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quinta-feira, junho 27, 2019

DocLisboa'19 Anuncia Retrospectivas e Primeiras Linhas de Programação!


O Doclisboa - Festival Internacional de Cinema anunciou esta quarta-feira as retrospectivas para a sua 17ª edição numa sessão de antecipação ao ar livre que teve lugar no terraço da Cinemateca Portuguesa. Nesta sessão foram exibidos PAULE IN CONCERT, de Lew Hohmann que apresenta a retrospectiva Ascensão e Queda do Muro - O Cinema da Alemanha de Leste, e o filme LETTRE DE BEYROUTH de Jocelyne Saab, realizadora líbanesa a quem o DocLisboa dedica a retrospectiva de autor. Este ano, o Doclisboa celebra a sua 17ª edição, e acontece em vários espaços da cidade de Lisboa entre 17 e 27 de Outubro.

RETROSPECTIVA  
Ascensão e Queda do Muro - O Cinema da Alemanha de Leste


Texto de Agnès Wildenstein, Curadora da Retrospectiva: Este ano, comemora-se o 30º aniversário da queda do Muro de Berlim. A DEFA, Deutsche Film Aktiengesellschaft, um estúdio estatal de cinema, foi fundada logo após a Segunda Guerra Mundial e permaneceu em actividade até 1991, tendo produzido centenas de filmes de ficção e documentários. Muitos cineastas talentosos criaram uma obra significativa que merece ser redescoberta e reavaliada, permitindo-nos compreender melhor um momento emocionante da história contemporânea do cinema com uma perspectiva actual.
Esta retrospectiva tem como objectivo mostrar a abundância de formas e temas nas produções cinematográficas da Alemanha Oriental, principalmente da DEFA, censuradas ou não: filmes de propaganda e proibidos, ficções e documentários, curtas e longas, realizados por várias gerações de cineastas, incluindo Konrad Wolf, Gerhard Lamprecht, Karl Gass, Winfried Junge, Gerhard Klein, Jürgen Böttcher, Volker Koepp, Iris Gusner, Andreas Voigt, Helke Misselwitz e Thomas Heise, entre outros, sem esquecer um dos seus melhores directores de fotografia,Thomas Plenert. Retratam o povo alemão – por vezes acompanhando-o ao longo dos anos – a viver num país ferido num território ferido.
Reconstrução, juventude, mulheres, trabalho, vida quotidiana, a cena musical e a vida artística e a cidade de Berlim são alguns dos tópicos recorrentes nestes filmes que se servem de diversas linguagens cinematográficas. Vê-los significa não apenas desenterrar o passado, mas também repensar o nosso presente.



RETROSPECTIVA  
Jocelyne Saab 

Texto de Davide Oberto, Curador da Retrospectiva: Jocelyne Saab é uma figura singular no panorama do cinema contemporâneo. Nascida em 1948 em Beirute, no Líbano, acaba, contra a sua vontade e por imposição do pai, por estudar Economia. Em 1973 começa a trabalhar como jornalista radiofónica entre Paris e Beirute. Mas quando, em 1975, regressa à sua cidade para contar a guerra no Líbano que estava prestes a começar, decide fazê-lo através de uma câmara.
É a reportagem o género que marca a sua estreia no universo da imagem em movimento; a reportagem de guerra marcará toda a evolução artística de Saab, que foi também fotógrafa e artista visual, e cruzará por diversas vezes as fronteiras entre ficção e documentário, tornando-as cada vez mais osmóticas. O seu cinema atravessará o Mediterrâneo, como o navio Atlantis onde, em 1982, viaja Yasser Arafat, forçado a deixar Beirute e exilado em Túnis. Saab, única jornalista televisiva admitida a bordo, contará esta viagem no Le Bateau de l’exil. Ela irá também cruzar incessantemente o Médio Oriente, para onde o seu olhar sempre se dirigiu, recordando a ligação das raízes, as suas e as do seu país, à Asia.
O Doclisboa escolheu apresentar a retrospectiva que dedicará a esta artista sempre em viagem, mas profundamente enraizada, a observar com um olhar vivaz, mas também espantado e afectuoso, com um filme que retrata a sua cidade natal alguns anos antes do início da guerra civil, Lettre de Beyrouth. Estamos em 1978 e Saab decide passar alguns meses no Líbano, numa tentativa de retratar um país a sair de uma guerra e prestes a entrar noutra. Viajar de autocarro revela-se a maneira mais eficaz para o fazer e a reportagem torna-se subitamente um filme neorrealista, no qual se misturam referências do cinema italiano e egípcio, para regressar depois à um documentário surreal que olha para o presente a partir de outra perspectiva. A narração do documentário é de Etel Adnan, amiga de Saab e grande poetisa e pintora libanesa, nascida na Esmirna do Império Otomano. Todo o universo artístico de Jocelyin Saab parece estar presente neste filme de 52 minutos, rodado em 16mm, um universo que abre os caminhos de um cinema que foi muito rapidamente esquecido.

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