Crítica - Os Gatos Não Têm Vertigens (2014)

Realizado por António Pedro Vasconcelos
Com Fernanda Serrano, Ivo Alexandre, Maria do Céu Guerra

Vencedor do prémio Sophia de Melhor Filme de 2014, o equivalente ao Óscar de Melhor Filme Português, "Os Gatos Não Têm Vertigens" conquistou os corações de muitos portugueses que o foram ver ao cinema ou que, entretanto, viram-no na televisão. A sua delicada história, que se foca essencialmente na inesperada relação de amizade que nasce e se desenvolve entre uma idosa viuva e um adolescente rebelde, evoca questões sociais, humanas e etárias muito interessantes que puxam por um certo sentimento de compaixão e compreensão social. Não se nega portanto este seu positivo apelo mais sentimentalista que, embora provoque reações positivas, apresenta-se como diminuto e insuficiente perante a banalidade coletiva do filme. 
À semelhança de outros sucessos populares do cinema português, "Os Gatos Não Têm Vertigens" tenta apelar ao coração do espectador por intermédio de uma história simples pautada por uma doce moralidade que, no fim, promove uma mensagem básica mas interessante. Não há nada de muito errado nesta fórmula, mas sim na forma como António Pedro Vasconcelos a usa. É desta forma que a história simples que apela aos corações apenas pode ser descrita como simples, tal é a falta de capacidade criativa que o seu desenvolvimento denota. As mensagens estão lá, quer de forma objetiva, quer de forma subjetiva, tal como o espírito dramático e familiar que deriva da história de cooperação e compaixão entre a idosa Rosa e o adolescente Jo. O que não existe nesta produção é novidade.
O experiente António Pedro Vasconcelos recorreu demasiadas vezes aos clichés e as fracas banalidades para abordar e encher este simples conto de amizade que potencial para render um filme muito mais criativo, competente e atrativo. O resultado é um filme como tantos outros. Não existe, assim, nada de muito criativo ou interessante no seio deste projeto demasiado simplificado que joga, em demasia, com simples lugares comuns e ideias já muito batidas para transmitir aquele que é a sua única salvaguarda de relevo. Esta encontrasse apenas no seu espírito positivo de compaixão que, até mesmo pela sua premissa, consegue cativar o espectador e aquecer um pouco o seu coração.
Não se pode, por isto tudo, olhar para "Os Gatos Não Têm Vertigens" como um Melhor Filme do ano. A sua banalidade impede-o de singrar e de ser levado a sério. No entanto, dentro do género daquele típico filme de domingo à tarde, "Os Gatos Não Têm Vertigens" pode resultar, quanto mais não seja pelas mensagens básicas que oferece, mas também pela ótima performance da veterana Maria do Céu Guerra que merece, sem dúvida, um louvor especial. 

Classificação - 2 Estrelas em 5

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