Pérolas Indie - Lo Chiamavano Jeeg Robot (2015)

Realizado por Gabriele Mainetti
Com Claudio Santamaria, Luca Marinelli, Stefano Ambrogi 
Género - Ação 

Sinopse - Enzo entra em contacto com uma substância radioativa que lhe dá uma força sobre-humana. Fechado, introvertido e solitário, Enzo usa os seus novos superpoderes para a sua carreira de delinquente. Tudo muda quando encontra Alessia, uma rapariga instável que está convencida que Enzo é o famoso herói dos desenhos animados japoneses, Jeeg Robot. Enzo aprende o valor de ajudar os outros. Mas que preço terá de pagar para se transformar num herói? 

Crítica - Vencedor de sete Prémios David di Donatello, os Óscares de Itália, "Lo Chiamavano Jeeg Robot" ou "They Call Me Jeeg Robot" confirmou o seu estatuto de maior surpresa do Cinema Italiano em 2015. Esta obra, que por Portugal passou pela Festa do Cinema Italiano, onde conquistou os prémios da competição e do público, pode ser descrita como um filme de super heróis fiel ao estilo europeu. Sem apostar nas grandes explosões, nos mega cenários, nos complexos efeitos especiais ou nas intrigas mirambolantes que pautam as mega produções do género em Hollywood, "Lo Chiamavano Jeeg Robot" conquista o público com a sua simplicidade. 
A história que nos apresenta é lógica, eficaz e simples. São três adjetivos que quase nunca se juntam num argumento de um filme de super heróis, mas o que é certo é que não existem melhores palavras para a descrever. É óbvio que na base de "Lo Chiamavano Jeeg Robot" encontramos uma clara inspiração nas famosas bandas desenhadas da Marvel ou da DC Comics, aliás existem vários pormenores que nos remetem para este estilo, como é o caso do "acidente radioativo" que dá os mega poderes ao protagonista. A esta inspiração junta-se também uma evidente e até tocante homenagem ao anime mecha "Kotetsu Jeeg", um fenómeno de popularidade nos Anos 80 e 90 em Itália, mas que passou ao lado do resto da Europa. Mas estas inspirações não passam de sublimes pormenores que apenas ajudam a enriquecer uma história já de si muito competente sob os pontos de vista criativo, competitivo e interativo. 


A jornada de Enzo faz sentido e entretém. Não existem muitos exageros, erros ou problemas com a sua jornada pessoal ou com a sua progressiva transformação de ladrão para herói. Esta é credível e nivelada. Tal como também não existem grandes problemas com o desenvolvimento da já típica luta do Bem Vs Mal. Esta é explorada sob um ponto de vista tradicional, mas apresenta ainda assim, pelo meio, vários pormenores deliciosos que dinamizam e abrilhantam a jornada de Enzo. Tais pormenores primam pelo risco e pela subtilidade, mas o que é certo é que sobressaem como uma aposta positiva, já que elevam o nível do filme e afastam-no dos clichés de Hollywood. E tais detalhes envolvem, por exemplo, vários momentos cómicos, apontamentos sociais e situações bizarras que, para além de influenciaram o entretenimento do espectador, ajudam também a traçar o perfil do herói, do vilão e da realidade italiana. A nível dos pormenores porque não falar também da sua trama semi-romântica muito bem montada que, por ser tão extravagante, consegue diminuir o peso dos clichés românticos presentes neste tipo de filmes. Esta serve também como espelho moral e dramático desta produção, representando assim um papel fulcral no seu equilíbrio emocional e humano. Todos estes componentes em conjunto promovem uma história de ação bem montada e divertida, onde o humor, o drama e o romance têm também uma presença importante.
O profissionalismo com que "Lo Chiamavano Jeeg Robot" foi filmado também ajudou e muito a elevar a qualidade desta obra. Ao apelar à lógica e ao equilíbrio em detrimento dos exageros, Gabriele Mainetti conseguiu incutir a este produto um ambiente muito digno que prima pela diferença. A simplicidade desta obra acaba mesmo por ser uma das suas maiores vantagens, já que no seio de um género tão espalhafatoso, "Lo Chiamavano Jeeg Robot" prova que a imaginação é preferível ao exagero, especialmente quando é tão bem aplicada como aqui. O que dizer também do seu elenco? Só consigo tecer elogios às performances de Claudio Santamaria e Luca Marinelli, o Alpha e o Omega desta obra. Estes dois astros italianos interpretam, respetivamente, o Herói e o Vilão de "Lo Chiamavano Jeeg Robot". Santamaria está perfeito no papel de Enzo, um ladrão transformado em herói que se torna também na corporização do Jeeg Robot, um famoso herói dos desenhos animados. A perfeição também se ajusta à prestação de Marinelli, cuja interpretação de um mafioso arrogante e psicótico é tão sublime como a própria construção da sua personagem. Aliás, Marinelli e o seu Lo Zingaro conseguem inclusivamente conquistar uma maior vitalidade que o próprio Enzo, muito por culpa da extravagância que pauta esta personagem e a performance do seu intérprete. Também Ilenia Pastorelli tem uma performance positiva na pele da tresloucada Alessia, a jovem que consegue transformar Enzo num herói. 
Para finalizar importa reforçar novamente que "Lo Chiamavano Jeeg Robot" não é um filme típico, mas também não é um exemplo de raridade. É uma produção de super heróis equilibrada e competente que promove uma boa dose de entretenimento sem recorrer a atalhos ou leviandades. É um filme prima pela diferença e que mesmo sem muitos artifícios conquista facilmente o espectador graças a um conjunto de peças preciosas que, em conjunto, promovem um bom espetáculo. 

Classificação - 4 Estrelas em 5

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