Crítica - Memórias de Marnie (2015)

Realizado por Hiromasa Yonebayashi 


O icónico Estúdio Ghibli raramente defrauda expectativas ou descura na qualidade e imaginação dos seus projetos. Este famoso gigante da animação japonesa já não pode contar no seu catalogo com os filmes realizados pelo mestre Hayao Miyazaki, já retirado da realização, mas o que é certo é que não faltam cineastas criativos nas suas fileiras. Um desses profissionais é precisamente o já experiente Hiromasa Yonebayashi, cujo trabalho mais recente, "As Memórias de Marnie", exemplifica na perfeição a beleza e a destreza técnica dos produtos do estúdio. Não é só na belíssima e detalhada componente técnica que "As Memórias de Marnie" se destaca pela positiva, já que também o seu enredo denota uma ternurenta simplicidade. Este explora a história de Anna, uma jovem de doze anos que, por razões de saúde, vai passar o verão a Kushiro, uma cidade à beira-mar na província de Hokkaido. Anna sempre foi muito solitária e nunca fez amigos. Acredita estar fora do círculo mágico invisível a que a maior parte das pessoas pertencem e por isso isola-se de todos os que a rodeiam. E é durante um dos seus passeios solitários pelo pântano que Anna descobre uma mansão isolada onde mora Marnie. Anna nunca pensou ter uma amiga como Marnie que não a julga por ser como é. Mas ao mesmo tempo que descobre a beleza da amizade, Anna começa a perceber que Marnie pode não ser bem aquilo que aparenta.
 Tal como se presume pela sua premissa, "As Memórias de Marnie" é um filme sobre identidade e amizade, mas revela-se também como um forte drama familiar. É no fundo uma obra muito emotiva, especialmente na parte final, mas também muito delicado. Não existem elementos de humor, ação ou romance, ou seja, em "Memórias de Marnie" o drama é soberano. É claro que a sua história é alimentada por elementos sobrenaturais que puxam pela surpresa e pelo suspense, mas no fundo o que está no cerne deste projeto é uma mensagem de amor incondicional bastante triste e dramática. Esta mensagem só se revela perto do final e só neste ponto é que o filme ganha uma maior dimensão, já que o percurso até à sua poderosa conclusão não é o mais ritmado ou cativante. O que é certo é que na sua reta final, "As Memórias de Marnie" compensa as falhas intermédias do enredo. E o resultado final é portanto uma bela história que é exteriorizada, repito, de forma deslumbrante por elementos visuais de elevado calibre.

Classificação - 4 Estrelas em 5

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