Crítica - Kramer Vs Kramer (1979)

Realizado por Robert Benton
Com Meryl Streep, Dustin Hoffman

Meryl Streep já brilha em Hollywood desde os Anos 70. Após várias participações de qualidade num par de filmes, séries e telefilmes de relevo, Streep consolidou finalmente o seu estatuto de estrela de Hollywood com uma performance de elevado calibre no drama "Kramer Vs Kramer", performance essa que representou também o seu primeiro passo dourado numa triunfante caminhada cinematográfica repleta de sucessos. Foi com "Kramer Vs Kramer" que Streep conquistou o seu primeiro e mais que justo Óscar da Academia, um prémio merecidíssimo que víria a servir de prenuncio para uma carreira de elite que ficará para a história da sétima arte. 
A performance de Streep é efetivamente espetacular, mas no contexto de "Kramer Vs Kramer" destacas, apenas, como um dos muitos pontos de interesse deste poderoso filme de Robert Benton, também ele um dos elementos de proa desta belíssima obra que, para além do Óscar de Meryl Streep, conquistou mais quatro prémios da Academia, incluindo Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Argumento Adaptado. O outro Óscar foi entregue a Dustin Hoffman que, à semelhança da sua co-protagonista, apresenta uma performance notável que convence e arrasa a todos os níveis. 


Estes dois experientes astros, que em 1979 já estavam praticamente no topo em Hollywood, interpretam Ted e Joanna Kramer, um casal de classe alta e de meia-idade com um filho menor, cujo casamento está prestes a acabar. É Joanna (Meryl Streep) que, numa noite aparentemente normal, comunica a Ted (Dustin Hoffman) que o vai deixar porque não quer continuar a ser apenas a esposa de alguém. Joanna anuncia a Ted que vai partir para tentar encontrar-se, deixando-o responsável pelo filho de ambos. Ted é apanhado de surpresa por esta decisão, mas apesar de desistir rapidamente da sua mulher, não está disposto a desistir do seu filho com o qual nunca teve uma relação muito paternal. Apesar de todas as complicações que é obrigado a enfrentar e superar, Ted aproxima-se do seu filho, com quem acaba por desenvolver uma nova ligação paternal que o leva a sentir-se como um pai completo. É quando Ted conquista a confiança do seu filho que Joanna regressa e exige, em tribunal, que o seu filho fique apenas ao seu cuidado, algo que abala de vez o já frágil mundo de Ted.
Tanto Hoffman como Streep interpretam com pulso e garra as suas respetivas personagens, ajudando assim a evidenciar ainda mais a poderosa carga dramática desta obra que, ainda hoje, é classificada como um dos filmes mais completos e competentes sobre o divórcio e os seus efeitos na vida familiar. Para além de ser um exímio filme jurídico sobre o complexo processo do divórcio e das responsabilidades parentais, "Kramer Vs Kramer" é também um exímio filme sobre o comportamento humano. O seu consagrado argumento, que tem como base o homónimo romance escrito por Avery Corman, é um exemplo de perfeição dramática que nos leva numa poderosa viagem pelo lado humano e dramático de complexas questões familiares, sendo que todas elas são devidamente exploradas consoante o espírito muito específico desta obra que presta uma redobrada atenção às relações parentais. No fundo estamos perante uma história de relacionamentos, valores e escolhas, mas sobretudo de decisões e ações que reforçam valores familiares e contrariam velhos clichés. É um filme que nos ensina e que nos comove. É um filme profundo e completo a todos os níveis que merece todo o nosso respeito.

Classificação - 5 Estrelas em 5

1 comentários:

  1. Olá, João.

    Depois de me ter emocionado ao ler a sua maravilhosa crítica a este filme, o qual marcou-me para sempre, quer o filme quer, obviamente, a Meryl Streep, deixe-me contar-lhe a minha “estória” sobre este filme.

    Já tinha visto o filme “Julia” (de 1977) com a Jane Fonda e a Vanessa Redgrave e, também, com a Meryl Streep, que aparece apenas numa cena fugaz, que mal deu para apreciá-la ou recordá-la. Também não vi o “Deer Hunter” na altura em que estreou, em 1979. E porque faço este intróito? Porque até “Kramer vs Kramer”, 1980, nunca tinha visto ou reparado na Meryl Streep.

    Lembro-me como se fosse hoje. Vi o filme no Cinema Terminal, inserido num então pequeno Centro Comercial, muito em voga na altura, na Estação do Rossio. Ir ao cinema, nessa altura, era como, aliás, em todas as alturas do passado, um entretimento cultural e social. Ah, não se comia pipocas, nem se bebia coca-cola e nem se atendia telemóveis, no silêncio do cinema, mas creio que se fumava... Foi só um aparte, numa de recordar o passado. ;)

    Mas contava eu, que vi o filme no Cinema Terminal e, claro, deliciei-me e emocionei-me do princípio ao fim, não fosse eu a Lucy que se emociona “apenas” com uma excelente interpretação... Bem, adiante. Quando sai do cinema, virei-me para o meu marido e disse-lhe: “esta mulher vai dar muito o que falar na Sétima Arte”... E, pronto, foi isso! O resto não carece eu contar mais nada, porque a história desta grande mulher, actriz magistral, um ser extraordinário, que tenho, desde então à data, seguido fielmente, há muito que está escrita nos anais da cinematografia.

    Falta só contar, que no dia em que vi o excelente filme “Heartburn”, de 1986, com ela e o outro monstro do cinema, Jack Nicholson, escrevi (à mão; ainda se escreviam cartas postais) uma carta à Meryl Streep, elogiando-a como actriz, como pessoa e todo o seu trabalho, endereçando-a para um endereço que havia disponível na altura. Poucas semanas depois, recebi uma carta no Correio... ;), provavelmente da agência que tratava do correio dos fãs, com uma foto da Meryl, assinada por ela, a qual ainda hoje a tenho guardada religiosamente.

    E pronto é tudo! :D

    Excelente 2017 para si.

    P.S.: De salientar, ainda, a fabulosa e tão natural interpretação do então miúdo, que interpretava o filho dos Kramer, Justin Henry, actualmente apenas a “actuar” no mundo dos negócios, mas concretamente nos meios de comunicação digitais.

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