Crítica - James White (2015)

Realizado por Josh Mond
Com Christopher Abbott, David Call, Cynthia Nixon

Foi um dos filmes sensação do IndieLisboa 2016, mas também do mercado indie dos Estados Unidos da América em 2015.  Produzido por nomes fortes do Cinema Independente, como Antonio Campos e Sean Durkin, "James White" não é um filme que prima por um ritmo elevado, mas compensa esta certa inércia com uma forte dose de emoção que pauta, especialmente na sua parte final, a sua história. E esta centra-se num jovem adulto chamado James White, que é interpretado com talento e carisma por Christopher Abbott. White parece viver um pouco à deriva do mundo e da realidade, mas a morte do seu pai lança-o numa espiral mental descendente ainda mais profunda que o faz reavaliar o seu comportamento. Os seus problemas pioram ainda mais quando depara-se também com a inesperada morte iminente da sua mãe, o único apoio emocional que lhe resta.
Numa primeira fase, "James White" apresenta-nos à personalidade do seu protagonista e explora os alicerces do seu comportamento, confusão e depressão atual. Este contexto é nos útil quando é introduzido, numa equação já volátil, um evento carregado de melodrama que coloca à prova, de uma vez por todas, a compostura mental do protagonista. Este evento, que ganha a dimensão e precipicio pessoal, tem como base a doença terminal da sua mãe.
O retrato dos dias finais desta mãe e da sua conturbada relação com White, bem como a correlação deste com o luto, com o futuro e com a morte conferem uma dinâmica muito forte e emotiva ao filme. Para isto muito contribui também a sublime performance de Cynthia Nixon. Esta já veterana atriz evidencia-se mesmo como a principal pérola desta obra. A sua sublime performance valida e reforça uma personagem muito competente que exterioriza todos os medos, problemas e dificuldades da fase terminal do cancro. 
No fundo, "James White" confronta-nos com uma dimensão humanista e emotiva onde se mistura, portanto, a morte, a doença, o autodescobrimento e o crescimento individual. E tudo isto numa única fração narrativa imensamente bem construída e emocionalmente vasta que transforma este filme num belo drama sobre quase todos os seus temas. A única falha está no facto da concretização da vertente do crescimento e amadurecimento individual do protagonista ficar um pouco aquém das restantes, deixando assim "James White" rodeado por uma certa incerteza. 

Classificação - 3,5 Estrelas em 5

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