Crítica - The Glass Castle (2017)

Realizado por Destin Daniel Cretton
Com Brie Larson, Naomi Watts, Woody Harrelson

Nem sempre é bom sinal quando um pré-candidato à época de prémios estreia, nos Estados Unidos da América, ainda em Agosto, quando a época de exibição dos grandes pesos pesados do ano ainda não começou. Por vezes é um indicador que o estúdio não deposita muita esperança no valor global do filme, mas por vezes também pode ser considerado uma estratégia de luxo, já que assim existe a possibilidade do filme criar uma excelente primeira impressão e assim pautar o nível para as estreias que se seguem. Infelizmente, "The Glass Castle" enquadra-se no primeiro caso. 
Pese embora as expectativas que recaiam sobre este projeto, o resultado final acaba por não corresponder ao nível de candidato à época de prémios que inicialmente se esperava. É certo que existem bons elementos em "The Glass Castle", nomeadamente uma performance de luxo de Woody Harrelson, mas fica no ar a ideia que poderíamos estar perante um filme muito melhor, caso os seus responsáveis tivessem optado por retirar mais da poderosa história verídica que retrata.


Baseado na homónima autobiografia da jornalista Jeanette Walls, "The Glass Castle" retrata a história de vida, quer no presente, quer no passado, de uma jovem ambiciosa que foi criada, juntamente com os irmãos, no seio de uma família desequilibrada e bastante pobre que adotou um estilo de vida nómada. Tal história verídica tinha potencial para originar um poderoso drama familiar que envolvesse temas tão dispersos, como por exemplo opções de vida e de estilos de vida ou complexas relações familiares cimentadas pelo álcool, pela pobreza ou pelo machismo. Embora levante timidamente o véu sobre estes temas, "The Glass Castle" nunca os explora a fundo e, por isso, nunca se transforma no poderoso melodrama familiar que poderia ser. A história verídica que lhe serve de base é muito forte e ostenta, de forma natural, fortes doses de emoção e drama, mas tais elementos acabam por não ter repercussão num enredo bastante simplista que acaba por se traduzir num poder sentimental bastante ameno. A grande questão é que, para singrar, "The Glass Castle" precisava de mais enfoque nas emoções que derivam, precisamente, do drama familiar que sustenta a história de vida de Jeanette Walls. Ao negligenciar esta vertente, os seus criadores negligenciaram também o motor deste projeto, sendo por isso que o resultado final acaba por ser bem mais ameno do que o esperado.
Em todo o caso e, pese embora este grave falha que origina outros problemas secundários, "The Glass Castle" revela-se minimamente interessante. Embora a base dramática não seja explorada em todo o seu esplendor é, ainda assim, transmitida ao espectador uma história minimamente competente que cumpre os requisitos mínimos. Para estes mínimos muito contribuiu Woody Harrelson, cuja fantástica performance acabou por elevar e dinamizar um pouco mais a débil vertente emocional do enredo. A sua interpretação do pai sonhador de Jeanette Walls (que já agora é interpretada sem o carisma esperado por uma Brie Larson que se revela aqui uma desilusão) acaba por ser um dos pontos chave do filme. Talvez seja pela via de Harrelson que "The Glass Castle" chega à época de prémios, já que é o único elemento do filme que consegue corresponder a essas expectativas douradas.

Classificação - 2,5 Estrelas em 5

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