Crítica - Arrival (2016)

Realizado por Denis Villeneuve
Com Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker

Parece que nos últimos anos estreia sempre, por volta desta altura, um surpreendente e imponente filme de ficção científica que, de certa forma, marca o ritmo das principais estreias cinematográficas do ano. Entre os nobres exemplos de “Interstellar” em 2014  ou de “The Martian” em 2015 surge agora “Arrival”, o novo projeto de Denis Villeneuve, um dos cineastas mais proeminentes da atualidade. Pode-se até dizer que “Arrival” representa uma espécie de ponto de equilíbrio entre os projetos de Nolan e Scott, já que explora de uma forma um pouco ténue e numa equação bem mais moderada os seus respetivos atrativos. Verifica-se portanto um agradável equilíbrio entre os elementos científicos e a sua vertente de entretenimento que propicia um filme bem pensado e muito competente dentro dos seus moderados objetivos.
Não é portanto um filme tão pesado ou complexo como “Interstellar”, mas também não é tão coloquialmente comercial como “The Martian”. É claro que os seus elementos científicos não se aproximam sequer das complexas bases da obra de Nolan, mas ainda assim aparecem representados de forma curiosa vários princípios científicos no epicentro da sua trama. Um desses é o curioso Principio de Fermat, cuja desconstrução ajuda a explicar umaa conclusão que se revela de certa forma imprevisível, pese embora as várias pistas fornecidas durante a jornada de uma inteligentíssima linguista que tenta comunicar com uma raça alienígena que chega de rompante à Terra. A este juntam-se outras teorias e diversos elementos intelectuais que ajudam a apurar uma narrativa dominada por uma acutilante base dramática e emocional que faz jus à fama do conto que serviu de base ao filme.



Esta apelativa equação traduz–se portanto num projeto dinâmico e ativo que, embora seja pautado por um ritmo moroso, consegue ainda assim expor o público a uma forte via de suspense e suspeição que assenta sobretudo na interção, por vezes tácita, entre a protagonista e os alienígenas. É claro que esta relação é pautada por um óbvio sentimento Deus Ex Machina devido à fórmula que move o filme e ao seu conceito acentuadamente rebuscado, mas se este não for excessivamente desmontado acaba  atépor restar uma curiosa base de entretenimento. Aliás, "Arrival" apresenta-se ao espectador como um filme que joga com conceitos científicos, tal como The Martian", mas que ao contrário de "Interstellar" não usa e abusa dos mesmos para transmitir um quase insuportável sentimento de superioridade intelectual e pedantismo. Usa-os num conceito de entretenimento e não de conhecimento universal. É claro que isto torna-o de certa forma bem mais oco e banal que a obra de Nolan, mas é óbvio que o objetivo de "Arrival" passa por uma visão comercial e não por uma visão puramente cultural e científica.
A supracitada base mais ficcional é apoiada, como já se deu a entender, pelo competente desenlace emocional, humano e dramático da personagem central. Isto torna "Arrival" num filme mais direcionado para a vertente humana do que propriamente para a vertente extraterrestre ou científica. E tal acontece porque toda a temática da invasão alien acaba por se situar numa espécie de plano de apoio relativamente à construção pessoal da protagonista e da sua dura jornada emocional. É sobre esta jornada que, no fundo, as principais mensagens, lições e objetivos do filme recaem e não sobre o contacto com os aliens, embora estes sejam claramente importantes para o filme em si.
O sucesso prático de “Arrival” não assenta apenas na sua competente trama, já que esta é também interpretada por um excelente elenco. E quando se fala em elenco fala-se sobretudo em Amy Adams, cuja dinâmica performance é um real deleite. A força de Adams ofusca por completo as performances do restante elenco, mas este também se comporta muito bem e atua dentro das expectativas. Nomeadamente Jeremy Renner que, contra tudo o que se poderia esperar, consegue vender de forma adequada a imagem de cientista intelectual.
Não se pode nem se consegue sequer ignorar também a valiosa presença da qualidade técnica e criativa de Villeneuve na competente equação de “Arrival”. À semelhança de todos os seus outros projetos, “Arrival” é dotado de um estilo muito próprio e requintado que impulsiona o seu valor. Existem aqui imagens verdadeiramente fenomenais que ficam na retina de qualquer espectador, bem como pormenores estéticos verdadeiramente intensos e deliciosos que reforçam a sua particularidade visual. É importante reforçar também que, sem apostar em exageradas sequências de ação repletas de atrativos visuais, Villeneuve conseguiu construir um filme de extraterrestres pleno de qualidade técnica e visual que exulta ação, tensão e emoção. E este feito demonstra bem o talento de Villeneuve, que pode até não ter em "Arrival" uma grande obra prima, mas que ainda assim convence com a criação de um projeto sci-fi/dramático bem pensado que, embora tenha importantes falhas, perde-se muito pouco na sua tentativa de espantar o espectador com artimanhas intelectuais. 

Classificação - 3,5 Estrelas em 5

0 comentários:

Enviar um comentário

 

Descontos Em Bilhetes de Cinema

Crítica da Semana


Membro Oficial

Membro Oficial