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Casa do Cinema Manoel de Oliveira Revela Atividades Para Próximos Meses e Exposição Fotográfica Dedicada a Manoel de Oliveira em Serralves Que Inaugura Já Esta Sexta-Feira

A Casa do Cinema Manoel de Oliveira no Porto revelou o seu Plano de Atividades de Novembro a Abril de 2021. Revelamos agora todos os detalhes desta Programação via a Comunicação Oficial da Casa do Cinema Manoel Oliveira que inclui, claro está, a magnifica exposição MANOEL OLIVEIRA FOTÓGRAFO que será inaugurada já esta sexta-feira em Serralves !


Casa do Cinema Manoel de Oliveira Revela Atividades Para Próximos Meses e Exposição Fotográfica Dedicada a Manoel de Oliveira em Serralves Que Inaugura Já Esta Sexta-Feira


Entre 1930 e 1950 Manoel de Oliveira desenvolveu, paralelamente ao cinema, um crescente interesse pela fotografia. As mais de cem fotografias que agora se apresentam na exposição Manoel de Oliveira Fotógrafo são uma das grandes surpresas que o arquivo pessoal de Manoel de Oliveira reservava. Guardadas durante várias décadas, na sua maioria inéditas, estas imagens revelam não só uma faceta ignorada do realizador — a sua atividade como fotógrafo —, como lançam novas hipóteses de olhar para a evolução da sua obra cinematográfica.

Esta passagem de Oliveira pela imagem estática é uma etapa determinante do seu percurso como cineasta. Em diálogo tanto com o pictorialismo como com o construtivismo e com as experiências da Bauhaus, as fotografias do realizador participam do mesmo espírito modernista que animou toda a primeira fase da sua produção cinematográfica. Douro, Faina Fluvial (1931), Hulha Branca (1932), Já se fabricam automóveis em Portugal (1938) e Famalicão (1941), são filmes onde o dinamismo do enquadramento e do trabalho da câmara revela, por vezes, o mesmo pendor para a abstração que encontramos nalguns dos primeiros guiões de Oliveira, como Bruma (argumento para um filme) (1931), Ritmos e águas (1931) ou Luz, Roda e Miséria (todos eles de 1933). As fotografias inéditas que agora se apresentam constituem um precioso instrumento para compreender melhor o modo como Oliveira passa a assegurar a direção de fotografia dos seus próprios filmes, bem como para contextualizar o rigor de composição e enquadramento que carateriza toda a sua obra cinematográfica.

Se a descoberta destas imagens abre novas perspetivas sobre a produção cinematográfica de Manoel de Oliveira, espera-se que possa contribuir para o exame das intrincadas relações entre imagem estática e imagem em movimento, para a reavaliação crítica do papel dos fotógrafos amadores no debate e circulação internacional de ideias e processos fotográficos, para uma melhor compreensão do jogo tensional entre salonismo e modernismo, bem como para o estudo da fotografia portuguesa dos anos 1940.  Neste âmbito mais de 100 fotos inéditas serão exibidas, ja a partir desta sexta-feira, no Museu Serralves no Porto!

 

MANOEL OLIVEIRA FOTÓGRAFO

Tratando-se de uma mostra seletiva, pretendeu-se que esta exposição espelhasse as múltiplas vertentes da pesquisa levada a cabo pelo realizador, tanto em termos de possíveis influências ou da proximidade a escolas e correntes fotográficas, como no que respeita a géneros e temáticas, procurando manter um justo equilíbrio entre a apreciação da fotografia como prática autónoma (e, como tal, válida em si mesma) e a colocação dessas mesmas imagens em ressonância com a produção fílmica do autor.

Do ponto de vista material, uma parte muito significativa das fotografias que agora se expõem são provas originais da época (gelatina de prata com diferentes técnicas de tintagem, impressas sobre uma grande variedade de papéis). Relativamente às restantes, optou-se pela digitalização, tratamento e impressão digital dos negativos sobre papel barita. Pretendeu-se, igualmente, evitar o pastiche e assumir uma diferenciação entre estes dois tipos de imagens, originais e tiragens contemporâneas. Organizada pela Casa do Cinema Manoel de Oliveira e comissariada por António Preto, a exposição apresenta cerca de uma centena de fotografias e será acompanhada pela edição de umcatálogo, um ciclo de cinema e um programa de conferências.

 

O CATÁLOGO

Além da reprodução das cerca de 100 fotografias a apresentar na exposição, o catálogo incluirá ainda outras imagens produzidas pelo realizador que não entraram na exposição, assim como documentação e ensaios inéditos de autores portugueses e estrangeiros acerca da produção fotográfica de Manoel de Oliveira e da relação destas imagens com a sua obra cinematográfica. A publicação contará com uma introdução geral e uma apresentação da exposição por António Preto, e reunirá textos de Bernardo Pinto de Almeida (ensaísta e professor catedrático da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto), Emília Tavares (conservadora e curadora para a área de Fotografia e Novos Media no Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado), Maria do Carmo Serén (coordenadora no Centro Português de Fotografia e investigadora do CITCEM – Centro de Investigação Transdisciplinar, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto), e do investigador britânico especializado na relações entre cinema e fotografia, David Campany. Edição bilingue (português/inglês), com cerca de 350 páginas, esta publicação acompanhará a exposição Manoel de Oliveira Fotógrafo.


PROGRAMAÇÃO DE CINEMA

Em paralelo à exposição Manoel de Oliveira Fotógrafo, a Casa do Cinema apresentará uma programação de cinema organizada em dois momentos: (1) um primeiro, onde se interrogam as relações entre o cinema e a fotografia, bem como as tensões que se foram perfilando entre imagem fixa e imagem em movimento ao longo da história do cinema; (2) e um segundo, que sonda mudanças de rumo no que respeita à direção de fotografia dos filmes que Manoel de Oliveira realizou até ao final dos anos 1960.

O ciclo Cinema e Fotografia: Visões Espectrais propõe olhar para a história das aproximações e confrontos entre esses dois meios de expressão artística a partir do ponto de vista da morte, usando o filme de Manoel de Oliveira O Estranho Caso de Angélica como ponto de partida. Este programa propõe um percurso pelo modo como a espectralidade fotográfica anima a imagem fixa, antecipando, nesse ponto, o próprio dispositivo cinematográfico. São mais de trinta filmes, de Georges Méliès a Apichatpong Weerasethakul, que põem em causa a estabilidade da imagem parada e nela insuflam o movimento fantasmático do desejo, da transcendência, da fantasia, da memória, do grotesco, da revolta e da própria morte.

Já no ciclo Manoel de Oliveira, Direção de Fotografia: da montagem à duração percorrem-se, cronologicamente, todos os filmes (com exceção, natural, para o desaparecido Miramar, Praia das Rosas) realizados pelo cineasta desde a sua estreia, em 1931 com Douro, Faina Fluvial, até a A Caça, estreado em 1964 – trajetória a que se acrescenta um filme com sua produção, montagem e supervisão, A Propósito da Inauguração de uma Estátua - Porto 1100 anos. Se numa primeira fase, em que quase todos os filmes têm direção de fotografia de António Mendes, Oliveira encara a arte do cinema pelo labor da montagem, quando passa, ele próprio, a encarregar-se da fotografia dos seus filmes, ou seja, a partir de O Pintor e a Cidade, os planos distendem-se, a duração afirma-se e o tempo passa a ser a razão de ser do seu olhar. Através destas cinco sessões, promove-se uma revisitação da fase inicial da carreira de Manoel de Oliveira com o propósito de revelar o processo através do qual o realizador foi construindo a singularidade do seu olhar sobre o cinema e aquilo que o cinema fotografa.


ATIVIDADES PARALELAS/ CINEMA/ CINEMA E FOTOGRAFIA: VISÕES ESPECTRAIS

28 NOV | Sáb | 17h00

O Estranho Caso de Angélica

Manoel de Oliveira | PT, ES, FR, BR | 97 min. | 2010

101, a propòs de Manoel de Oliveira

Luis Miñarro | ES | 20 min. | 2012

 

29 NOV | Dom | 17h00

In Waking Hour

Sara Vanagt, Katrien Vanagt | BE | 18 min. | 2015

Images

Robert Altman | USA | 101 min. | 1972

 

OBSESSÕES FOTOGRÁFICAS

6 DEZ | Dom | 17h00

Le Portrait mystérieux

Georges Méliès | FR | 2 min. | 1903

0116643225059

Apichatpong Weerasethakul | TH, USA | 5 min. | 1994

The Cameraman

Edward Sedgwick, Buster Keaton | EUA | 78 min. | 1928

 

13 DEZ | Dom | 17h00

Laura

Tânia Dinis | PT | 10 min. | 2017

Zelig

Woody Allen | USA | 79 min. | 1983

 

20 DEZ | Dom | 17h00

Mur 19

Mark Rappaport | EUA | 22 min. | 1966

Anna

Pierre Koralnik | FR | 85 min. | 1967

 

ALBUNS IMAGINÁRIOS

10 JAN | Dom | 17h00

Le Paris des photographes

François Reichenbach | FR | 13 min. | 1962

O Conquistador Conquistado

Manoel de Oliveira | PT | 10 min. | 2012

Calendar

Atom Egoyan | ARM, CN, GR | 73 min. | 1993

 

17 JAN | Dom | 17h00

Sixty Six

Lewis Klahr | EUA | 90 min. | 2002-2015

 

24 JAN | Dom | 17h00

A caça revoluções

Margarida Rêgo | PT | 11 min. | 2013

Une minute pour une image

Agnès Varda | FR | 26 min. | 1983

Le souvenir d’un avenir

Chris Marker, Yannick Bellon | FR | 42 min. | 2001

 

VISÕES DA MORTE

31 JAN | Dom | 17h00

O Passado e o Presente

Manoel de Oliveira | PT | 116 min. | 1972

 

7 FEV FEB | Dom | 17h00

Cinza

Micael Espinha | PT | 10 min. | 2014

Benilde ou a Virgem-Mãe

Manoel de Oliveira | PT | 112 min. | 1975

 

14 FEV | Dom | 17h00

Rupture

Pierre Étaix, Jean-Claud Carrière | FR | 11 min. | 1961

Os Mortos

Gonçalo Robalo | PT | 30 min. | 2018

A Walsk with Nigel

Louis Henderson | UK | 22 min. | 2010

 

E, NO ENTANTO, MOVE-SE

21 FEV | Dom | 17h00

Rope

Gustztáv Hámos, Katja Pratschke | GR, HU | 28 min. | 2016

Sauve qui peut (la vie)

Jean-Luc Godard | FR, SW, GR, AU | 87 min. | 1980

 

28 FEV | Dom | 17h00

Somebody was trying to kill somebody else

Benjamin Verhoeven | GR | 7 min. | 2014

Blow Out

Brian de Palma | USA | 113 min. | 1981

 

 

MANOEL DE OLIVEIRA

DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA: DA MONTAGEM À DURAÇÃO

7 MAR | Dom | 17h00

Douro, Faina Fluvial | Hulha Branca | Estátuas de Lisboa | Já Se Fabricam Automóveis em Portugal | Famalicão

PT | 67 min. | 1931-1940

 

14 MAR | Dom | 17h00

Aniki-Bóbó

PT | 68 min. | 1942

 

21 MAR | Dom | 17h00

O Pintor e a Cidade | Vilaverdinho – Uma Aldeia Transmontana

PT | 52 min. | 1956-1964

A Propósito da Inauguração de uma Estátua - Porto 1100 anos

Artur Moura, António Lopes Fernandes, Albino Baganha

PT | 30 min. | 1970

 

28 MAR| Dom | 17h00

O Pão | A Caça | As Pinturas do meu Irmão Júlio | Romance de Vila do Conde| O Poeta Doido, o Vitral e a Santa Morta

PT | 79 min. | 1964-2008

 

4 ABR | Dom | 17h00

Acto da Primavera

PT | 90 min. | 1963


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