Crítica - Bem Vindos....Mas Não Muito (2016)

Realizado por Alexandra Leclère
Com Valérie Bonneton, Michel Vuillermoz, Karin Viard

Exibido em antestreia nacional na Festa do Cinema Francês 2016 em Lisboa, “Bem Vindos….Mas Não Muito” é uma simpática comédia francesa independente que se insere, embora de uma forma diferente, num contexto muito atual e social. Embora encare várias questões polémicas da sociedade franceses em termos mais simplistas, “Bem Vindos….Mas Não Muito” explora de uma forma bem curiosa a forma como os cidadãos franceses, especialmente os mais abastados, lidam com os principais problemas socioeconómicos do país, ou seja, o acolhimento de emigrantes e refugiados, os problemas dos cidadãos mais pobres e o elevado preço médio do custo de vida no país.  
Estes polémicos e problemáticos contextos são explorados sob a perspectiva da experiência e do ponto de vista pessoal de um conjunto caricato de personagens de classe média alta. Estas enfrentam altas dificuldades morais quando são forçados, por ordem do governo francês, a acolher em suas casas outros cidadãos franceses sem habitação própria durante o Inverno mais frio dos últimos anos. Estas personagens representam vários quadrantes da sociedade francesa que representam tanto o lado positivo como o lado negativo dos problemas, assim sendo, somos presenteados com visões estereotipadas do burguês comunista hipócrita, do burguês constrangido, do capitalista de classe alta movido por preconceitos, do idoso solitário repleto de compaixão, do jovem liberal ou do idoso preconceituoso que receia qualquer pessoa de raça diferente, entre outros.
Ao contrário do que acontece com a realidade francesa, “Bem Vindos….Mas Não Muito” acaba por apresentar concepções e conclusões mais positivas e optimistas que entram em contacto com o espírito leve e descontraído desta comédia. É claro que podem ser retiradas, ainda assim, importantes visões e lições sociais desta obra, isto apesar desta assentar numa narrativa muito básica no que à comédia diz respeito, mas lá está a falta de humor acaba por ser compensada pela sua leveza e pela sua valência sociológica. É no fundo um filme descontraído que se vê bem e que represente o estilo muito próprio da comédia francesa.

Classificação - 2 Estrelas em 5

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