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domingo, outubro 20, 2019

A Escritora, Uma Curta de Hugo Pinto Com um Elenco Liderado por Afonso Pimentel, Dalila Carmo, Aurea e Catarina Lima



Hoje, o Portal Cinema apresenta a curta "A Escritora", o mais recente projeto do cineasta Hugo pinto, já entrevistado por nós por ocasião da sua participação no MOTELx 2018! Com Afonso Pimentel, Dalila Carmo, Aurea e Catarina Lima no elenco, "A Escritora" é um filme sobre a condição humana. A família e o amor como base para retratar o desgaste das relações humanas, a arte da escrita como elemento de contraste para sentimentos como a negação, o desespero, a solidão, o confronto entre o ser humano. O argumento procura descrever a vida sem palavras na profunda ironia duma pessoa que as escreve de forma genial. Somos criaturas movidas pelo instinto. Afastámo-nos da irracionalidade porque criámos a linguagem. É inevitável o confronto. A escritora é um filme de palavras, sobre a derradeira oposição, o confronto das perguntas e a desilusão das respostas.
É um filme disruptivo, um filme de atores com uma narração intuitiva e fascinante. A curta pretende encarar o panorama do cinema Português com uma atitude de força e originalidade na sua construção artística que engloba uma realização pertinente que se traduz no trabalho dos atores e do maravilhoso argumento retratado em palavras sonoras na narração e nos diálogos destes artistas que fazem a composição dos personagens, e numa montagem respirada mas inquieta. Sólida ainda que experimental. A escritora é uma aventura para os sentidos. É feita por espetadores para espetadores.


Sinopse - Um conto sobre uma mulher com um talento fora do comum para a escrita. Alice, a nossa musa, sofre com o impulso de escrever, não conseguindo estancar o fluxo verbal que a assola. Ao lado da sua luta contra a doença, surge a conflituosa relação que mantém com o marido.
Esta é a premissa d’A Escritora. 
Alice é uma mulher animalesca. Instintiva, aguerrida, obsessiva. Vive sob o controle de um marido brando, bem-sucedido, incapaz de se revelar inteira. Por ele, mente. Oculta quem é. Vai dando os passos devidos a uma mulher na sociedade: casar, tomar conta da casa, fazer amor, procriar, ter filhos, tomar conta de todos, esquecer-se de si. Por dentro, é toda resistência. A banalidade, o que é suposto, não lhe assentam. Por isso escreve. A escrita é a sua forma de sobreviver às imposições alheias. Porém, uma doença ensombra o seu destino. O que ela regista terá algum valor para mais alguém, além de a salvar de si mesma? A produção de milhares de linhas com frases tem qualidade? Alice procura as palavras certas para a vida e despreza as metáforas que a adocem.
A luta entre a sua representação, para o marido e para os outros, no quotidiano, face ao que ela sente deveras, deve ser uma constante. As expressões faciais serão várias vezes o oposto das suas ações. Exemplo: poderá estar a realizar uma tarefa com movimentos ponderados, calmos e a sua expressão denotar ódio, a capacidade de assassinar o marido assim o desejasse. Devemos estar sempre no limbo, entre o acreditar nela, na sua paixão, no seu talento e duvidar e sentir pena e pensarmos que não passa de uma mulher louca, cruel para o marido. Contenção vs explosão. Docilidade vs selvagem. Racional vs irracional. Uma mulher disfarce. Entre o que esperam dela e o que é realmente.
O marido parece amá-la, mas como é isso possível quando o seu objetivo maior é obrigá-la a render-se à nulidade? É o seu maior opositor. O que não lhe dá uma oportunidade. O que só vê a doença. Ela vai alternando entre o acatar das suas ordens e a humilhação a que o sujeita. Quem quer o bem de quem? Alguém pensa no outro, nesta relação? Amam-se ou vivem uma relação doentia?
Alice é uma alma livre presa num corpo grávido. Um corpo que pertence a quem dele se alimenta. Haverá, também, neste aspecto uma relação dúbia dela com a sua barriga. Ora parece amá-la, ora parece querer ver-se livre desse estado. Escreve o que quer mas não quando quer, presa também à sua compulsão. É uma mulher escrava em vários sentidos, com a rebelião latente, à espera de explodir.

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