Crítica - The Program (2015)

Realizado por Stephen Frears
Com Lee Pace, Ben Foster, Chris O'Dowd

Ao longo da sua produção, "The Program" foi alimentando expectativas douradas relativamente ao resultado final. Não se esperava, aliás, outra coisa de um projeto da responsabilidade de vários nomes fortes de Hollywood, como Stephen Fears, sobre um dos temas mais polémicos da última década, o caso de doping de Lance Armstrong. A queda em desgraça do ciclista e herói norte-americano Lance Armstrong varreu o mundo e abalou os alicerces do ciclismo. Afinal de contas Armstrong era tido como um desportista virtuoso que venceu o cancro e demais dificuldades para ser tornar numa lenda e herói de um desporto exigente. O que muitos suspeitavam mas poucos acreditavam era que Armstrong tinha recorrido ao doping para conquistar todos os seus feitos. Por explorar a base desta história polémica, "The Program" foi sempre encarado como um dos possíveis filmes do ano e um dos maiores focos de interesse da época de prémios. Toda esta expectativa esfumou-se mal o filme passou, em estreia mundial, pelos ecrãs do Festival de Toronto, onde foi recebido com indiferença em virtude da sua mediocridade. Não é que seja um mau filme, mas é um projeto banalíssimo. Perante a riqueza e a polémica da sua história verídica, "The Program" revela-se mediaticamente e historicamente inerte.
O seu argumento é demasiado seguro, sendo que esta segurança neste caso específico roça o banalismo devido ao pouco risco que corre. Todos os elementos mais polémicos e complexos desta história fiaram de fora. Não são assim explorados com a devida atenção temas sumarentos e mais cativantes, como as conspirações mediáticas, os escândalos corporativos, os crimes desportivos e as histórias de corrupção organizada que rodeiam a história que todos já vimos ser replicada nos jornais. A trama deste projeto foca-se mais na desconstrução de Armstrong e num leviano processo de investigação que acaba por explicar muito pouco. A isto junta-se também um dramatismo exagerado e uma certa parcialidade e subjetividade na hora de abordar o cerne da questão. No final de contas estes problemas expõem, em conjunto, uma certa falta de coragem dos responsáveis por "The Program" em enfrentar sem medos a polémica, as consequências e a vida real. Para uma espécie de autopsia cinematográfica de uma polémica, como se esperava que "The Program" fosse, estas fraquezas são completamente desastrosas. Nem a performance interessante de Ben Foster ajudou esta obra a destacar-se, mas a culpa do seu fracasso deve-se, fundamentalmente, a um argumento sem coragem e pouco objetivo.

Classificação - 2 Estrelas em 5

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