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Conheça a Programação do Queer Porto Que Arranca Já na Próxima Semana

Conheça a Programação do Queer Porto Que Arranca Já na Próxima Semana

 

Conheça a Programação do Queer Porto Que Arranca Já na Próxima Semana

O Queer Porto já anunciou toda a programação da sua 6ª edição, que acontecerá de 13 a 17 de outubro de 2020, no Teatro Rivoli e na “Casa Comum” da Reitoria da Universidade do Porto. Neste ano atípico, o Queer Porto, tal como o Queer Lisboa antes deste, assume o seu formato presencial, celebrando a ideia de comunidade e socialização, dentro das necessárias restrições. Através de um conjunto de termos-chave transversais às muitas expressões da cultura queer, como o são o Cruising, Sex, Bodies, Play, Skin e Memory, o festival celebra o corpo e a sua diversidade sexual - o que estes termos nos ensinam sobre a influência dos nossos contextos vivenciais e sociais, e dos lugares que habitamos, na construção das nossas identidades voláteis. Celebra-se a importância da nossa presença, luta e transgressão, na apropriação e subjectivização dos espaços físicos e mentais que nos rodeiam. Com os filmes que compõem as diferentes secções do festival, reivindicamos o toque e o olhar, a entrega e o deslumbramento, e um conjunto de experiências que nos atravessem o corpo e que enaltecem as nossas complexidades.

Um dos principais destaques do Queer Porto 6 é o Filme de Abertura do Festival intitulado "Si C’Était de L’Amour", do realizador austríaco Patric Chiha. Com estreia mundial na passada edição da Berlinale, onde recebeu o Prémio Teddy para melhor documentário, esta é uma obra que acompanha quinze jovens bailarinos de diferentes origens que se encontram em digressão com Crowd, um espetáculo de dança coreografado por Gisèle Vienne, onde se explora a cena rave dos anos noventa. 

Como Filme de Encerramento o Festival escolheu "Le Milieu de L’Horizon", de Delphine Lehericey, uma história situada durante o verão seco de 1976, na Suíça rural, em que assistimos, através do olhar de Gus, uma criança à beira da adolescência, ao desmoronar da uma família tradicional que vive do que produz na sua pequena quinta. 

O Júri da Competição Oficial é este ano constituído pela jornalista Amanda Ribeiro, pelo diretor de programação de artes performativas da RTP2 Daniel Gorjão, e pelo cofundador e diretor artístico do Teatro Plástico Francisco Alves. Um total de oito longas-metragens de ficção ou documentais integram a competição. Em "A Perfectly Normal Family", de Malou Reyman, que passou este ano pelo Festival Internacional de Cinema de Roterdão, começamos por assistir ao quotidiano da família de Emma, uma família “normal” que encontramos momentos antes de o seu pai, Thomas, revelar que é afinal Agnete, assumindo ser transgénero. Segue-se a luta de Agnete e Emma para manterem o que as une, enquanto aceitam que tudo mudou; com "L’Acrobate", Rodrigue Jean volta ao Queer Porto conduzindo-nos ao invernoso centro de Montreal, cidade em permanente expansão urbanística e aqui profundamente indiferente aos seus habitantes, onde Christophe inicia uma intensa relação com um acrobata russo, explorando o seu desejo sem restrições enquanto tenta consolar a sua solidão; no documentário" Always Amber", de Lia Hietala e Hannah Reinikainen Bergenman, Amber, de 17 anos, e x melhor amigx Sebastian, recusam-se a que a sociedade lhes ponha uma etiqueta de género, vivendo num mundo aberto e carinhoso onde tudo parece possível até ao momento em que Amber se apaixona por Charlie e o seu utópico mundo é abalado; "Deux", de Filippo Meneghetti, põe o foco no amor entre duas mulheres idosas que há décadas vivem o seu idílio amoroso na intimidade dos seus apartamentos vizinhos, sem que ninguém suspeite da sua relação, até que a filha de uma delas descobre a verdade e lhes perturba a paz; "Dopamina", de Natalia Imery Almario, examina de forma terna mas acutilante as contradições na família da realizadora, cujos pais ativistas de esquerda, que na Colômbia dos anos 70 e 80 lutaram pela liberdade e igualdade, não aceitaram o facto de a sua filha ser lésbica quando há 10 anos atrás ela se assumiu; em "Hombres de Piel Dura", de José Celestino Campusano, acompanhamos Ariel, um rapaz que na puberdade foi abusado por um padre católico que continua a aproveitar-se da sua inocência, e que tenta agora tomar decisões que terminem esse ciclo da sua vida, e caminhar na direção do verdadeiro amor; "Para Onde Voam as Feiticeiras", de Eliane Caffé, Carla Caffé e Beto Amaral, segue um grupo de artistas LGBTQI+ que, tomando as ruas de São Paulo como palco da sua luta, desconstrói com humor todos os conceitos pré-estabelecidos sobre identidades, numa polifonia entre ficção e realidade; por fim, com "Rescue the Fire", de Jasco Viefhues, recordamos Jürgen Baldiga, um fotógrafo e artista que na década de 1990 batalha contra o VIH enquanto à sua volta tudo o que conhece e ama se vai extinguindo e desaparecendo. Baldiga torna-se então cronista do seu tempo. O prémio de Melhor Filme, no valor de 3.000€, é atribuído pela RTP2 pela compra dos direitos de exibição.

A par da Competição Oficial, o festival terá também a sua habitual Competição “In My Shorts”, constituída por filmes de escola portugueses. Este ano são quatro as escolas representadas no programa In My Shorts do Queer Porto. Da Escola Superior de Teatro e Cinema chega o silencioso e minimal "À Tarde, sob o Sol", de Gonçalo Pina, enquanto do Kino-Doc recebemos o esfuziante "Caravagyo", de Ana Manana e Joana Lourenço. A Escola Artística de Soares dos Reis estará representada com três obras: a jornada surrealista de autoconhecimento "A Dança do Narciso Inseguro", de Ana Matos; o documentário onde se partilham memórias "De A a D", de Maria João Paiva; e "Somewhere in Outer Space this Might Be Happening Somehow", a curta experimental, imbuída da avant-garde dos anos 60 e 70, de Paulo Malafaya. Também explorando territórios semelhantes ao filme de Malafaya (mas em tom muito diverso), temos por último, da Ar.Co, "Test Room", de Pedro Antunes. As realizadoras Ana Manana, Joana Lourenço, Ana Matos e Maria João Paiva estarão presentes no festival para apresentar os seus filmes. 

Também no Queer Porto haverá este ano uma secção Queer Focus, aqui dedicada exclusivamente ao tema Cruising e dividida em três sessões. Na primeira sessão poderemos encontrar a segunda exibição (depois da passagem pelo Queer Lisboa 24) de Afterimages (2018), de Karol Radziszewski, e Bodies without Bodies in Outer Space (2019), de Rafał Morusiewicz, aos quais se acrescenta Kisieland (2012), também de Radziszewski. Com uma sessão constituída exclusivamente por filmes polacos, para além do cruising como tema central, reflete-se também o contexto das vidas da população LGBTI+ na Polónia atual, acossadas pelas violentas políticas e discursos governamentais naquele país. O realizador, fotógrafo, ativista e editor polaco Karol Radziszewski estará presente no Porto para uma conversa sobre estes temas.

A segunda sessão traz-nos Et in Arcadia Ego (2018), de Sam Ashby, e Tearoom (1962-2007), de William E. Jones. O primeiro, uma curta-metragem filmada em Super8, observa antigas casas de banho públicas que funcionaram como locais de engate em Londres, criando uma elegia a esses espaços queer perdidos e uma peregrinação às suas ruínas, enquanto Tearoom, focando-se no mesmo tipo de espaço de cruising, a casa de banho pública, é um documentário que faz uso de gravações feitas secretamente num desses espaços, pelo Departamento de Polícia de Mansfield, no Ohio, EUA, em 1962, de forma a obter provas posteriormente usadas em processos de acusação por sodomia. 

Por fim, a terceira sessão do Queer Focus do Queer Porto 6 é programada pelo artista britânico, designer gráfico e editor Sam Ashby, que escolheu trazer Museum, de Arnoud Holleman, uma coreografia de olhares entre pessoas que se entregam ao cruising num museu fictício; Umbrales, de Marie Louise Alemann, filme de 1980 rodado em Paris e Buenos Aires durante a última ditadura da Argentina, e que oferece um raro olhar sobre a experiência queer num regime repressivo; Underground, do padrinho do cinema porno gay Peter de Rome, onde uma viagem no metro de Nova Iorque acaba num inusitado encontro sexual; e liz/james/stillholes, de Liz Rosenfeld, uma exploração de glory holes de cruising, feminismo e frustração queer no geral. Sam Ashby e Liz Rosenfeld estarão no Porto para uma conversa que se seguirá a esta sessão.

Junta-se ainda ao programa uma Sessão Especial onde exibiremos Days, a aclamada mais recente obra de Tsai Ming-liang, vencedora do Prémio Especial do Júri nos Teddy Awards da mais recente Berlinale, onde Kang, interpretado pelo colaborador habitual Lee Kang-sheng, se entrega a uma vida de deambulação, enquanto tenta lidar com a dor da doença e do tratamento a que se submete. Quando Kang conhece Nom, os dois vão encontrar um no outro o consolo de que precisavam, antes de voltarem a separar-se. 

Por fim, espaço ainda para o evento Prometeu, do Colectivo Prometeu, que estará nos espaços Espiga, INSTITUTO e Bardo Creative Ground. Este é um coletivo que tem como missão promover um encontro anual entre a comunidade e criativos de diferentes áreas de expressão artística, para se conhecerem e se expressarem à volta de um tema. Este ano o tema será “a importância de acreditar no desconhecido” e reúne obras de mais de 30 artistas.

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