os Selvagens. Embora tal traição já estivesse a ser preparada à vários episódios, confesso que a sua concretização acabou por ser bastante imponente e, digamos, bastante dramática, já que Jon é uma das personagens centrais da série e tal desfecho para a temporada e, quem sabe, para esta personagem não deixa de ser bastante surpreendente. Embora a brutalidade da sequência de eventos pareça indicar a morte certa de Jon Snow, já se sabe que no mundo de "Game of Thrones" uma personagem só morre verdadeiramente quando é queimada viva ou é decapitada, por isso espera-se pela sexta temporada para saber se Jon Snow vai mesmo ficar no mundo dos vivos e, já agora, em que capacidade. O que fica da sua despedida desta temporada é sim uma das sequências mais frias e, em simultâneo, dramáticas desta temporada. 

He Was No Dragon. Fire Cannot Kill a Dragon - A Coroa Dourada de Viserys Targaryen

Antes da morte de Ned Stark, "Game of Thrones" aliciou os espectadores com a morte cruel de Viserys Targaryen (Harry Lloyd) às mãos de Khal Drogo (Jason Momoa) que, perante a arrogância e as ameaças do seu cunhado, despejou-lhe um caldeirão de ouro derretido em cima da cabeça. A morte do abusivo irmão de Daenerys Targaryen no sexto episódio da primeira temporada reduziu na altura para dois (?) os membros vivos da Família Targaryen e eliminou uma personagem que também se julgava ter alguma influência na trama da saga, afinal de contas Viserys era o herdeiro da Dinastia Targaryen. A crueldade agoniante da sua morte é complicada de engolir e isso torna a cena da sua morte num espetáculo de sadismo, mas acima de tudo, tal sequência acabou por ser um fim justo para um vilão secundário que, ao contrário da sua irmã, provou que não era um digno sucessor dos poderes da sua família. 


Extra
A Dothraki Wedding Without At Least Three Deaths is Considered a Dull Affair - O Casamento de Daenerys Targaryen

No último episódio da primeira temporada, Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) parecia que, por momentos, ia seguir os passos de Ned Stark e tornar-se numa das principais personagens da primeira temporada e da própria série a sofrer uma morte prematura, embora esse momento seja surpreendente a sequência mais chocante e memorável a envolver a herdeira da Dinastia Targaryen diz respeito ao seu casamento com Khal Drogo (Jason Momoa) que, sem dúvida, representa o hino à violência e ao excesso do mundo da Guerra dos Tronos. Antes de mais, o casamento propriamente dito foi pesado em termos de violência, tanto é que num célebre combate a meio da boda tivemos um primeiro vislumbre de esventramento humano e isto logo no primeiro episódio da primeira temporada. O mais chocante viria no final do episódio com a violenta noite de núpcias entre Daenerys e Drogo. Este último, após alguns gestos bonitos e de ter levado a sua noiva para uma paisagem muito romântica, recuperou a sua essência bárbara e consumou à força o casamento, isto apesar da sua mulher estar apavorada e de ter sido obrigada por ele a colocar-se de joelhos junto a rochas onde o mar embatia violentamente, como que se de um prenuncio se tratasse.

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