Crítica - Warcraft (2016)

Realizado por Duncan Jones 
Com Toby Kebbell, Paula Patton, Travis Fimmel 

A era das adaptações cinematográficas de populares videojogos já começou há algum tempo em Hollywood. Se no passado algumas dessas adaptações até correram bem dentro do parâmetro comercial, como foi o caso da maior parte dos filmes "Resident Evil" e “Tomb Raider”, outras, como as adaptações de "Mortal Kombat", "Max Payne", "Alone in The Dark", "DOA - Dead or Alive", "Need For Speed", "Street Fighter" ou “Hitman”, correram francamente mal. O saldo entre boas e más adaptações de videojogos em Hollywood não é, portanto, o mais famoso, mas tal facto não parece desmotivar os estúdios que, seja por falta de outras ideias ou por causa de parcerias improváveis, parecem estar sempre dispostos a apostar neste tipo de filmes. O que é certo é que, até agora, nenhum projeto baseado num videojogo foi um sucesso absoluto em todos os parâmetros.
Esta proeza também não foi alcançada por “Warcraft”, a adaptação do popular videojogo MMORPG “World of Warcraft”. Esta pode aliás ser descrita como uma produção amena e mediana dentro do género, ou seja, um projeto que se enquadra no meio termo entre o bom e o mau. É certo que "Warcraft" tinha à partida algum potencial para se tornar numa espécie de novo "The Lord of The Rings", ou seja, existia e ainda existe no seio do famoso Universo World of Warcraft muitas oportunidades e possibilidades para criar um filme de ação e fantasia competente e capaz de aliar uma trama cativante a uma visual deslumbrante. É também verdade que existia um enorme potencial negativo neste projeto, já que "Warcraft" podia seguir de igual forma o terrível caminho do irritante, desiquilibrado e desastroso "In the Name of the King: A Dungeon Siege Tale"(2007), a péssima adaptação dos videojogos "Dungeon Siege". Perante todo este potencial, positivo e negativo, "Warcraft" acabou por ficar aquém de ambos. 


Há que dizer que o mágico Universo do videojogo foi minimamente respeitado, mas não foi devidamente capitalizado e catapultado para um nível superior. A componente de ação e aventura está bem presente, mas esta acaba por não ser acompanhada por um enredo que equilibre a imaginação e a magia com uma intriga inteligente, apelativa e digna da atenção do espectador. A sua trama é, alias, bastante básica e inerte. Os seus temas centrais pouco apelam à emoção e ao interesse do espectador, nomeadamente a dinâmica política, bélica e sociológica entre Orcs e Humanos. Esta deveria motivar a atenção do espectador devido à sua possivél complexidade política, mas acaba por desiludir em virtude da falta de imaginação que pauta a sua natureza e todos os movimentos e interações entre espécies. Também os pormenores narrativos do filme, como a apresentação do vilão ou a aposta em elementos românticos e fatídicos, não conseguem convencer devido à sua fragilidade. 
Embora a sua narrativa seja débil em vários pontos, "Warcraft" acaba por cumprir as expectativas no que toca à sua componente técnica, nomeadamente no que respeita aos elementos visuais. O jovem cineasta Duncan Jones não desiludiu e, apesar dos vários problemas de pré-produção que o filme atravessou, conseguiu apresentar algo muito digno neste campo. As múltiplas sequências de ação que vão surgindo no ecrã são maioritariamente competentes, nomeadamente a grande sequência final de batalha que exterioriza a real natureza caótica do videojogo que está na base do filme. Para o sucesso destas sequências muito contribuiu a competência dos efeitos especiais que dão vida e cor às batalhas e seus intervenientes. É claro que há alguns exageros que roçam o ridículo, mas no geral "Warcraft" entrega o que se esperava dele neste campo. Os departamentos de caracterização, guarda roupa e fotografia também apresentam bons níveis, já os departamentos ligados ao som acabam por não se destacar tanto. Neste ponto é notório que Ramin Djawadi desiludiu um pouco com a banda sonora apresentada, já que esta peca um pouco pela repetição excessiva do mesmo tipo de sonoridades bélicas. 
O elenco de "Warcraft" também peca um pouco pela sua qualidade escassa. Neste departamento apenas o surpreendente Travis Fimmel recebe uma nota destacadamente positiva. A estrela da série "Vikings" superou expectativas e mostrou a Hollywood que é um ator com muito potencial para crescer e, quem sabe, atingir o topo da indústria. Num campo inverso ao de Fimmel estão praticamente todos os seus companheiros de elenco, incluíndo os mais mediáticos Paula Patton, Ben Foster e Dominic Cooper. É claro que não é por culpa do seu elenco que "Warcraft" não enche as medidas dos apreciadores de mega produções de Hollywood nem se tornou numa das raras adaptações de real qualidade de um videojogo. Tal como já se disse, "Warcraft" poderia ser pior, mas verdade seja dita que também poderia ser muito melhor....

Classificação - 2 Estrelas em 5

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