Crítica - Alice Through the Looking Glass (2016)

Realizado por James Bobin 
Com Anne Hathaway, Johnny Depp, Timothy Spall 

Realizado pelo excêntrico e bizarro Tim Burton, "Alice in Wonderland" (2010) foi uma das primeiras apostas da Walt Disney no que toca à criação de produções live action baseadas em famosas obras literárias de fantasia que, no passado, foram transportas pelo mesmo estúdio para o grande ecrã em consagrados filmes de animação que hoje são tidos como clássicos. O resultado desta aposta foi muito positivo a nível comercial, já que rendeu ao estúdio mais de mil milhões de dólares em receitas de bilheteira em todo o mundo. Este sucesso financeiro não se traduziu, no entanto, num sucesso universal. Embora tenha conquistado o seu público alvo, ou seja, os espectadores mais novos, "Alice in Wonderland" acabou por desiludir quem esperava uma obra mais fiel ao imaginário criado por Lewis Carroll. É certo que tal imaginário foi representado na perfeição por uma brilhante componente estética orquestrada por Tim Burton, cuja exuberância pessoal muito contribuiu para a criação de um belo espetáculo visual que recria, quase na perfeição, o mundo mágico do País das Maravilhas. Este ponto muito positivo não foi, no entanto, suficiente para redimir um enredo que efetivamente não primou pela qualidade ou pelo respeito ao clássico literário que está na sua base.
À semelhança do seu colorido e fantasioso antecessor, "Alice Through the Looking Glass" também transporta o espectador para um mundo visualmente estonteante e cheio de vivacidade que faz jus ao espírito mágico e extravagante dos livros criados por Lewis Carroll. O grande problema é que também tal como "Alice in Wonderland" desaponta e fere as expectativas por via de um argumento corriqueiro que não presta a devida homenagem às ideias e fundamentos da escrita mágica de Carrol. É mesmo pena que nesta sequela não se tenha corrigido o enorme problema que deteriorou a imagem do primeiro filme, mas pelo menos os elementos positivos que ajudaram a celebrizar o seu antecessor mantiveram-se praticamente intactos, apesar de Burton ter sido substituído por um igualmente hábil James Bobin na direção do seu leme criativo e técnico.


Baseado na homónima sequela literária de "Alice in Wonderland", "Alice Through the Looking Glass" volta a acompanhar una viagem de Alice Kingsleigh (Mia Wasikowska) até ao País das Maravilhas. Já mais adulta, Alice regressa ao Reino das Maravilhas para tentar ajudar o seu amigo, o Chapeleiro Louco (Johnny Depp), a encontrar a sua família que o próprio Chapeleiro Louco julgava morta. Para o ajudar e evitar a sua morte quase certa, Alice terá que partir numa nova aventura perigosa, onde terá que enfrentar o Tempo, mas também a malvada Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter). Esta nova aventura de Alice reúne uma quantidade atrativa de ação, fantasia e aventura, bem como as já esperadas noções dramáticas e familiares que se destacam como a imagem de marca dos filmes familiares. Estas noções aparecem também nos livros de Carrol, mas são alvo de uma maior profundidade e significado que não são nem de perto replicados nesta adaptação cinematográfica. É óbvio que isto se deve, em parte, ao seu objetivo mais comercial e de certa forma fútil que não permite a presença de tanto pormenor. Isto não justifica ainda assim a sua clara aptidão para o estereótipo e para a falta de ambição. Havia muito tempo, oportunidade e espaço para melhorar e para tornar "Alice Through the Looking Glass" num produto familiar mais completo, dinâmico e profundo que não se limitasse apenas a apresentar a já típica aventura mágica com final previsível e mensagens gastas. O potencial estava lá, mas faltou vontade aos seus criadores para subirem o nível e surpreenderem o espectador. 
Este apenas pode ficar surpreendido com a sua impressionante componente gráfica. É fácil de concluir que esta é, sem dúvida, o principal atributo de um filme pouco pródigo em surpresas, mas rico num certo espetáculo visual. Os seus cenários mágicos aliados aos seus pormenorizados efeitos especiais e a uma extravagante panóplia de elementos secundários de elevada qualidade, que vão desde o bizarro guarda roupa até à extravagante caracterização, tornam "Alice Through the Looking Glass" num projeto diferente, especial e curioso que infelizmente só é agastado pelos problemas narrativos supracitados e não pela ausência do toque bizarro de Tim Burton.

Classificação - 2,5 Estrelas em 5

2 comentários:

  1. Excelente crítica. Podes ler a do MUNDO DO CINEMA aqui: http://omundodocinema.comunidades.net/criticas2

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  2. Alice do Outro Lado do Espelho: 4*

    "Alice do Outro Lado do Espelho" é um filme bastante bom, este "Alice do Outro Lado do Espelho" é um filme a ver sem dúvida.

    Cumprimentos, Frederico Daniel.

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