Crítica - Stonewall (2015)

Realizado por Roland Emmerich
Com Jeremy Irvine, Jonathan Rhys Meyers

O drama "Stonewall" era apontado por muitos como um drama promissor que, de certa forma, prometia melhorar significativamente a imagem e o trajeto profissional de Roland Emmerich no seio das produções mais independentes e menos vistosas, isto após Emmerich ter arriscado realizar em 2011 o mediano "Anonymous". Estas promessas de sucesso esbarram, no entanto, contra um projeto que se revelou incompreensivelmente fraco e irritante que realmente deixa no ar a ideia que Emmerich deveria mesmo dedicar-se, em exclusivo, às mega produções com um peculiar estilo vistos que tão bem caracteriza a sua carreira. 
É injusto apontar a causa de todos os problemas de "Stonewall" a Emmerich, mas o que é certo é que  este cineasta promoveu nesta obra um estilo incompreensivelmente banal e conservador que se revelou completamente ineficaz. O que é certo é que conservadorismo era praticamente a única coisa que não se podia ter esta obra. Especialmente quando esse conservadorismo é atribuído a um cineasta assumidamente homossexual que, perante uma história tão próxima às suas causas sociais, perdeu-se em demasia no banalismo e no facilitismo emocional. A direção de Emmerich não ajudou portanto à festa, mas nem o cineasta mais competente de Hollywood poderia ter dado vida e brilho a uma história tão deficitária como esta que nunca puxa devidamente pelos seus temas centrais. 
A história de "Stonewall" desenrola-se em 1969 e descreve, de um ponto de vista ficcional, os bastidores dos motins que ocorreram no bar/motel Stonewall Inn e deram início, na vida real, a um movimento de defesa dos direitos dos homossexuais. Não há dúvidas que esta história tinha força suficiente para galvanizar o espectador e originar um produto de respeito. Mas "Stonewall" vira completamente às costas às suas promessas dramáticas e humanas ao apresentar uma trama exageradamente precária em drama e emoção que falha em demasiados planos. 
Em primeiro lugar, "Stonewall" não captura o drama real e a força da história real dos Motins de Stonewall. A sua falha em contexualizar, explicar e teatralizar este importante evento retira-lhe, como é óbvio, toda a força dramática e social que lhe era apontada de ínicio. A própria história ficcional que o filme retrata tem demasiadas falhas e nunca se relaciona com o espectador, seja ele heterossexual ou homossexual. Os dramas do jovem protagonista, tão mal interpretado por Jeremy Irvine, são um puro retrato cliché sem pingo de emoção ou carisma individual. O resultado está assim à vista de todos. Uma enorme desilusão que desaproveita sem qualquer salvação ou redenção todo o poder de um bom tema e de um evento socialmente relevante.

Classificação - 1 Estrela em 5

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