Interstellar Vs The Martian Vs Gravity - E o Prémio de Blockbuster Sério Com a Ciência Mais Rebuscada Vai Para.....

 
Já sei o que vão dizer, "Gravity" (2013 - CRÍTICA), "Interstellar" (2014 - CRÍTICA) ou "The Martian" (2015 - CRÍTICA) são à sua maneira três ótimos filmes que foram mundialmente aclamados pela esmagadora maioria do público e que merecem muitos elogios por aquilo que são e oferecem ao espectador. É verdade que a existir algum Campeão de Erros Científicos teria que ser qualquer outro blockbuster de qualidade duvidosa (ou não) com contextos científicos enganadores e uma enxurrada de lapsos crassos de simples lógica que envergonham qualquer um e só existem graças à arte do entretenimento, como por exemplo qualquer filme da saga "Transformers", "Alien", "The Avengers", "X-Men", "Matrix" ou "Terminator", isto só para citar alguns dos filmes mais populares de diversas épocas que ganhariam ao ilustre trio supra citado nesta competição inventada, já que contêm muitos mais erros graves de lógica, apesar lá está de alguns deles serem grandes obras primas que rivalizam com as referidas obras de Cuarón, Nolan e Scott.
Então porque é que tal atenção negativa é depositada nestas três mega produções? Estamos a falar de três produtos cinematográficos que marcaram os seus respetivos anos de lançamento e deixaram a sua marca peculiar junto do grande público, sim porque atendendo aos recentes indicadores "The Martian" será sem dúvida um dos filmes do presente ano, sendo certo que ainda é cedo para saber se atingirá os mesmos patamares de sucesso de "Gravity" ou "Interstellar" na época de prémios que se avizinha, mas o que já é certo é que será um filme popular. Estes três projetos têm portanto em comum o simples facto de serem mega produções que assentaram os seus respetivos argumentos em teorias, explicações e fórmulas científicas que deverão escapar ao simples mortal mas que conseguem captar o imaginário do público com a espetacularidade da sua possibilidade, no entanto, como já se sabe, muitas dessas demonstrações científicas nem sempre são as mais corretas e foram de certa forma embelezadas para se enquadrarem no espírito de entretenimento dos filmes. Os três são responsáveis por cometerem este mesmo erro e como são os exemplos recentes mais mediáticos, sérios e brilhantes de tal lapso é justo que tal título seja atribuído a um deles, afinal de contas nestes três últimos anos apenas estas três mega produções mereceram uma atenção séria pelas suas tentativas de explorar com seriedade os mistérios da física.

   
Entre este ilustre trio, "Interstellar" é sem qualquer dúvida aquele que mais teorias científicas esconde no epicentro do seu argumento. Estamos a falar de um projeto que representa toda a sua intriga por intermédio de puras teorias impossíveis de provar nos dias de hoje e que joga muito com a teoria das probabilidades e possibilidades para demonstrar, explicar e desenvolver uma trama que, entre outras coisas, mexe com complexas questões de física teórica e astrofísica relativas em grande parte à teoria da relatividade. É impossível afirmar que "Interstellar" é um filme cientificamente correcto porque parte de teorias sem possibilidade de prova e com enorme divisão doutrinal na sua aplicação, sendo por isso um filme que aproveita uma base de opiniões para criar um enredo que pode ou não partir de noções erradas. 
A principal crítica que se aponta a "Interstellar" não é a validade das suas bases científicas, porque as mesmas não se podem comprovar e não passam de opiniões sem possibilidade de prova, mas sim a forma pedante como as inclui num contexto nem sempre bem explicado ou simplificado para o grande público. A realidade, doa a quem doer, é que "Interstellar" é efetivamente um filme competente que aborda teoria interessantes, mas o tratamento que promove das mesmas nem sempre é o mais correcto ou ideal, ainda para mais quando tais explicações, que muitas vezes passam para o público como verdades absolutas quase incontestáveis, juntam-se a certas falhas de contextos e criatividade que deixam qualquer um estupefacto pela sua inclusão, como por exemplo o seu final anticlimático ou início oco. No entanto, "Interstellar" não pode ser acusado de apresentar uma ciência falível ou rebuscada, pela simples razão de tal ciência não passar do resultado de meras teorias que podem ou não corresponder a realidade que, recorde-se, só poderá ser efetivamente comprovada após séculos de investigação concreta.

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Eliminado "Interstellar" pelas razões já apontadas, sobram na luta por este título "Gravity" e "The Martian", dois projectos mais focados para o entretenimento em massa e que por isso não entram pelos caminhos complexos da obra de Nolan, preferindo portanto assentar as suas premissas e sequências espetaculares em hipóteses cientificas/matemáticas muitas delas já comprovadas ou então pouco contestadas. Entre os dois, "Gravity" é aquele que ganha o título em questão, não só porque a esmagadora das suas sequências espaciais resultam, ora da aplicação incorrecta das leis da física, ora de improbabilidades e impossibilidades técnicas, mas também porque no conjunto do seu contexto narrativo encontramos muitos erros imperdoáveis de senso comum que não combinam com a seriedade aparente do filme e que só foram incluídos para aumentar o nível de entretenimento do produto, como por exemplo a capacidade física e técnica que uma astronauta sem grande experiência demonstra para conseguir sobreviver a uma situação de sobrevivência impossível. É claro que "The Martian" assenta na mesma premissa ainda mais rebuscada pela dureza da situação em causa, mas pelo menos tenta justifica e explicar com alguma dose de lógica pelo meio os passos de tal jornada de sobrevivência. 
Estas duas produções têm portanto muitos erros científicos no epicentro do seu argumento, mas "Gravity" falha redondamente na parte científica em praticamente todos os seus momentos importantes, já que para criar sequências espetaculares sacrifica princípios da física e da matemática, como acontece na memorável sequência inicial ou nas sequências seguintes que mostram a protagonista a saltar de objeto espacial em objeto espacial até alcançar a improvável sobrevivência. Já "The Martian" apresenta apenas uma sequência com os mesmos lapsos e com os mesmos objetivos comerciais de alimentar o entretenimento do público, no entanto, tal sequência não interfere diretamente com a essência deste projeto que, pese embora explore com uma questionável facilidade uma complicada sobrevivência num planeta tão árido como Marte e consequente missão de resgate bastante improvável por parte da NASA, consegue ainda assim assentar tal narração em explicações e possibilidades com sentido que, ainda neste século, deverão ser postas em prática pela NASA com as já planeadas missões espaciais a Marte.

Vencedor - Gravity

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