Crítica - Ghost in the Shell (2017)

Realizado por Rupert Sanders
Com Scarlett Johansson, Takeshi Kitano, Juliette Binoche

A época dos blockbusters começou, este ano, um pouco mais cedo graças aos lançamentos de vários mega projetos de elevado calibre comercial, como “Logan”, “Kong: Skull Island”, “Beauty and the Beast” e “Ghost in The Shell”. Este último esteve sempre rodeado por uma enorme expectativa, já que se trata da adaptação cinematográfica live-action de um dos mais populares produtos de ficção científica do planeta. As aventuras de Major, uma agente de operações especiais, híbrida de humano e ciborgue, que combate o crime em todos os campos, têm hoje uma fama global e já há muito que se alimentava a esperança que "Ghost in the Shell" pudesse chegar a Hollywood e ser transformado numa imponente saga de ficção científica. O lançamento da concretização desta esperança era, portanto, muito esperado, mas as elevadas expectativas que rodearam a sua estreia acabaram por se concretizar num filme ameno que, infelizmente, não escapa à trivilização do género. 
É importante começar por realçar que não há nada de mau a apontar aos seus imponentes elementos sonoros e visuais. Tecnicamente, “Ghost in the Shell” é um produto verdadeiramente espetacular que faz jus ao género sci-fi e futurista da sua popular base nipónica. Os seus efeitos especiais são impactantes e ajudam a abrilhantar os poderosos cenários futuristas e as suas moderadamente interessantes sequências de ação. Estas foram competentemente coordenadas e filmadas e estão, por isso, em sintonia com aquilo que se esperava encontrar nesta obra. Os seus elementos sonoros também são perfeitamente adequados ao estilo característico do filme, sendo de destacar, como é óbvio, a bela banda sonora da autoria de Clint Mansell e Lorne Balfe.
À semelhança do que se verifica com a maior parte dos mega produtos comerciais de Hollywood, o principal defeito de “Ghost in the Shell” reside no seu argumento. Este apresenta um maior enfoque na ação, na adrenalina e no entretenimento, negligenciando assim vários elementos fulcrais que o tornariam num filme mais completo e apelativo do ponto de vista narrativo. 


O universo do mangá em que este filme se baseia explora inúmeras questões, morais e técnicas, relacionadas com a relação, por vezes demasiado impura e exagerada, entre Humanos e Máquinas. Também explora de uma forma bem direta as implicações que a presença assídua da Inteligência Artificial e da Robótica podem ter ou vir a ter no quotidiano do Homem, gerando assim uma possível dependência preocupante. Estas temáticas tão atuais são exploradas sobretudo no âmbito da segurança e da independência da Humanidade, sendo que o mangá original oferece ao leitor um vasto conjunto de cenários, perspetivas e observações que estimulam o debate sobre os temas.
Esta versão live action descura esta importante vertente intelectual e filosófica, preferindo, lá está, reencaminhar a atenção do espectador para os elementos focados na ação. O resultado é um enredo temáticamente oco, onde apenas são feitas breves nuances às importantes e problemáticas questões que estão subjacentes ao carácter do filme. Esta banalização de posições filosóficas tão em voga surge como um verdadeiro desperdício de oportunidades, já que sem uma alma crítica e temática, "Ghost in the Shell" acaba por sobressair, apenas e só, como num invólcro cinematográfico sem alma. Esta estranha ironia impede-o de se sobrepor à imagem cliché de um blockbuster, já que tal como tantos outros produtos do género, apenas se direciona para a ação e para um entretenimento vistoso, mas sem um conteúdo claro visível a apoiar tal enfoque. É certo que "Ghost in the Shell" é tecnicamente estonteante, mas também é certo que tinha potencial para ser muito mais que um simples filme bonito que não faz jus à sua poderosa base original. 

Classificação - 2 Estrelas em 5

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