Full width Top advertisement

Post Page Advertisement [Top]

MOTELx 2020 - Entrevista com Tiago Bastos Nunes, Realizador da Curta Com Sono, Mas Não Durmo

MOTELx 2020 - Entrevista com Tiago Bastos Nunes, Realizador da Curta Com Sono, Mas Não Durmo

O Portal Cinema volta a aliar-se ao MOTELx (pelo terceiro ano consecutivo) para dar voz aos criadores que competem a um dos prémios mais icónicos do festival: Melhor Curta-Metragem de Terror Portuguesa. É de recordar que o vencedor desta categoria será o representante de Portugal ao Prémio internacional Mélliès D´Árgent. É importante realçar que esta competição é um dos pontos altos da programação do MOTELx e a concretização de um dos maiores objectivos do festival: a promoção, incentivo e exibição de filmes de terror produzidos em Portugal.   É por isso um prazer para o Portal Cinema repetir esta parceria, ainda para mais num ano tão peculiar como este!


Tiago Bastos Nunes


Quis o destino (ou talvez não) que a curta “Com Sono, Mas Não Durmo” tivesse uma das suas sessões no MOTELx marcada para a 00h00 e, claro, o título do filme poderá o mote aos cinéfilos que participarão nessa sessão! Falamos sobre este projeto com Tiago Bastos Nunes, um cineasta já habituado às andanças de grandes festivais de terror, já que num passado recente participou no FantasPorto, o outro ex-libris do terror nacional no que toca a festivais de cinema...



Realizado por Tiago Bastos Nunes

Argumento de Tiago Bastos Nunes

Com Cunha Carvalheiro

Sinopse: Uma viúva que grava os próprios sonhos é incapaz de dormir até que o marido regresse a casa. Uma viagem pela memória daqueles que já partiram e a morte que nem sempre é aceite por aqueles que ficaram..

Sessões - 8 de Setembro (Terça-feira) à 20h50 no Cinema São Jorge/ 13 de Setembro (Domingo) às 13h40 no Cinema São Jorge


Portal Cinema (PC) – Antes de explorarmos um pouco o projeto que vem apresentar ao MOTELX 2020, gostaria que falasse um pouco sobre o seu percurso profissional até ao dia de hoje. Qual a sua formação? E o que fez antes de começar a trabalhar neste projeto?

Tiago Bastos Nunes - Esta curta-metragem é fruto de um trabalho realizado no curso de Cinema e Televisão, na ETIC, como componente intermediária da minha formação na escola. O mesmo curso tratou-se do meu primeiro contacto com a produção audiovisual e com o ensino superior, o qual me desafiou em projetos que me destinaram a exibições, nomeações e prémios entre o 48 Hour Film Project, CCB, Fantasporto, a Academia Portuguesa de Cinema e, agora, o MOTELX. Devo-o muito a um senhor chamado Pedro Senna Nunes.

PC – Quais são as suas principais influências cinematográficas? E, já que estamos a falar no enquadramento de um Festival de Terror, qual é o seu Top 3 de Filmes de Terror favoritos?

Tiago Bastos Nunes - Todas as coisas, tudo mesmo, ensinam-me algo novo, acrescentam às leituras, mas gosto de procurar mistos de Schrader, Watkins, Marker e Lynch. Sobre um TOP 3 do terror: “Titicut Follies”, “The War Game” e “Zero Day”. O que me parece mais apelativo no género é o tipo de terror que não é imediato, mas só se revela quando o levamos para casa. Às vezes, o tipo de terror que parece normal.

PC – O que o levou a criar “Com Sono, Mas Não Durmo”? Como o descreve? E como o enquadra no panorama nacional do género de terror?

Tiago Bastos Nunes - Há três coisas que me motivam no cinema: sonhos, política e terapia pessoal - desafio é tentar casar estes elementos sem torná-los óbvios. Neste filme contamos uma história de divórcio pela morte, usando uma mulher que não dorme, mas está presa aos sonhos que grava. Com estas memórias, estes sonhos, materializados no VHS, conseguimos o efeito de um inimigo interior que vai espreitando na realidade, na verdade desta mulher, que a persegue e subjuga. A isto chamamos de “terror pela nostalgia”.

PC – Quais foram os principais desafios que enfrentou para lhe dar vida? 

Tiago Bastos Nunes - Eu tenho uma lista, mas não tenho espaço aqui. Acontece que com o medo do terror, também nós tivemos os nossos pânicos e reticências de filmar num contexto de pandemia. Isto desmembrou a equipa e o orçamento que, para condizer com as adaptações necessárias, foi reconstruído com investimento pessoal. Felizmente pudemos contar com a Cucha Carvalheiro, atriz e amiga, que confiou-nos a vida e libertou-se connosco da quarentena.

PC – O que significa a presença da sua curta na Competição Oficial do MOTELX? Como espera que o público reaja? E perante isto quais são as suas expectativas globais (quer no festival, quer posteriormente) para a mesma?

Tiago Bastos Nunes - É uma imensa honra ter a oportunidade de expor o nosso trabalho junto de outros criativos, num festival ao qual já temos um carinho de anos. O público é imprevisível, mas estarei junto dele, nos dias de exibição, para conhecer o seu ódio, a indiferença ou amor. Sobre o destino do filme, muito se pode dizer: para já, surpreenderam-nos com uma viagem internacional da qual ficamos muito gratos.

PC – Em tempos de pandemia, incerteza sobre o futuro e perante a eminência de uma grave crise económica que poderá afetar o financiamento cinematográfico não só em Portugal, mas também em todo o Mundo  gostaria de saber qual a sua posição e perspectiva sobre o futuro próximo da 7ª Arte em Portugal. Que novos desafios, oportunidades ou dilemas trará esta nova era para os criadores nacionais e, em particular, para o cinema de terror?

Tiago Bastos Nunes - Não sou mestre de negócios, mas cada vez mais parece propícia a revitalização do cinema independente em Portugal. Com base no recuo, redução e limitação das grandes produções nacionais devido à falta de retorno em sala, a nível internacional, o investimento na expansão do cinema e das produtoras independentes parece a melhor aposta para dar seguimento à introdução de Portugal no mercado do cinema. Precisamos de aceitar que a afluência de público não é a mesma e que isso é diferente de declarar derrota. Temos muito espaço, muita margem, para que novos talentos surjam para protagonizar esta nova, misteriosa etapa da nossa indústria. Sobre o género de terror, ele infelizmente sofre este preconceito geral de quem ainda não conheceu a verdadeira propriedade do medo.  Vivemos num momento em que o mundo, em toda a parte, assente num medo que não entretém.

PC – E o que nos pode dizer sobre os seus projetos futuros? 

Tiago Bastos Nunes -  Desde já tenho em mãos um filme que não respira terror, mas é construído sobre ele, com uma abordagem mais política ao surrealismo social. Trata-se desta grande produção com apoios e entidades parceiras da minha cidade natal, o Barreiro, a executar ainda neste mês de setembro. O projeto vai fechar o meu percurso na ETIC. Para 2021, um documentário, a próxima curta e uma promessa de retorno ao maior festival de terror nacional.

Sem comentários:

Publicar um comentário

Bottom Ad [Post Page]