Crítica - Burnt (2015)

Realizado por John Wells 
Com Bradley Cooper, Sienna Miller, Omar Sy 

Quem conhece o premiado e consagrado chef Gordon Ramsay, que é mais conhecido pelo batalhão de programas culinários e reality shows polémicos que apresenta do que propriamente pelas suas fantásticas capacidades culinárias, poderá encontrar algumas parecenças entre a sua personalidade explosiva e a da curiosa personagem principal de "Burnt", o chef Adam Jones. Interpretado com o mais correto nível de primor e arrogância por Bradley Cooper, Adam Jones é a principal (e verdade seja dita única) estrela desta produção, não só porque é a sua personagem principal, mas sobretudo porque a sua concepção tão magnética torna-o no seu único ponto positivo. 
A par da maravilhosa performance de Cooper, que ajuda e muito a dinamizar esta sua carismática personagem, Adam Jones também beneficia de uma competente construção narrativa que ajuda a elevar toda esta produção e a torná-la num produto com piada. Não quero com isto dizer que "Burnt" seja um filme perfeito, porque está bem longe disso, mas pelo menos escapa ao simples e típico medianismo a que estava destinado, caso Adam Jones não fosse uma personagem tão extravagante e magnética.


Todo o filme gira em seu redor e apenas pode contar com ele para entreter o espectador, isto porque "Burnt" não assenta num argumento extraordinário ou de elevada dimensão que acompanhe o nível de sagacidade emocional do seu protagonista. O que acompanhamos portanto em "Burnt" é uma simples jornada culinária e existencial que, separada do seu protagonista, apresenta poucos elementos de clara qualidade que se aproveitem ou que tenham por si só a piada necessária para singrarem. É a presença de um protagonista tão portentoso como Adam Jones que confere vida e interesse a um enredo tipificado, mas que por força da presença de Jones acaba por ser pautado por momentos divertidos e emocionalmente salientes que nos mostram vislumbres interessantes da sua explosiva e arrogante personalidade. 
Podemos até sentir pouca simpatia por Adam Jones e pelas suas ações, mas verdade seja dita que é por causa dele que o filme tem sentimentos e humanidade, já que ele representa o único traço de diferença e valor deste produto. Esta sua qualidade e especificidade é que tornam "Burnt" numa história que ultrapassa o retrato de uma simples jornada existencial e de redenção. Os avanços e recuos que acompanham a evolução da sua complexa personalidade apimentam uma trama simples, mas que vai conquistando interesse e ritmo à medida que caminha para a sua conclusão. Isto é importante, porque se "Burnt" tivesse como personagem principal um Adam Jones não tão controverso ou dinâmico acabaria por se tornar aborrecido e nada divertido. A presença de uma personagem tão apelativa acaba portanto por dinamizar e elevar todo o retrato humano e emocional que está no epicentro do filme. É por isto mesmo que "Burnt" deve quase todo o seu sucesso e diversão à animosidade do seu protagonista.
A par de um protagonista forte que carrega às sua costas todo um projeto banal que sem ele seria demasiado inexpressivo a todos os níveis, "Burnt" pouco mais tem de positivo para ser apreciado. A espaços somos presenteados como sequências culinárias coloridas e cativantes que deixam qualquer espectador com água na boca, mas tais sequências não passam de pormenores expectáveis num filme com uma temática gastronómica. Ao nível do enredo não encontramos mais nenhum elemento de sucesso, aliás só encontramos insucessos. Os companheiros/ amigos de Adam Jones obedecem todos a uma construção banal e irritante que é oposta à do seu líder. Por esta falha pode-se perceber facilmente que "Burnt" teria sido um colapso negativo, caso o seu protagonista tivesse seguido os mesmos passos de qualquer uma das outras personagens irritantemente cansativas. No fundo, Adam Jones e Bradley Cooper são os Reis de "Burnt". São eles que conferem toda a magia e piada a esta produção que, sem eles, cairia rapidamente no esquecimento e estaria desde logo condenada ao fracasso.

Classificação - 3 Estrelas em 5

3 comentários:

  1. Uma vez, há muitos anos, um Ministro da Educação de Luanda, Angola, terra onde nasci, farto dos almoços e jantares diplomáticos, disse: “nada como uma tasca para comer boa comida caseira.” Lembrei-me disto nas cenas em que o pessoal, depois de um dia árduo na cozinha a confeccionar pratos gourmet para uma sociedade de elite snobe, num afã estupidamente competitivo, deliciava-se, despojado das “table manners”, com a comida simples e caseira. O filme não tem, de facto, nada a acrescentar aos muitos filmes (vi pelo menos 4 ou 5, ou mais!) que fizeram em 2014 sobre o mesmo tema, a cozinha. E é verdade, Bradely Cooper é o único e o verdadeiro “chef” ao longo de todo o filme, o que é pena, porque gosto muito do Omar Sy.

    Beijinhos ***

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