Crítica - Queen of Spades - The Dark Rite (2015)

Realizado por Svyatoslav Podgayevskiy
Com Alina Babak, Valeriya Dmitrieva, Igor Khripunov

As bases inspiracionais de Hollywood estão bem presentes no cinema comercial russo há já vários anos. São vários os exemplos de mega produções russas que foram buscar grande parte da sua inspiração comercial e técnica ao cinema pipoca norte-americano. Mas a maior parte destas obras fazem parte dos géneros mais fieis aos blockbusters, como os filmes de ação ou as comédias. No entanto, também os mega projetos de terror de Hollywood começam a servir de base inspiracional para os filmes de terror da Rússia. Um dos exemplos mais recentes deste caso particular é o filme "Queen of Spades - The Dark Rite", que recentemente foi exibido na 36ª Edição do FantasPorto, onde conquistou um Prémio Especial. 
Esta obra de terror tendencialmente juvenil evoca na memória de qualquer espectador os já típicos filmes juvenis de terror sobrenaturais de Hollywood, onde um grupo de jovens desperta, acidentalmente, um espírito maligno ou uma antiga maldição que eventualmente se viram contra eles. A base destes filmes está bem presente nesta obra russa, quer pela vertente juvenil associada a este tipo de terror, quer pela sua fórmula e pelo próprio desenvolvimento básico desta jornada sobrenatural.
A história deste projeto tem portanto inicio quando quatro jovens, numa aparente brincadeira, despertam a atenção de um espírito maligno, cujo ritual de invocação aproxima-se, curiosamente ou não, ao da popular lenda sobrenatural norte-americana Bloody Mary ou Mary Sangrenta. A partir do momento em que estes jovens despertam a entidade maléfica apelidada de Rainha de Espadas começa então o seu tormento pessoal. Este tem múltiplas consequências medonhas, como mortes, fugas e sustos que, eventualmente, envolvem também os pais da principal jovem afetada por este espírito, bem como um especialista que tem contas a ajustar com o fantasma. 


Já se consegue adivinhar por este breve resumo o rumo e a fórmula narrativa que este projeto segue, já que todos nós já vimos esta espécie de trama ser representada de várias formas e feitios em diversas obras ao longo dos anos, especialmente nos Estados Unidos. Não há portanto grandes pontos de surpresa, especialidade ou extravagância no seio da história primária e previsível de "Queen of Spades - The Dark Rite". Embora a sua trama seja básica e com um final expectável, consegue-se ainda assim apontar-lhe algumas valências positivas, mas nenhuma delas é a capacidade para realmente envolver o espectador numa trama repleta de medo e incerteza. 
Nos pontos positivos destaca-se, principalmente, a forma profissional como a sua história é exposta. É certo que esta é pautada, como já se disse, por muitos estereótipos e por uma forte dose de previsibilidade, mas ainda assim há que realçar a forma tecnicamente atrativa como é retratada. Isto promove um ligeiro entretenimento junto do espectador, bem como um estilo adequadamente profissional que pode até não ser o mais assustador e eficaz, mas que pelo menos confere-lhe um certo ponto de curiosidade que alimenta o interesse do espectador. Para este ponto muito contribuiu a apelativa capacidade dos seus aspectos técnicos. 
Svyatoslav Podgayevskiy conseguiu filmar este seu projeto com um enorme profissionalismo e no seio de um ambiente ligado ao terror comercial que, por arrasto, ajuda a conferir a esta obra uma aparente grandiosidade que, infelizmente, pouco se reflete num argumento mediano já referenciado. O que é certo é que apesar de todas as suas falhas, "Queen of Spades - The Dark Rite" tem o seu relativo interesse, nem que seja por se tratar de uma curiosa tentativa da Rússia em imitar os já conhecidos projetos juvenis sobrenaturais de Hollywood. 

Classificação - 2,5 Estrelas em 5

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