Crítica - Time Out of Mind (2015)

Realizado por Oren Moverman
Com Richard Gere, Jena Malone, Ben Veree

Havia muito espaço de manobra para "Time Out of Mind" tornar-se num filme excelente, mas infelizmente não passa de um filme razoável e moderadamente interessante que, por culpa exclusivamente própria, perde-se em demasia no seu eventualmente entediante sentimento melodramático.
A sua demorada história desenrola-se na ruas de Nova York, onde encontramos George, um homem educado mas de fraca saúde (física e mental) que é maravilhosamente interpretado por Richard gerem um dos melhores pontos desta obra. Sufocado pela agitação de Manhattan e perdido na sua própria Humanidade, George sente-se perdido, mas quando trava amizade com um compreensível Dixon (Ben Vereen) a sua vida torna-se um pouco mais clara e George volta a ter esperança na vida e com isso deseja aproximar-se da sua filha. 



Esta jornada de George não é muito simpática e torna-se complicada de ver, não porque seja moralmente complicada ou visualmente impactante, mas porque é demasiado aborrecida e ineficaz. Esta é a triste realidade. Estamos perante um filme muito parado que não consegue justificar a sua lentidão na complexidade da sua temática ou até num certo contraponto artístico ou dramático. É pura e simplesmente um filme injustificadamente lento e aborrecido que se arrasta em demasia sem precisar de o fazer. Esta sua lentidão crónica incapacita-o e torna-o numa espécie de pária comercial que, por se perder tanto nos seus objetivos e por não os explorar da forma mais eficaz,  afasta o público e aborrece os menos pacientes. 
Este é o maior ponto negativo de "Time Out of Mind", mas se passarmos por cima do desenvolvimento ineficaz e lento do seu enredo, até encontramos uma história interessante e desafiante. É certo que tal história não precisaria nunca de duas horas para ser explorada da forma mais correta, aliás bastariam uns quarenta bons e aliciantes minutos, mas o que quero com isto dizer é que pelo meio de tanto tempo perdido em exposições desnecessárias, "Time Out of Mind" tem uma boa história para nos contar.



Para além do impactante e complicado retrato dramático e social que nos é apresentado sobre a vida de um sem abrigo numa metrópole como Nova Iorque, "Time Out of Mind" também explora uma história mais pessoal que merecia ter sido melhor aproveitada. O tal retrato social que nos apresenta é o ponto positivo que salta mais à vista, porque para além de ser socialmente consciente, consegue também ter um certo toque dramático que ajuda a humanizar e dinamizar a jornada do protagonista. É óbvio que tal apresentação social fica muito aquém do seu potencial devido aos problemas já enunciados, mas verdade seja dita que tal retrato sente muito menos as consequências negativas do filme que a cansativa jornada de George. Esta é completamente mal aproveitada por um argumento demasiado incompetente que não retira o suficiente de uma história com potencial para arrasar o espectador. Em vez disso, "Time Out of Mind" chateia-o e massacra-o com um ineficaz sentimento de drama e emoção que não convence. O filme perde-se portanto em demasia numa exploração e exposição vazia de uma situação dramática que, no final, pouco conteúdo tem para justificar a sua enorme duração. E tal conteúdo estava à mercê de qualquer um, mas por causa de desvios desnecessários e um desenvolvimento excruciante, acaba por não ser devidamente rentabilizado. 

Classificação - 2,5 Estrelas em 5

4 comentários:

  1. Olá, João. :)

    Compreendo perfeita bem a sua crítica. De facto, um filme um pouco lento e pouco explícito relativamente à razão pela qual George optou por ser um sem-abrigo, mas no todo gostei bastante do filme, primeiro por ser com o Gere e com Ben Veree, que já não via nas telas desde que ele dançava, e depois pelo mundo interior das associações de ajuda aos desfavorecidos que nos é dado através de uma lente clínica e reveladora, quer da vida no interior desses estabelecimentos quer de imagens desfocadas, mas cheia de ruídos (in)distintos do corre-corre de uma cidade intensa que nunca dorme, Nova Iorque.

    Como curiosidade, o João deve ter lido que o Richard Gere não foi reconhecido nas ruas de Nova Iorque durante as filmagens, “in loco”, de algumas cenas e enquanto vestido como sem-abrigo, não? Pois foi! Ninguém o reconheceu, o que prova que os sem-abrigo não são vistos pelos milhões de transeuntes que calcorreiam diariamente aquelas ruas, infelizmente! Nem lá e nem cá, neste nosso cantinho à beira-mar plantado.

    Tomo ainda a liberdade de deixar aqui o meu “link” do meu “Board: Recent Movies”, no Pinterest, caso queira dar uma espreitadela aos meus “reviews”. :)

    https://pt.pinterest.com/luciacatarino/recent-movies/

    “All the best!” :)

    ResponderEliminar
  2. Também é interessante ler este artigo, com o qual eu concordo absolutamente com o Richar Gere diz.

    http://www.godvine.com/read/richard-gere-not-recognized-when-homeless-on-ny-streets-1092.html

    ***

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Na altura do lançamento nos Estados Unidos tinha visto essa notícia e achei também muito curiosa porque exemplifica a indiferença. Vou dar certamente uma olhadela e vou começar a seguir Lucy ;)

      Eliminar

 

Descontos Em Bilhetes de Cinema

Crítica da Semana


Membro Oficial

Membro Oficial