Pérolas Indie - Agnus Dei (2015)

Realizado por Anne Fontaine
Com Vincent Macaigne, Joanna Kulig, Agata Kulesza
Género - Drama

Sinopse - Polónia, 1945. Mathilde, uma jovem médica da cruz vermelha, encontra-se numa missão para ajudar os sobreviventes da Segunda Guerra Mundial. Quando uma freira lhe pede ajuda, esta apercebe-se que existem várias freiras grávidas, fruto da barbaridade dos soldados soviéticos. Incapazes de conciliar a fé com a gravidez, as freiras apoiam-se em Mathilde, a sua única esperança.

Crítica - O sangrento conflito da 2ª Guerra Mundial e a ocupação da Polónia servem de pano de fundo para a pesada e poderosa história deste interessantíssimo melodrama franco-polaco, onde os Nazis são apenas uma mera nota de rodapé, já que os verdadeiros vilões de "Agnus Dei" são os Soviéticos. 
Este é um filme que, por ser baseada em eventos reais, tem poderosos e importantes contornos reais que ilustram a violência e a realidade de um conflito que esbateu e ainda esbate os limites do bem e do mal. A história mais contada da 2ª Guerra Mundial versa sobre as atrocidades cometidas pelos Nazis ou Fascistas, mas do lado dos Aliados também existiram abusos e muitos vilões. 
Os crimes do Exército Soviético estão, por exemplo, bem documentados na história real deste conflito. Entre vários abusos de força de diversos níveis e verdadeiros massacres e crimes humanitários, o Exército da União Soviética deixou um rasto de sangue, violência e ultraje ao longo da sua caminhada triunfante até Berlim. Os relatos de mulheres violadas e chacinadas às mãos dos soldados soviéticos são históricamente conhecidos, sendo precisamente num desses relatos que "Agnus Dei" apoia a sua trama. 
Por intermédio de uma história emocionalmente intensa, Anne Fontaine aventura-se num mundo de sofrimento e dúvida, onde freiras abusadas e marcadas revoltam-se contra a sua própria fé e contra o próprio mundo. Os abusos que estas simples e frágeis mulheres sofreram e as consequências que destes advieram lançam as bases de uma trama que evoca o sofrimento humano, mas também a resiliência e a destreza do ser humano perante fortes crises emocionais.  Os conflitos de valores, ideias e emoções são assim constantemente levantados entre fortes doses de emoção e drama, cabendo à jovem médica Mathilde oferecer conforto e soluções às suas pacientes, sendo que esta verdadeira moderadora emocional também oferece a "Agnus Dei" o seu lado mais abstrato.
Embora seja na sua génese um filme sobre uma guerra, "Agnus Dei" acaba por puxar a temática do sofrimento e da miséria por intermédio de uma consequência secundária do conflito e não como uma consequência direta do mesmo. É claro que no fundo este pormenor pouca relevância tem, já que na sua génese mais pura, "Agnus Dei" retrata em pleno o incompreensível drama da guerra e da ainda mais incompreensível maldade humana. O facto de juntar a este já de si poderoso cocktail melodramático a questão da fé apenas o torna ainda mais polivalente e poderoso. E são precisamente estes adjetivos que melhor o classificam na generalidade.  

Classificação - 3,5 Estrelas em 5

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