Full width Top advertisement

Post Page Advertisement [Top]

Curtas Vila do Conde Começa Hoje! Falamos com Miguel Dias Sobre a Programação Deste Ano

Curtas Vila do Conde Começa Hoje! Falamos com Miguel Dias Sobre a Programação Deste Ano
Curtas Vila do Conde Começa Hoje! Falamos com Miguel Dias Sobre a Programação Deste ANo


Arranca já este sábado, dia 3 de outubro, a 28ª edição do Curtas de Vila do Conde. Um festival com formato especial, comprometido com os novos tempos, mas onde a actualidade e urgência da programação voltam a ser os focos principais do evento que quer ser palco para a divulgação do que melhor se faz, experimenta ou reinventa no cinema em formato curto. Com extensões simultâneas a Porto, Lisboa e Faro e um programa com mais de 200 filmes e conteúdos exclusivos disponibilizados online, o Curtas de Vila do Conde reafirma a importância do encontro, do cinema, da sala, num tempo onde as interações sociais estão comprometidas. Uma preocupação bem justificada numa selecção que coloca, lado a lado, realizadores consagrados e novas vozes e que ensaia um olhar transversal pelo que se faz nas escolas de cinema, no panorama internacional e dentro das portas do país. Identidades, história, sentimentos de pertença, liberdades individuais e direitos adquiridos são alguns dos pratos fortes dos mais de 261 filmes que marcarão as diferentes secções do festival. 

A marcar o arranque do Curtas a estreia nacional de "Casa de Antiguidades", primeira longa-metragem de João Paulo Miranda Maria. Uma história sobre o preconceito e o racismo no Sul do Brasil, interpretado pelo histórico António Pitanga. Em foco estará ainda a obra do espanhol Isaki Lacuesta, artista multi-verso com um corpo de trabalho que cruza diversas linguagens artísticas. A par da selecção de filmes, o festival propõe uma exposição do autor na Solar - Galeria de Arte Cinemática. 

A 28ª edição do Curtas integra ainda uma competição nacional e internacional com o melhor que tem sido feito durante o último ano, uma competição experimental que olha o lado mais irreverente e desafiador do cinema, uma competição de vídeos musicais e uma competição composta por filmes realizados em contexto de formação. Para os mais jovens e famílias, o Curtinhas continua a apostar na formação e diversão para crianças e jovens, com um programa vasto de sessões, que inclui uma selecção de filmes feita por alunos das escolas da região. A programação completa do Curtas de Vila do Conde, assim como os detalhes sobre o programa online, pode ser consultado no site do evento ou na aplicação mobile disponível para download na Apple Store e Google Play. A edição online do festival está disponível em: https://online.curtas.pt.


Curtas Vila do Conde Começa Hoje! Falamos com Miguel Dias Sobre a Programação Deste ANo
Sonho de Um Verão



Foi sobre a Programação que incidiu maioritariamente a nossa entrevista com Miguel Dias, membro da organização do festival à qual, desde já, agradecemos a disponibilidade para esta entrevista, onde foi possível explorar os detalhes e os desafios desta 28ª Edição do Curtas! Se está em dúvida se deve ir ou não ao Curtas, então esta entrevista de certeza que o vai convencer a visitar o certame vila condense. 


PC - Após um adiamento forçado, o Curtas aposta forte numa programação fiel ao espírito do festival mas extremamente competitiva e recheada de surpresas, como as já anunciadas estreias das novas obras de Sergei Loznitsa, Jafar Panahi, Guy Maddin e Nicolas Pereda, mas também com uma Competição Nacional repleta de filmes de cineastas já famosos do nosso quotidiano. Na ótica da organização o que moldou a seleção desta edição do Curtas?

Miguel Dias - Existem, na programação, várias secções muito diferentes entre si que fazem do Curtas Vila do Conde um festival eclético e abrangente – por exemplo, existem poucas semelhanças entre os critérios utilizados para a selecção de filmes experimentais ou para os filmes para crianças, tendo apenas em comum o facto de querer obter uma programação de qualidade. Existe uma grande dose de subjectividade à partida, pois os filmes são vistos por um número bastante alargado de pessoas, que vai muito para lá da equipa que organiza o Festival. Pretende-se que cada um traga um outro olhar, as suas próprias experiências enquanto espectador de cinema. Essa subjectividade tem sempre muito que ver com a questão do gosto. Depois, há alguns critérios mais objectivos: serem filmes inéditos em Portugal, apresentarem uma diversidade de registos e de géneros (animação, documentário, ficção...), ou uma diversidade geográfica, onde nos interessa objectivamente mostrar um pouco do que se faz em todo o mundo. Mas se há alguma coisa que molda a selecção de filmes no Curtas, talvez seja esse encontro de sensibilidades diferentes e, claro, um trabalho de prospecção muito exigente e muito longo, cerca de dez meses à procura de obter os melhores filmes que possam estar a ser feitos no momento e cujo lançamento esteja previsto para breve. Os nomes que refere na questão a título de exemplo são apenas aqueles que saltam à vista, por serem autores que já têm uma filmografia mais vasta, incluindo várias longas-metragens. 


PC – É inevitável falar neste contexto da pandemia Covid-19 que é uma preocupação para todos nós e tem apresentado desafios a todos os festivais de cinema. Para além das datas o que é que a pandemia alterou na seleção e organização do festival? Quais foram os principais desafios? Houve coisas que caíram em relação às datas originais e outras que foram acrescentadas? Qual foi o real impacto da pandemia na programação e preparação do Curtas?

Miguel Dias - Sim, este ano não se pode passar ao lado desta questão. Como muitos outros festivais de cinema, temos trabalhado no sentido de conseguir dar resposta ao que está a acontecer, adaptando-nos, tendo em consideração as alterações que a indústria cinematográfica está a sofrer, incluindo na dificuldade de circulação do público e profissionais do cinema, e aprendendo com os eventos que se realizaram nos últimos meses. A primeira ideia foi mudar o festival para Outubro, pensando na altura que toda a situação já estivesse mais controlada por parte das autoridades de saúde, mas já há alguns meses se tornou claro que esta nunca poderia ser, fosse qual fosse a data escolhida, uma edição normal. Discutimos várias soluções e alternativas para superar os constrangimentos, sobretudo formas de chegar ao público e aos profissionais que não nos puderem visitar. Tentamos, ainda assim, colocar a experiência de ver cinema em sala como a nossa prioridade, mantendo a edição física em Vila do Conde como o centro do festival, mas desenvolvendo exibições satélites noutras cidades do país, para a competição nacional, e criando, paralelamente, uma versão online do programa geral. Também na comunicação tivemos que nos adaptar, como por exemplo utilizar meios alternativos ao programa impresso, como foi o caso do desenvolvimento de uma app. A verdade é que todos estes constrangimentos criaram boas oportunidades de crescer um pouco e de explorar novas formas de comunicar. Um exemplo é o trabalho extraordinário que foi feito com entrevistas online a muitos dos protagonistas desta edição, que se encontram disponíveis na versão online, exclusivo para subscritores. Ao nível do programa, claro que houve coisas acrescentadas, penso até que a qualidade invulgar da programação deste ano beneficiou desse adiamento, pois houve mais três meses de pesquisa e novos filmes a serem lançados, que ainda não estariam disponíveis em Julho, e que vieram tornar o programa mais forte. Refiro-me não apenas aos filmes da competição, mas também a todo o resto do programa. E sim, houve coisas que caíram do programa originalmente previsto, essencialmente algumas possibilidades de cine-concertos com bandas e músicos estrangeiros que integrariam o programa Stereo. Feitas as contas, na minha opinião o programa ficou mais forte.


PC – Uma vez mais um dos pratos fortes do festival é a sua Competição Nacional de Curtas Metragens. O que nos podem dizer sobre a seleção de curtas deste ano e quais poderão ser as expectativas que o grande público poderá criar para a mesma?

Miguel Dias - Estamos muito contentes com a selecção de curtas portuguesas, e com grande expectativa relativamente às reacções do público e da crítica. Essa expectativa existe sempre, mas confesso que desta vez é redobrada, dadas as circunstâncias e, também, a excepcional qualidade da selecção de filmes portugueses deste ano.


PC - No passado, o Curtas serviu de alavanca para vários realizadores e para os seus trabalhos. Num ano de pandemia e com uma possível grave crise em perspetiva que importância é que esta Competição Nacional terá para os participantes? Foi a pensar neste “reforço” que o Curtas decidiu passar esta Competição também nos cinemas do Porto, Lisboa e Faro e com conversas com autores integradas nestas sessões? Como se procederá este modelo de apresentação/exibição?

Miguel Dias - Sim, todas as novidades relativas à apresentação da Competição Nacional foram uma reacção à situação de pandemia. As regras apertadas de segurança sanitárias e distanciamento, que impedem o cruzamento de públicos de diferentes sessões ou o tempo entre sessões para desinfestação das salas, resultou numa redução considerável da quantidade de sessões físicas no Teatro Municipal, impedindo a habitual repetição destes programas. Também a lotação das salas ficou reduzida a menos de metade. Sendo a prioridade para nós a exibição em sala para o maior número de espectadores possível, e sendo também essa a expectativa dos autores que apresentam aqui os seus filmes, essas sessões fora de Vila do Conde são uma forma de compensar esta redução. Para lá da versão online, claro, que poderá atrair ainda mais alguns espectadores que ainda não se sintam seguros ao frequentar uma sala de espectáculos. Ainda queria aqui destacar as conversas com os realizadores na versão online, numa série de entrevistas de grande qualidade e interesse, como alternativa às habituais conversas com realizadores do festival – que ainda assim irão existir, mas numa versão reduzida em relação ao habitual.


PC - Embora as curtas sejam a força do festival, certo é que este ano haverá também uma aposta reforçada na exibição de longas metragens, como as antestreias dos novos filme de Kelly Reichardt e Rodrigo Areias, dois cineastas que o publico do Curtas conhece muito bem. Também “Casa de Antiguidades”, o mais recente filme de João Paulo Miranda que foi exibido em Cannes passará pelo Curtas. O que poderemos esperar destas sessões? 

Miguel Dias - O prato principal do festival são, como é evidente, as curtas-metragens. No entanto, já há muitos anos que deixou de ser exclusivo, com excepção das competições. Os filmes que refere fazem parte de uma secção do programa chamada “Da Curta à Longa”, em que revisitamos autores que fazem parte da história do festival sem quaisquer tipo de impedimentos de duração. Trata-se de seguir a carreira dos autores de que gostamos, apresentando sempre que possível os seus novos trabalhos. Felizmente, dada a longevidade do festival, o leque de autores nestas condições é vasto, e de grande qualidade. Mas também em diversas outras partes do programa é possível ver longas-metragens, como nas retrospectivas de autor a que chamamos “In Focus”, este ano com Isaki Lacuesta, em certos casos nos cine-concertos (é o caso desta nova parceria que apresentamos este ano entre Paulo Furtado e Pedro Maia), ou na nova rubrica “Cinema Revisitado”, onde a propósito de longas-metragens me permito destacar a extraordinária obra de Frank Beauvais “Ne croyez surtout pas que je hurle”, bem como a carta branca ao realizador, onde o convidamos a escolher uma sessão de curtas em dialogo com a sua própria obra.


PC – Falando em longas metragens temos que explorar a exibição do documentário “O Sentido da Vida”, o novo trabalho de Miguel Gonçalves Mendes que, passados 20 anos, regressa a Vila do Conde. O que já pode ser desvendado sobre esta apresentação especial? 

Miguel Dias - Em primeiro lugar, e para que não haja qualquer tipo de mal entendido, não se trata de modo algum de uma antestreia, sendo um filme que não se encontra terminado. Daí o título escolhido, para que não restem dúvidas, “O Sentido da Vida: Esboço do Primeiro Acto”. Será possível assistir a esse primeiro “esboço” de uma parte da obra, e teremos a presença do realizador Miguel Gonçalves Mendes e do escritor Valter Hugo Mãe, que tem uma forte ligação a este projecto. Curiosamente, Valter Hugo Mãe acaba por ser o nome em destaque nesta edição do Curtas, pois aparece ainda ligado à sessão de encerramento, com o episódio da série “Herdeiros de Saramago” que lhe é dedicado, realizado por Graça Castanheira, e também aos filmes “Surdina”, de Rodrigo Areias (exibido em Agosto como que uma pré-abertura do festival) , para o qual escreveu o argumento, e “O Nosso Reino”, de Luís Costa, um filme da competição nacional com argumento baseado na sua obra homónima.


PC– Que outros destaques gostariam de salientar na programação deste ano?

Miguel Dias - Uma nova secção chamada “New Voices”, como indica o próprio nome destinado a destacar nomes emergentes do panorama nacional e internacional, cujas obras de curtas ou de primeiras longa-metragem apresente já um corpo de trabalho consistente e diferenciador. É uma afirmação do compromisso do Curtas com a descoberta de novas tendências, e nesta primeira edição a escolha recai sobre três realizadoras: a espanhola Elena López Riera, a panamiana Ana Elena Tejera e a luso-descendente Ana Maria Gomes


PC - O que podemos esperar de futuras edições do Curtas? As datas de Outubro serão para manter em 2021 ou regressaremos ao calendário inicial? E que mensagem final querem deixar aos possíveis espectadores do festival?

Miguel Dias - Aquilo que esperamos é um regresso o mais rápido possível à normalidade e ao formato habitual do Curtas, sem restrições e sem medidas sanitárias. Não sabemos ainda o que significa esse mais rápido possível, admitimos que em 2021 ainda possa acontecer um festival híbrido à imagem desta edição, é nesse sentido que por enquanto estamos a trabalhar, mas com um regresso ao calendário inicial de Julho. Aliás as datas já estão marcadas, será de 10 a 18 de Julho de 2021. Um desafio adicional, portanto, pois a preparação do festival de 2021 começará com dois ou três meses de atraso relativamente ao que é habitual. Quanto a uma mensagem final, que venham assistir se possível às projecções no Teatro Municipal, é esse o principal desígnio de um festival de cinema, aproximar criadores e públicos numa partilha comum na sala escura e em grande ecrã. E que tenham paciência e colaborem com as medidas sanitárias adoptadas, uso de máscara, medição de temperatura e tudo o resto, para maior segurança de todos. Se possível que este ano cheguem mais cedo para evitar filas desnecessárias na entrada.

Sem comentários:

Publicar um comentário

Bottom Ad [Post Page]