Crítica - Demolition (2015)

Realizado por Jean-Marc Vallée 
Com Jake Gyllenhaal, Naomi Watts, Chris Cooper

Após várias produções cinematográficas de elevado calibre, Jean-Marc Vallée esbarrou finalmente na mediocridade com "Demolition". Próximo ao poderoso mas inexplicavelmente menosprezado "Wild" (2014), também realizado por Vallée, "Demolition" pretendia ser um drama poderoso e profundo sobre os recantos da personalidade, mais precisamente sobre a expressividade do sentimento de perda e do próprio desenvolvimento da personalidade. 
A compenetrante teia psicológica que se esperava encontrar neste projeto acaba, no entanto, por nunca se materializar numa intriga de relevo. O que efetivamente acaba por nos ser apresentado é uma trama confusa que prima por um sentimento de tédio e que aparece munida de falsas moralidades e demasiadas banalidades. No final, "Demolition" deixa portanto uma marca pouco positiva e exageradamente confusa junto do espectador. Pode-se até dizer que não passa de um drama pródigo em falsas expectativas, já que transforma uma ideia de aparente profundidade num pandemónio estrutural e emocional.

   

A maior salvação de "Demolition" reside em Jake Gyllenhaal. A sua qualidade como ator sobressai perante as dificuldades de um argumento deficitário, acabando assim por conquistar os poucos pontos positivos que há para atribuir. Gyllenhaal interpreta Davis Mitchell, um bem sucedido investidor bancário que enfrenta uma luta interna após perder a mulher num trágico acidente de carro e que, após encontrar um par de amigos improváveis, tenta reconstruir o mundo à sua volta. 
É precisamente na personagem de Davis que residem muitos dos problemas deste drama desarranjado. A performance de Gyllenhaal até é interessante, mas a personagem em si exterioriza tudo o que correu mal nesta obra. Trata-se de uma personagem mal pensada e ainda pior desenvolvida que esbarra num argumento que nunca alimenta, apoia ou clarifica devidamente a sua jornada. O resultado é o já exposto e não poderíamos estar perante outro cenário. A união entre a desordem e o tédio propiciou assim um drama mediano com rasgos de potencialidade mas orfão de uma execução competente.

Classificação - 2 Estrelas em 5

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